The Witcher 3: Blood and Wine | Crítica


Se você por algum motivo tem um preconceito tão forte contra DLCs que deixa de sequer tentar algumas, eu sugiro fortemente que você tente Blood and Wine e certamente você mudará de opinião os nossos tão dúbios conteúdos baixáveis, ao menos sobre os conteúdos adicionais que a CD Projekt Red faz não restará dúvida, já que o estúdio após lançar 12 atualizações gratuitas, muitas delas que seriam cobradas por outras empresas, o estúdio também lançou duas atualizações pagas, a primeira e sensacional delas foi Hearts of Stone e a agora temos uma obra prima nesse quesito, chamada de Blood and Wine, que infelizmente termina a saga de Geralt talvez para sempre, de acordo com o que o próprio estúdio afirmou.

Hearts of Stone certamente tem a melhor trama das três tramas que englobam a história total de The Witcher 3, com um vilão sensacional e ameaçador e uma trama complexa que mistura picos de diversão e melancolia magistralmente, esse pedaço especifico das últimas aventuras de Geralt ganha nesse quesito quando a comparamos com a busca por Ciri e a nossa passagem por Toussaint. Por outro lado, Blood and Wine é melhor em todos os outros sentidos quando a comparamos com a primeira DLC e com o jogo principal.

A ambientação de Blood and Wine numa cidade inspirada no sul francês com cores, vinhos, alegria e cavaleiros pomposos certamente entra para a lista de melhores ambientações já feitas nos videogames. Velen, Novigrad e Skellige são todas realistas e interessantes, te passando bem o clima de como seria viver ali, mas Toussaint vai além, Toussaint é apaixonante por si só e definitivamente eu gostaria de ver mais e mais tramas ambientadas por lá no futuro.

Das novidades que a nossa estadia por essa bela cidade nos oferece, está um novo conjunto de quests muito mais relevantes e que se parecem menos com o trabalho de motoboy medieval que fazemos no game principal, as quests te dão objetivos maiores e mais complexos e são mais bem amarradas em uma trama do que em qualquer momento antes.

As batalhas contra os bosses também são algumas das melhores, elas são bem mais estratégicas do que antes ainda que nenhuma delas exija de você algo próximo ao que Dark Souls exige, por exemplo, mesmo assim é uma bela melhora comparando com as lutas contra bosses anteriores que se resumiam a bater neles sem parar até que o HP chegasse a zero.

Até mesmo as missões secundárias estão bem mais complexas do que antes, seja uma missão mais comum como uma em que você tem que ajudar em uma disputa sobre a compra de um vinhedo, até em missões mais complexas onde você ajuda uma das damas de companhia da duquesa a se livrar de uma maldição.

Outra das novidades é um novo deck de cartas de Gwent, baseado na região de Skellige e que tem cartas de figuras conhecidas como Arminho, Lugos Todo-Roxo e Cerys An Craite. Há também toda uma missão secundária interessante sobre esse deck que você não vai querer deixar de fazer, especialmente se você adora Gwent, assim como eu.

Mas de todas as novidades, a mais interessante de todas certamente é o vinhedo de Corvo Bianco que é nos dado pela duquesa Anna Henrietta como adiantamento pelo serviço de exterminar a temível "fera de Beuclair". O vinhedo é o clássico lar e quartel general que muitos games hoje em dia possuem, mas quase nenhum desses jogos tem a profundidade e a qualidade de ambientação que The Witcher 3 têm, portanto o vinhedo de Geralt tem um significado bem maior, especialmente quando consideramos que o bruxo nunca teve um propriedade antes em sua vida e que morar em um lugar apenas não se encaixa bem com a sua personalidade, mas que nesse momento especifico ele está definitivamente se aposentando. Corvo Bianco tem ainda uma importância maior se você conseguir um bom final na DLC e um se já tiver completado o game principal com um final satisfatório.

Como eu já falei em outros reviews, eu não sou um grande fã do Geralt como protagonista de uma série de jogos, mas surpreendentemente ele parece muito mais bacana nessa DLC, com opções mais amplas de personalidade a serem exploradas entre ser um chato e um cara bem-humorado, porém sem graça. Mas apesar de tudo, Geralt quase se perde em um elenco de grandes personagens reunidos para essa história, todos ou bastante complexos ou ao menos bem interessantes e divertidos, como é o caso do garotinho engraxate e de alguns cavaleiros pomposos da duquesa. A duquesa Anna Henrietta por sinal rouba todas as cenas em que aparece, com uma personalidade complexa, mostrando-se fina e delicada quando pode se dar a esse luxo, mas uma aventureira centrada e corajosa quando precisa. Além de sua personalidade variar entre gentil para quem merece e forte, rigorosa e imperiosa para quem a desafia, o que pode incluir Geralt dependendo das escolhas que façamos e isso pode ter consequências graves no final do jogo, portanto pense bem nas suas escolhas.

Apesar de grandes personagens em uma bela terra ensolarada e com cheiro de vinho, Blood and Wine é um conto sobre vampiros essencialmente, ainda que seu subtexto traga dramas sobre amizades e relações familiares. Eu não sei se eu posso afirmar que esse é um ótimo conto sobre vampiros, mas surpreendentemente o universo de The Witcher têm alguns dos vampiros mais interessantes da literatura moderna e Regis e Dettlaff são amostras disso nessa nova mídia.

Após pouco mais de 20 horas de novas aventuras com Geralt (as melhores aventuras com Geralt), eu terminei quase tudo que Blood and Wine tinha a oferecer e eu posso afirmar que já sinto saudades desse universo que está se fechando de vez agora, mas certamente eu me pegarei vez ou outra abrindo novamente o game, para passear pelas ruas de Novigrad, navegar por Skellige a fim de terminar alguns últimas missões secundárias que restaram, mas principalmente para cavalgar e aproveitando o vinho e a vida de Toussaint.
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