Primeiras Impressões | Lucifer


Lucifer Morningstar nunca esteve melhor.



Sim! Mesmo a série só começando oficialmente em 2016, nós não perderíamos a oportunidade de analisar – e é claro, comentar com vocês – o piloto “vazado” da mais nova adaptação de uma HQ a chegar a TV: Lucifer.


Vou começar pelo óbvio. Afinal, quem acompanha minhas reviews sabe da desventura que foi Constantine e da verdadeira cruzada que foi aturar a primeira temporada de Gotham (Ben McKenzie, espero que você tenha falado a verdade naquela entrevista e que a qualidade comece a melhorar rápida e exponencialmente nessa nova temporada. Minha capacidade de conceder segundas chances é menor que a minha paciência para erros grotescos). Então, quando a notícia de que mais uma das obras DC/Vertigo chegaria a TV, um certo receio se formou. Mas mesmo sendo um fã de quadrinhos, e mesmo sendo um seriador inveterado (ou talvez justamente por causa disso...), sou tão suscetível (ou mais) a certas hypes como a maioria. O problema é que, a última dessas hypes na TV desceu profunda e rapidamente pelo ralo da NBC.


Entretanto, como eu não perco a oportunidade de ser provado errado nesses textos (hahaha), estou de novo fazendo parte da hype, e dessa vez, espero realmente não me decepcionar. Já que, aquilo que a NBC conseguiu estragar parece ser o que a FOX – talvez com a necessidade um ou dois ajustes (chegaremos a eles já já) – pretende transformar num sucesso.


Antes de partir para as partes que podem render a minha crucificação - Yes, I know... wrong immortal. And yes, pun intended. – nos comentários, acho que é preciso esclarecer uns pequenos detalhes. Como a maioria, eu conheci o personagem em suas célebres aparições em Sandman #04, Preludes and Nocturnes (como um dos membros do Triunvirato que comandava o Inferno da DC naquela época) e em Sandman #22, Season of Mists (quando ele abdica de seu Trono e entrega a Chave do Inferno ao Senhor do Sonhar). Mas do próprio Lucifer, eu só li com atenção a minissérie (The Sandman Presents: Lucifer – The Morningstar Option). Pouquíssimo tempo atrás eu comecei a me aventurar pela série principal do antigo Senhor do Inferno. Então, embora eu ache que a “adaptação” vá ser uma combinação de procedural – classic FOX... – com a visão que o piloto trouxe dos personagens, sim, com uma dose ou duas de referências (Amenadiel é uma referência direta ao Morningstar Option), acho justo dizer que, se eu cometer algum exagero/erro ao referenciar o texto original, foi um erro honesto.


Passada essa parte, vamos aos fatos. A FOX conseguiu capturar a essência do Anjo Caído. Não a essência do Diabo que mora no imaginário dos não-fãs de quadrinhos. Mas também não é inteiramente a essência do Lúcifer com um tom melancólico-filosófico, que reinou no Inferno por 10,000,000,000 anos. Esse é o Lúcifer que se cansa de suas obrigações, expulsa todos os demônios e condenados, fecha as portas do inferno e inaugura Lux, a sua própria boate de Jazz & Blues.


Talvez a maior questão, e uma das minhas maiores fontes de hesitação para escrever este texto e decidir se, depois do piloto, eu acompanharia a série, é que eu não achava que o humor britânico que o trailer tinha nos apresentado combinaria – a longo prazo – com o personagem. Afinal, os leitores mais assíduos da DC/Vertigo conhecem Lúcifer como o segundo personagem mais poderoso que existe (perdendo apenas para o seu Pai e Criador, Yahweh). Mas a junção desse humor tão britânico com o tom de con man que esperávamos ter visto em Constantine e com o fato de que ele não se esforça nem um pouco para disfarçar sua identidade renderam excelentes 40 minutos. Os diálogos divertidíssimos, o uso da ideia de que é absurdo demais para ser verdade, o poder de revelar os “desejos sórdidos” e as divertidas repetições de “I’m Immortal” também não passam despercebidas.


É impossível não falar do cast, mais ainda quando – embora eu não tenha gostado das asas... Dominion de mais pro meu gosto (e sim, para ser lido como um xingamento) – eu me deparo com D.B. Woodside (Wayne Palmer em pessoa!), que dá vida ao Anjo Amenadiel, a fonte de parte dos problemas do Primeiro dos Caídos. E falando nele, Tom Ellis me surpreendeu. O protagonista de “Rush” está bastante à vontade no papel do Primeiro dos Caídos e o seu sotaque inglês – combinado a outros atributos que eu particularmente não posso avaliar, embora concorde com o que as minhas amigas Isabele e Jôyna já disseram – conquista boa parte dos espectadores. O humor caricato que ele imprimiu não personagem foi outra grata surpresa do piloto.


Quanto à produção, Tom Kapinos – sim, aquele de “Californication” – cuida do roteiro e é um dos produtores executivos. O time de produtores ainda conta com ninguém menos que Jerry Bruckheimer (Piratas do Caribe), Jonathan Littman (CSI) também KristAnne Reed (Hostages). O piloto foi dirigido pelo roteirista da franquia Underworld e Sleepy Hollow, Len Wiseman (a.k.a., o marido de Kate Beckinsale).


Bom, para um Primeiras Impressões, acho que já me alonguei demais. Lucifer tem sim potencial para agradar, na verdade, potencial para ser realmente excelente. Mas teremos que esperar até 2016 para assistir os 13 episódios que comporão a primeira temporada. O piloto me convenceu, e embora esteja dividindo opiniões e causando discórdia entre os fãs do personagens, correrei o risco novamente, e depositarei minha confiança na série. O Lúcifer que abdicou de suas funções no Inferno por não querer mais ser parte dos “jogos” do Pai, o Lúcifer que “ferra” com o Senhor do Sonhar, o Lúcifer que é movido por um conflito interno, tudo isso combinado a uma fotografia que não desagradou e a uma trilha sonora FANTÁSTICA – terminar o episódio com Sinister Kid do Black Keys? #Aplausos –, isso sem contar com altas referências (inclusive a Star Wars) é uma receita que, se bem tratada, pode render um enorme sucesso.


Por hora, é isso. Lucifer é o mais novo acréscimo da minha grade. Talvez seja um erro, mas os leitores assíduos sabem o quanto eu gosto de ser provado errado. E vocês, o que acharam do piloto? Vão ou não acompanhar a série? Enfim, não deixem de comentar e compartilhar. Até a próxima!

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