Aragami | Crítica


Em 2013, Dark tentou mudar um pouco a forma como conhecemos o stealth nos vídeo games. Deve-se dizer que durante os acertos e erros cometidos pela desenvolvedora, os erros se tornaram muito evidentes e acabaram defasando o jogo. Aragami aparentemente tenta ser diferente nesse aspecto, mas infelizmente comete muito dos mesmos erros.

Aragami ou Path of Shadows é um jogo desenvolvido pela Lince Works, um estúdio indie espanhol. Originalmente o jogo era um projeto feito por um estudante para a universidade onde estudava, e futuramente para seu portfólio. Mas devido ao cair no gosto do público, foi expandido e se tornou o que temos hoje.



No enredo de Aragami, você é um Aragami (Agora já deu pra entender o porque do nome do jogo), uma pessoa que morreu mais foi invocada de volta para o mundo dos vivos  por Yamiko, uma garota da nobreza que foi presa por Kaiho, a guarda da luz e por isso lhe invoca como último recurso, para tentar liberta-lá, mas ao ser invocado, Aragami, não tem nenhuma memória, mas conforme a trama avança ele vai restaurando fragmentos do passado e tentando descobrir você era quando vivo.

Mesmo enredos um tão quanto simples como esse se mostram até bem interessantes se for bem desenvolvido, mas é ai é um dos pontos que Aragami peca. O mal desenvolvimento dos personagens fazendo com que em nenhum momento você se importe com eles. Isso combinado aos clichês que você já está acostumado a ver em outras obras, faz com que você já saiba o que estar por vim. O que poderia até ser interessante, consegue tirar por quase completo a paciência do jogador.

O problema na história poderia ser remediado com facilidade com um gameplay agradável. Considerando que o mesmo é inspirado em jogos nomeados como a saga Tenchu, Dishonored e Mark of The Ninja, haveria grande possibilidade de se extrair o máximo deles e fazer algo realmente bom. Embora não seja completamente terrível, o gameplay consegue se mostrar bem entediante e desastroso com o passar do tempo.


Desde a inteligência artificial dos inimigos fraca (Por exemplo eles serem alertados por ter visto um corpo, depois voltarem ao estado padrão e alertarem de novo por ter visto um corpo que estava do lado do anterior desde o começo) até falta de movimentos polido deles fazem que com seja monótono passar por tudo isso.

Outro fator que proporciona imenso desconforto ao jogar é que para matar inimigos no jogo, você precisa simplesmente apertar um botão e o protagonista inicia uma killcam automática, o que tira muito do ritmo do que está acontecendo. Principalmente pelo fato de outros inimigos poderem te ver e atacar durante essas cenas, o que faz com que seja impossível o jogador ter uma reação quanto a isso. Além claro de que deve ser dito, é que o ataque de todos os inimigos são mortais

Não há um simples momento que eu não tenha morrido no jogo também por falta de precisão dos poderes de se teleportar de um lugar para outro, às vezes porque não havia sombra o suficiente no local para eu fazer isso, já que o Aragami só pode se teleportar para sombras, como também por falta de precisão do próprio jogo, como me fazer teleportar e cair diretamente na água e me matar.

Combine isso ao fator de que todo o gameplay roda em torno de você quebrar esferas para liberar o caminho e coletar algum item e depois ir para a próxima área fazer a mesma coisa. Vale salientar que não só as quests são repetitivas, os cenários do jogo também são sempre parecidos, há poucos momentos que realmente você vai parar em uma área com elementos diferentes da anterior (Mesmo que seja para fazer a mesma coisa).

O jogo conta com elementos multiplayer como por exemplo um coop online na qual você pode chamar mais alguém para jogar toda a campanha com você. Embora eu não tenha conseguido ninguém para jogar comigo, esse é um elemento que proporciona uma diversão maior a quem vai jogar, e que consegue ofuscar alguns dos problemas acima.


Não espere que a trilha sonora do jogo seja algo fenomenal. Tal qual esse deve ser um dos elementos que menos preocupam o jogador em jogos como esse, já que o foco está sempre em matar os inimigos silenciosamente, os desenvolvedores não se preocuparam em fazer alguma música impactante, ela é simplesmente simples por assim dizer já que é sempre sons ambientes em momentos que você ainda não foi visto e sons mais tensos quando você é avistado e tenta fugir dos inimigos (O que claramente nunca funciona).

Embora Aragami tenha muitos problemas, e não são poucos, o mesmo é um bom jogo para quem quer tirar apenas um pouco de tempo para a jogatina e não se importe tanto com fatores como história ou um gameplay tão polido. Caso você tenha mais alguém para jogar com você, facilmente pontos críticos da análise podem ser esquecidos já que provavelmente você vai levar mais em consideração a diversão em dupla. Também lembrando que esse é o primeiro jogo de uma produtora indie sem muitos fundos, então o que foi feito em Aragami é até bem razoável em comparações com o que encontramos hoje em dia em AAA da industria.








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