Crítica | Narcos 1x04 - The Palace In Flames


“He will make Colombia bleed”



“The Palace In Flames” é, provavelmente, depois do piloto, um dos episódios mais “balanceados” de Narcos. As críticas às prioridades políticas (e a política como um todo), o retrato da corrupção, tudo isso levado a um novo nível, já que agora, com a extradição na mesa e a formação do “Los Extraditables”, vamos adentrar nas partes mais sangrentas da história, e isso é algo que Padilha sabe fazer muito bem.


Vou começar com algo que chama a atenção logo nos primeiros minutos. Luis Carlos Galán, o candidato a presidência que se encontra com a embaixadora americana, realmente me impressionou. Historicamente falando, ele acaba sendo assassinado – a mando do Cartel – na campanha presidencial de 1989. Mesmo assim, a maneira com que a série retratou a visão dele sobre fazer aquilo que era certo para a Colômbia – num exemplo daquilo que Lara mencionou no episódio passado – foi bem impressionante.


As referências não param de surpreender. Não só as óbvias e diretas, relacionadas a história do Cartel e tudo o mais. Os mais aficionados pela história da Cosa Nostra, ou pelo menos pelas produções que retratam a mesma, não ficaram impressionados ao ver o carro do juiz ser explodido, ou ao ver a quote que está logo abaixo. Entretanto, é impossível não parar e pensar que, enquanto os problemas envolvendo Cosa Nostra se passavam no velho continente, Pablo Escobar aplicava sua própria versão no nosso lado do oceano.




“When the pen failed, Pablo was always ready with the sword”.



E já que falei em italianos, Gustavo acaba sempre sendo uma fonte inesgotável de referências aos clássicos do cinema nesta temática. Primeiro Al Capone e depois toda essa insistência em cuidar da família e dos negócios.


Talvez uma das coisas que mais tenha me agradado no episódio – e decididamente uma das razões para que ele tenha se igualado ao piloto na minha avaliação – é a retomada do momento político vivenciado naquela época. Não só as eleições colombianas, mas a campanha de Regan contra os comunistas e os efeitos que ela eventualmente pode ter causado nos departamentos do governo investidos em outros tipos de caçada trazem um nível maior de verossimilhança a narrativa, algo que Padilha tem feito de maneira louvável, e que não pode faltar numa produção desse tipo.


Outra cena fantástica foi a saída de Pablo da Hacienda Nápoles. E se você pensa que a perda foi pequena, considere que além do heliporto, das garças, hipopótamos e camelos já mostrados/mencionados, o lugar – situado a 180 quilômetros de Medellín - tinha um conjunto de 27 lagos (projetados próprio Escobar), seis piscinas e três zoológicos particulares (abertos ao público e com entrada franca), elefantes, girafas, cangurus e um monte de pássaros que custaram cerca de 400 mil dólares. Ah, isso para não mencionar o posto de gasolina próprio, cem mil árvores frutíferas, uma pista de pouso de 900m e 1700 trabalhadores, tudo isso espalhado por uma área que é 22 vezes maior do que o parque do Ibirapuera.


O episódio nos trouxe também uma boa dose de destruição. Primeiro, a destruição dos laboratórios, especialmente da Tranquilandia. Tivemos também o ataque do M-19 ao Palácio da Justiça, um dos mais violentos episódios associados ao Cartel, que só foi realmente esclarecido por uma Comissão da Verdade em 2005. Por sinal, falando nesta sequência, tivemos outra combinação excelente narração-cena durante a queima dos arquivos.




“In the United States, the Mafia makes witness disappear, so they can’t testify on Court. In Colombia, Pablo Escobar made the whole Court disappear.”



E é claro, para terminar, não posso dizer que foi uma surpresa que Pablo tenha matado o resto do M-19 depois do serviço feito. Não havia sinceridade alguma naquela conversinha de continuar a lutar para libertar o país, e duvido muito que ele, com todos os ideias que vimos até aqui, fosse se desfazer da espada de Simón Bolivar.


Por hoje é só. O episódio teve um ritmo muito bom, similar ao do primeiro, conseguindo condensar todas as coisas sem perdas na qualidade ou qualquer outro problema. A retomada do uso das cenas reais em maior quantidade, acertando novamente no tom da narração (que fica muito mais apropriada assim), resultou num dos melhores episódios até aqui.


Então, não deixem de comentar o que estão achando da série e das reviews, e fiquem ligados para os próximos textos. Hasta la vista, baby!

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