Crítica | Narcos 1x10 - Despegue


“Somos bandidos”



Eu sempre considerei que uma boa Season Finale sempre traz uma combinação de tudo aquilo de importante que a série usou no curso de sua temporada. Narcos não fugiu a regra, e em “Despegue”, somos recebidos (logo nos primeiros minutos) com um combo daquilo que a série nos mostrou. Avanço rápido, pressão governamental, burocracias e, é claro, repercussões ligadas a Pablo Escobar.


O episódio nos leva logo para a mais que esperada captura de Murphy – afinal, não dá para tantos problemas aos Narcos sem esperar que algo vá acontecer – logo em seguida e nos faz pensar um pouco, já que não é todo dia que o episódio fala do episódio. Se a meia tautologia acima não fez sentido para você, pense que, quando Murphy é sequestrado, o óbvio aparente é que Escobar foi o responsável, mas acabamos por descobrir que o Cartel Cali era responsável e esse trecho da narração faz todo sentido:




“But then again, in Colombia, nothing goes down the way you think it will”



Me surpreendi por Escobar pensar primeiro em negociar com Gaviria antes de partir para um confronto direto – e bem mais brutal – com o exército, que por sinal, foi uma sequência de invasão espetacular (com todo o “Q” de Padilha) e retomando a noção já vista antes da vida humana como algo de baixo “valor” (facilmente dispensável). Também vale mencionar que estava na cara que Eduardo ia acabar se dando mal quando Gaviria o enviou para “formalizar” a transferência de Escobar. Pablo jamais aceitaria isso, principalmente considerando os riscos envolvidos, e enviar alguém que pode ser usado como moeda para negociação decididamente não é a coisa inteligente a se fazer. Me pergunto se toda a pressão interna danificou o cérebro do presidente... E Pablo, sendo que ele é, aproveitou muito bem – e, devo dizer, com muita superioridade – a oportunidade que Gaviria lhe entregou numa bandeja.


A temporada também não poderia partir sem referências/críticas a política americana. E depois de Nixon e Regan, não poderíamos partir sem uma menção sobre a cruzada de Bush contra o tráfico.


Acima de tudo, o episódio, assim como toda a temporada, cumpriu o seu papel como mais uma das produções de altíssima qualidade do Netflix. Agora teremos que esperar pela segunda temporada, que promete ser ainda mais brutal – e é claro, mais fod@ – do que tudo o que já vimos até agora. Encerrarei por aqui, porque acredito que todas as coisas – exceto o agradecimento que são as próximas palavras – a serem ditas sobre a temporada já foram ditas. Foi uma viagem rápida (e mesmo assim excelente) por um capítulo da história da América que não pode ser esquecido. Foi um prazer enorme comentar essa primeira temporada com vocês, e espero reencontrar todos vocês na próxima temporada. Até lá!

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