Crítica | Narcos 1x06 - Explosivos


“Dale Plomo.”



Narcos é decididamente uma das produções mais intensas do Netflix até agora. Os primeiros cinco episódios apresentam várias evidências disso, mas nenhum deles – talvez (e olhe lá) só o piloto – expressa com tanta clareza o potencial da série como o sexto episódio – intitulado “Explosivos” – fez.


O episódio já começa nos mostrando a que veio. Num outro exemplo de cenas rápidas e intensas – clássico Padilha – já temos a comprovação de que realmente é guerra, e de que os dois lados não irão medir esforços para vencer. Não esperava menos brutalidade de Poison, embora isso não signifique que a cena tenha menos efeito por causa disso. E, não satisfeito com já ter começado com uma cena impactante, vamos a um extremo oposto com o momento “pai e filho” de Escobar e Juan.


Confesso que foi preciso um segundo ou dois para me lembrar qual a razão para ser Murphy e não Peña a treinar o disfarce com Elisa. Não posso dizer que eu não ache que tenha ficado melhor assim, porque ficou. Murphy, apesar de ser teoricamente o protagonista, não teve tanto espaço de cena significativo no episódio anterior, e Elisa acabou rendendo uma sequência espetacular – num episódio cheio delas – para Murphy, que foi ainda melhor por ser uma trollagem com o Major (insuportável) Wysession.


Murphy na verdade estava com tudo neste episódio. Confrontar Suaréz daquele jeito, colocar uma arma na boca dele para deixar bem claro que manda na situação foi algo que não esperava que o agente que não teve estômago para ver Carrillo interrogar um suspeito. Mesmo assim, por ser uma cena bem “Padilha”, só restou aplaudir enquanto ele invadiu a reunião e fez o Major – de novo – e o Agente da CIA ficarem com caras de idiotas na frente da Embaixadora.


A moralidade de Carrillo continua a me surpreender. Não só por ser um homem incorruptível ou pela preocupação com a esposa/família que vimos no episódio anterior. Agora, apesar da guerra que ele ajudou a declarar, ele parece ter consciência até mesmo das vidas que o confronto está lhe custando. Também porque, quando chegou a hora, ele deixou que fosse a vontade e consciência de Peña a decidir o destino dos Gacha, numa cena que é outro exemplo daquilo que até a narração admitiu: a guerra contra os Narcos chegou a um novo nível.


E já que o assunto é caráter (e que o texto está chegando ao fim), o cinismo de Escobar se juntou a galeria larga de surpresas que o episódio nos trouxe. A conversa dele com Gustavo já tinha deixado claro que o futuro de Jaime não seria bom, mas tratá-lo com toda aquela consideração só para depois o usar como homem-bomba foi pra lá de cruel. A atuação de Wagner Moura atingiu novos níveis de superioridade, e essa é uma das únicas razões para que seja leve admiração e divagações vagas que tomas as próximas linhas, e não os xingamentos devidos. O episódio – e a série – faz muito uso de dualidades como essa para tornar a kátharsis que se segue aos acontecimentos muito mais intensa. Você sente realmente que Jaime se sente honrado por prestar serviços a Escobar, e você sente pela família dele, que é apresentada por nenhum propósito além desse. E mesmo estando óbvio que ele vai morrer e como ele vai morrer, quando a cena realmente acontece, todos os sentimentos cuidadosamente amarrados até aqui transbordam, criando uma sensação nova, um indefinido singular que simplesmente silencia todas as outras coisas.


Bom, é isso. Não vou me estender mais porque mesmo depois de ver o episódio três vezes e reescrever/revisar o texto cinco vezes, não consigo achar o que dizer. A morte de Jaime se juntou a crescente coleção de cenas cruéis que a série nos trouxe, sendo talvez a de maior maldade até aqui, mais ainda quando o “baseado em fatos reais” acrescenta ainda mais peso a esse final. O Cartel realmente explodiu o voo HK 1803 da Avianca, vitimando 107 pessoas, todas elas com suas próprias histórias, famílias e sonhos... decididamente algo para se refletir.


Por hora, não deixem não deixem de comentar o que estão achando da série e das reviews, e é claro, o que acharam dessa morte mais que cruel. Hasta la vista, baby!

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