Pokémon GO | Crítica


Quando o Ingress foi anunciado pela Niantic, eu achei que embora a ideia fosse interessante no papel, ela não daria certo na prática e vamos ser honestos, não deu tão certo assim, embora o aplicativo tenha seu público fiel, ainda é um aplicativo para um nicho. Por isso, quando a Niantic anunciou Pokémon GO, eu imediatamente presumi que essa seria mais uma falha bem-intencionada da Niantic e mais um belo fracasso para a gigantesca lista de fracassos recentes da Nintendo. GRANDE ERRO!

Se você não ouviu falar de Pokémon GO, bem, ou você não usa a internet e nem deve estar lendo isso agora, ou você acabou de chegar de outro planeta e ainda está procurando um lugar para estacionar sua nave espacial.

O novo aplicativo da Niantic que permite você caçar Pokémons no mundo real através da realidade aumentada e da sua posição do GPS se tornou um fenômeno incompreensível no mundo inteiro, não falta nas timelines notícias sobre eventos interessantes ou bizarros envolvendo o jogo.


Socialmente Pokémon GO é interessantíssimo, a ideia de você sair e encontrar os monstrinhos de sua infância na rua, esbarrar com outras pessoas, dividir localizações e andar por aí no geral é mesmo uma ideia sensacional. 

É impossível, contudo, julgar Pokémon GO sem antes experimentá-lo. Nos primeiros dias enquanto o aplicativo estava funcionando no Brasil deu para ter uma ideia do que o jogo era, mas com ele chegando oficialmente ao Brasil ontem ficou mais fácil de definir. Se tentássemos encaixar ele em um gênero de jogo comum, ele seria um quase RPG com um grind ridiculamente grande, mas com um foco social que ameniza bastante esse grind. Entretanto, para ser honesto, Pokémon GO é uma novidade para O Vértice, pois ele é o primeiro aplicativo de celular que nós fazemos um review, porque precisa forçar um pouco a barra para chamar ele de jogo.

Se tirarmos a parte colecionável e social do “jogo”, que são de fato muito interessantes, sobra muito pouco. O game tem um sistema de RPG tão simples que não dá nem para considerarmos que é um RPG. Você tem um level que aumenta por caçar Pokémons e os Pokémons tem pontos de combate que são a única forma de distinguirmos a sua força.


Os modos de combate em ginásios, que é uma outra ideia mais interessante no conceito e na parte social do que na jogável, são bem decepcionantes. As batalhas entre Pokémons se dá com você simplesmente apertando a tela sobre o monstrinho adversário várias vezes, ou arrastando seu Pokémon para o lado, movimento que se executado em um timing razoável, vai fazer você desviar do golpe do adversário. Mas nada disso importa, se seu Pokémon tem mais CP (pontos de combate) que o do seu adversário você vai ganhar, se tiver menos, você vai perder. Desviar no timing certo, apertar mais rapidamente a tela, os tipos de Pokémon com suas forças e fraquezas e todo o resto de nada importam no combate.

Eu nem sou um grande fã de combate por turnos, mas o modo de combate dos jogos “originais” de Pokémon faria um bem inimaginável para Pokémon GO, a ponto de fazer de fato esse ser um fenômeno duradouro e não a moda social que muita gente aposta que o aplicativo é.

Outros problemas óbvios de Pokémon Go são a falta de conteúdo que parecem necessários se você olhar a forma que o fenômeno está tomando forma. Coisas como a habilidade de batalhar de jogador contra jogador, a habilidade de trocar Pokémons, a habilidade de fazer listas de amigos ou qualquer aplicação social que muitos jogos menos sociais possuem. Pokémon Go parece uma boa ideia que foi lançada antes da finalização de seu desenvolvimento, especialmente porque além da falta de recursos básicos para um aplicativo social, o game está infestado por bugs e por travamentos em um nível frustrante.


Por outro lado se o jogo tem essas escolhas de design que parecem mal pensadas, ele tem outras escolhas de design brilhantes, como a ideia das PokeStops e especialmente o que você pode fazer com elas. Uma Pokéstop basicamente é um lugar da sua cidade que é marcado como tal e se você for até lá, você ganha itens de graça, mais Pokébolas (que podem ser compradas com dinheiro real, mas que dificilmente acabam graças a essas Pokéstops), poções de cura ou Lures. As lures são uma das partes mais interessantes do jogo, pois elas servem para atrair os Pokémons da sua área para você, no lugar de você ir até eles. Elas duram por um período de tempo e podem ser usadas tanto no jogador, o que é ótimo se você quiser pegar meia dúzia de bichinhos sem sair de casa, ou elas podem ser usadas nas PokéStops, atraindo não apenas bichinhos para o local, mas também outras pessoas, que veem no mapa que aquela Pokéstop está “lureada” e que mais Pokémons vão aparecer naquela região.

Além disso, outra escolha de design esperta é a forma como capturar vários Pokémons do mesmo tipo não se torna algo frustrante a partir do momento em que você percebe que para evoluir um deles, você precisa capturar vários da mesma espécie para ganhar itens especiais que podem ser usados nessa finalidade. Um exemplo disso é que aqui em São Gonçalo parece só ter Zubats (talvez no restante do mundo seja assim também). E para um Zubat evoluir para o Golbat você precisa de 50 “Zulbat Candy” e cada Pokémon desse tipo vem com 3 “candies” e se você mandá-lo ao seu professor Pokémon você ganha mais uma candy. Traduzindo, capturar 10 Zulbat não é frustrante, pois eles significam "40 zulbat candies" e quando mais você capturar deles, mais perto de ter um Golbat você está. E é da mesma forma que você aumenta o CP dos bichinhos, com a candy da mesma espécie, além de outro item que você ganha capturando qualquer espécie. Por outro lado, isso é frustrante em outras ocasiões, como quando você quer evoluir seu Abra (meu caso, já que ele é um dos meus preferidos) e a chance de você pegar outros Abra é muito pequena comparada a chance de você capturar Pidgeys, Caterpies e Zulbats.

Com isso tudo dito, Pokémon GO no fim das contas é muito mais o álbum de figurinhas moderno do que um jogo, mas isso não é ruim e se formos pensar assim, Pokémon GO é o melhor algum de figurinhas da história da humanidade e para fãs desse tipo de coleção isso deve ser algo grande, para todas as outras pessoas o aplicativo é chamativo por ser uma baita e nova experiência social, que parece ser muito mais atrativa a curto prazo e que não deve durar para sempre, mas se você tem um celular com Android ou IOS, não importa o quanto esse fenômeno vai durar, você TEM que experimentá-lo enquanto ele dura.

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