Crítica | Narcos 1x03 - The Men of Always


“No quiero ser bueno. Yo voy a ser grandioso.”



“The Men of Always”, terceiro episódio de Narcos, decididamente foi o que me surpreendeu mais até aqui. O episódio trouxe a carreira política de Escobar, a morte de Rodrigo Lara Bonilla, quotes excelentes, a corrupção dentro do governo colombiano e muito, muito mais.


Como não tenho muito do que reclamar sobre o episódio, vou abrir com uma das poucas coisas que me desagradou. Embora eu concorde que todos, literalmente todos os detalhes são importantes para a série – algo que a mugshot de Escobar provou – acho que poderíamos ter passado muito bem sem aquela brincadeira de mau gosto de Suarez com o gato.


O avanço rápido da série não é um defeito, na verdade, chega a ser outra vantagem da série, considerando que a tolerância de muitos seriadores – este que vos escreve incluso – a histórias que enrolam demais é mínima, e geralmente temos que gastá-la com outras produções. Mas, a morte de Rodrigo Lara Bonilla foi um tanto apressada demais. Se a História não me falha, ele não foi só responsável pela denúncia e expulsão de Escobar do Congresso (algo que ele fez antes de ser Ministro da Justiça), mas também foi responsável pelo fechamento de um dos laboratórios de Escobar que processava 20 toneladas de cocaína por dia.


Dito isso, vamos às partes boas. Gostei muito da retomada da referência ao Realismo mágico. Mais ainda, porque nesta mesma sequência, a narração exerceu seu melhor papel até aqui. O contraste das diferentes cenas de Pablo, somadas a analogia com a história de Ícaro produziu uma cena indiscutivelmente maravilhosa. A história de Pablo Escobar é um dos melhores exemplos do Realismo mágico colombiano, um elemento que a série tem feito bom uso, resultando nessa produção de enorme qualidade de vemos, principalmente porque combina isso ao tom documentarista, apresentado em cenas rápidas, advindas da direção e roteiro brilhantes.


Os interrogatórios continuam a ser um acerto indiscutível da série. Primeiro o saco plástico, agora tapas na cara de um suspeito por causa de um gato. A série pode até não ter usado a dinâmica procedural – thank God! – mas temos um excelente uso dos elementos clássicos da dinâmica policial, sem contar com a parceria entre Peña e Murphy, que pode não ser diretamente good cop/bad cop, mas flerta com a ideia.


Talvez uma das melhores quotes da série tenha aparecido neste episódio. Não só porque é um resumo da realidade vivida por Escobar e seus “associados”, mas porque é a melhor descrição daquela época do mundo:




“A drug dealer running for president. It was crazy, right? Well, not in Colombia. Not in the mid-80’s.”



Eu confesso que estava esperando uma cena apropriada para fazer um comentário que tenho guardado desde que comecei a ver a série. A tortura, as mortes sem maiores restrições, a crueldade com os animais... Certo, são todos indícios de que se trata de um Cartel. Mas, acho que a vida como um todo não tinha sido tão retratada como um mero produto – algo que os números de mortes relacionados a Pablo Escobar confirmam – tão abertamente quanto na cena do carro, quando Poison atropelou um passante meramente para confirmar o seu total de 65 mortes para os parceiros.


A cena em que Pablo e Carlos fumam e riem me deixou curioso. A espontaneidade da cena é fantástica, mas mesmo admitindo o talento indiscutível de Wagner Moura como ator, não consigo dizer se ela foi realmente planejada dessa forma ou se foi um acidente mais que felicito. De qualquer forma, foi uma cena espetacular.


Por enquanto, é isso. O ritmo do episódio foi muito melhor do que o anterior, mas ainda não alcançou exatamente a mesma qualidade do piloto. Agora que o sonho político de Pablo foi afetado, veremos mais do lado realmente brutal do personagem, o que nos garantirá toda uma nova gama de cenas rápidas e brutais, e sabendo do que Padilha é capaz, isso é uma garantia de qualidade.


Então, não deixem de comentar o que estão achando da série e das reviews, e fiquem ligados para os próximos textos. Hasta la vista, baby!

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