Crítica | Narcos 1x05 - There Will Be a Future


A la guerra, pues.



“There Will Be a Future”, cumpriu seu papel como “meio” da temporada. As ações de Escobar até agora lhe custaram sua casa, e isso é algo que ele não estava disposto a aceitar. Ao mesmo tempo, Murphy, Peña têm que lidar com Elisa e o que ela representa, tudo isso enquanto Carrillo se mostra disposto a pagar o preço de sangue por ser incorruptível.


O episódio nos trouxe alguns momentos Históricos muito importantes, o principal deles sendo o assassinato de Luis Carlos Galán. O atentado que vitimou o candidato a presidência foi uma dos muitos fósforos que ascenderam a fogueira que foi a disputa de poder que teve lugar na Colômbia, durante a campanha presidencial de 1989 (e depois). O discurso e a campanha de Gaviria – que acaba por ser eleito para um governo que continua a ter que enfrentar Pablo Escobar – também foram impressionantes.


Mas, enquanto tudo isso acontece, Peña está prá lá de entretido com Elisa, o que só torna as razões dele mais questionáveis, e é claro, menos apropriadas para a situação. Afinal, mesmo sendo uma testemunha importante, não dá para esquecer a afiliação dela com o M-19 e as implicações que isso tinha durante a administração de Regan. Entretanto, a ironia que ele mesmo aponta não deixa de ser deliciosamente cruel:




“Sleep with a Communist? That would be downright un-American.”



E já que falei nela, a cena entre Connie e Elisa também me surpreendeu. Não pelos ideais de Elisa, que estão bem claros desde o início... Connie sim me surpreendeu. Em nenhum momento, mesmo quando ela interfere, passa pela cabeça de quem assiste que a motivação não dita dela, pela qual ela fez e faz todos os sacrifícios e suporta todas as perdas que vimos possa ser descrita de maneira tão intensa, numa réplica tão rápida e simples. Ela realmente ama Murphy, realmente acredita no que ele faz e no que ele acredita. E embora seja uma verdade óbvia, o não dito é um terreno de especulação, enquanto aquilo que pertence ao domínio proferido jamais pode ser desfeito. Da mesma forma que Carrillo precisava ouvir que era Escobar quem tentava o subornar, nós precisamos ouvir de Connie que ela realmente acredita naquilo que está fazendo, para que o lugar dela deixe de ser o indefinido da mulher que fez o que tinha que fazer e assuma o seu lugar como a mulher que acredita naquilo que decidiu fazer, mesmo que isso signifique acompanhar o marido para uma zona de guerra.


E ainda falando de personagens femininas, a esposa de Pablo foi outra que me surpreendeu. A cena prévia dele, aquele plano aberto, a vista do oceano, o contraste com a impossibilidade de ir para casa, na verdade, de ter uma casa, o silêncio dele enquanto outros discutem e, em partes, se amotinam já eram suficientes para entendermos o que iria acontecer. Padilha é um especialista em criar cenas espetaculares de confronto – seja ele físico ou filosófico/moral – e não falhou aqui. Mas quando ela fala, quando ela expressa que não se importa que ele tenha que lutar, desde que isso signifique que eles possam voltar para casa, para onde eles são alguém – where everybody knows their names (sim, eu não pude resistir. Hahaha) – é o momento em que ele decide que voltará.


Na verdade, essa reação mais agressiva de Pablo quando o assunto é a família não se restringiu só a isso, e nos rendeu outra cena muito boa. Afinal, não sei se para mim, mas o momento com a dinamite foi realmente assustador. Não só pela atuação impecável de Wagner Moura, mas porque, embora o conceito do blefe – mais ainda desse tipo de blefe – seja um belo dum clichê, eu fiquei genuinamente convencido de que Pablo não se importaria de explodir o irmão e a si mesmo ao menor sinal de traição.


Ainda vale a pena mencionar o momento buddy cops de Peña e Murphy no carro, que foi interessante. Como eu mencionei noutro texto, mesmo não sendo um procedural, e mesmo com as infinitas diferenças entre esses dois, eles embarcaram numa cruzada juntos e isso, querendo ou não, tem consequências, e reflete diretamente nas maneiras disponíveis para retratá-los.


Bom, por hora é isso. O tabuleiro está sendo preparada para um confronto de proporções colossais, e cada lado começa a recruta seus soldados. É claro que, enquanto Garrillo procura e treina homens “incorruptíveis” – algo que decididamente dá muito trabalho – tudo o que Escobar requer é um pouco de obediência, e pouca curiosidade da parte dos candidatos. Mas teremos que nos reunir novamente, para discutir “Explosivos” – o próximo episódio – para saber aonde a trama nos levará.


Então, não deixem de comentar o que estão achando da série e das reviews, e fiquem ligados para os próximos textos. Hasta la vista, baby!

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