Ghost Recon: Wildlands | Crítica


Um dos maiores mundos abertos e um dos mais belos já feitos para um jogo, uma experiência multiplayer complexa e divertida, uma aventura impactante e diversas outras promessas foram feitas com Ghost Recon: Wildlands e a melhor parte é que todas elas foram cumpridas, ainda que o jogo de alguma forma não atinja todo o potencial que ele deveria ter.

Vamos começar a falar sobre a maior qualidade do jogo, o mapa, o mapa do jogo é simplesmente gigantesco e a qualidade do mapa não está apenas no tamanho, mas também na diversidade, num primeiro momento o jogo parece simplesmente um amontoado de terras enlameadas, entretanto, essa ideia se dá unicamente graças aos biomas do jogo serem imensos, não demora muito até começarmos a ver montanhas, mares, florestas e todo o tipo de diversidade em um cenário que foi brilhantemente escolhido para o jogo.

Faz realmente muito tempo em que não vejo um mapa tão impressionante quanto o de Wildlands, na verdade os últimos mapas nesse nível vistos em games são Los Santos e Skyrim. Mapas como os de Dragon Age Inquisition, Assassin’s Creed 4, Fallout 4, e mesmo os recentes e diversos planetas de Mass Effect Andromeda, assim como diversos outros jogos porém ter grandes e belos mapas, porém não consigo lembrar de outro jogo recente que tenha conseguido criar um cenário tão imersivo quanto os de GTA 5 e Skyrim, exceto por Ghost Recon: Wildlands.


A grande diferença de grandes jogos como Skyrim e GTA 5 para jogos com grandes cenários como Ghost Recon: Wildlands, é a forma como o game nos permite interagir com esses cenários, no caso do jogo em questão a única forma de interagir com ele é através da violência, mas uma forma bem simples e especifica de violência.

O gameplay do jogo é interessante no papel, ele permite que você controle diversos veículos e tenha diversas formas de resolver os problemas que o jogo te apresenta, seja usando stealth ou uma forma mais agressiva e louca de enfrentar os inimigos. Você controla o membro de um esquadrão de elite na Bolívia com a missão de destruir um cartel de drogas mexicano que se instaurou e dominou uma grande região do país e para completar a missão você tem diversas tecnologias realistas, como drones e visão noturna e dezenas de armas e veículos a sua disposição.

O visual do game apresenta tantas nuances inacreditáveis ao jogo, tudo pode ficar diferente no já magnifico cenário se o clima simplesmente mudar, aliás, o clima dificilmente é tão bem representado em um jogo como ele é representado aqui, entretanto a beleza de variedade que o visual nos dá não é nem perto equiparado no gameplay.


Os veículos do game e a mecânica que envolve controlá-los não são um exemplo de qualidade e a variedade entre eles é quase inexistente além da aparência, por outro lado isso importa pouco, pois dirigir e pilotar veículos estão no jogo mais por necessidade do que por qualidade, mas é o combate do jogo que decepciona, paradoxalmente não por sua qualidade, pois o game é um shooter em terceira pessoa de excelência, é simplesmente uma das melhores mecânicas de shooter em terceira pessoa já feitas, sem inovar nada, mas melhorando tudo o que há de bom nesse estilo, porém ele é extremamente repetitivo, tudo o que você faz no jogo tem apenas um tipo de variedade, é tudo sobre “como você faz” e não sobre “o que você faz”.

Se você quiser, sem mesmo terminar o tutorial, você pode dirigir até a área amais difícil do jogo e enfrentar os criminosos por lá sem nenhum problema, você não deve ter um bom resultado nisso por falta de equipamentos e acessórios, porém o que você faz lá é o mesmo que você faz no tutorial e em todo restante do jogo, matar os mesmos três tipos de inimigos que você mata durante horas e horas para invadir bases e ou tirar alguém dessa base, ou destruir algo lá dentro. Faça e repita!

Para um jogo extremamente repetitivo, só existe uma salvação que é exatamente o que a Ubisoft propôs aqui, o multiplayer co-op. Sim, esse é o foco do jogo e é justamente o que o salva de ser um fiasco em um belo cenário. Ghost Recon: Wildlands deixa um pouco de ser um jogo por assim dizer e vira uma caixinha de areia onde você e seus amigos podem brincar e testar diversas formas de stealth e de assalto frontal contra inimigos, de treinar táticas e de falar bobagem e fazer besteira enquanto se distraem com diversos assuntos entre matar os 3 capangas de sempre e explodir coisas em bases inimigas.

Ghost Recon: Wildlands tem uma certa ambição de parecer um grande jogo e ele não é, mas nem todo jogo precisa ser o melhor jogo já feito, esse é certamente uma mistura, um grande, imersivo e belíssimo mundo aberto, com um game-design medíocre e algumas mecânicas duvidosas, com outras brilhantes. Ainda assim, com qualidades e problemas tão equiparados, o game é uma grande diversão de se jogar com os amigos, o que significa que se é diversão em co-op que você procura e não o novo melhor jogo já feito, Ghost Recon: Wildlands é o game para você, só não espere nada além disso.


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