Pílulas Azuis - Frederik Peeters | Crítica

Utilizar graphic novels para contar não apenas histórias de heróis e suas aventuras já é algo costumeiro. Porém, utilizar esta mídia para contar uma história pessoal e forte não é algo que se vê todo dia, e é assim que o suíço Frederik Peeters contou sua história ao lado de sua companheira Cati e seu filho (de outro relacionamento), ambos portadores de HIV.

Longe de ser didático ou instrutivo demais -  embora haja momentos em que a mensagem de preconceito, explicações sobre tratamento e convivência estejam espalhadas por toda a história - Pílulas Azuis conta a história de Frederik desde o momento em que conheceu Cati, passando pela revelação de sua doença e todas as consequências que isto traz a um relacionamento.

capa

O autor aborda de maneira bem humorada situações corriqueiras, desde o estouro de um preservativo, o contato, as "neuras" e recaídas que Cati tem, além de mostrar como Frederik aprendeu a ser um padrasto em uma situação nada confortável. No final das contas, Pílulas Azuis consegue de maneira leve porém profunda, mesclar uma bela história de amor, os problemas de um casal com uma doença que é repleta de mitos e preconceitos e como um jovem casal cria e cuida de uma criança.

A obra, publicada originalmente em 2001, ganhou vários prêmios europeus ao longo dos últimos anos e chegou por aqui em uma edição caprichada da editora Nemo. Vale a pena a leitura para conhecer o estilo do autor - famoso por outras sagas de graphic novels - e para saber um pouco mais sobre como uma doença tão perigosa pode ser menos dolorosa do que achamos.

Confira a sinopse e algumas páginas de Pílulas Azuis, da editora Nemo:

Nesta narrativa gráfica pessoal e de rara pureza, por meio de um roteiro simples e de temas universais (o amor, a morte), Frederik Peeters conta sobre seu encontro e sua história com Cati, envolvendo o vírus ignóbil que entra em cena e muda tudo, e todas as emoções contraditórias que ele tem de aprender a gerenciar: amor, raiva, compaixão. Pílulas azuis nos permite acompanhar, sem nenhum vestígio de sentimentalismo, através de um prisma raramente (senão nunca) abordado, o cotidiano de uma relação cingida pelo HIV, sem deixar de lançar algumas verdades duras e surpreendentes sobre o assunto. Apesar da seriedade do tema, Pílulas azuisé uma obra cheia de leveza e humor. Não é à toa que é considerada por muitos a obra-prima de Frederik Peeters. Uma das mais belas histórias de amor já publicadas.

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