Crítica | Narcos 1x02 - The Sword of Simon Bolivar


“Muerte a los Secuestradores”



Mais um dia chegou, e com ele, mais uma review sobre Narcos! Depois de um primeiro episódio pra lá de espetacular, nos reunimos mais uma vez, agora para analisar o segundo episódio, “The Sword of Simon Bolivar”.


Para começar, tenho que reforçar o meu elogio prévio as referências que a série usa. Claro que, sendo uma produção baseada em fatos reais, parece ser o mínimo, mas a série trouxe o M-19, a espada de Simón Bolivar e até mesmo um Pedro Escobar que usa Al Capone como referência quando reflete sobre o que fazer com os lucros.


E já que estamos neste departamento, a maneira como a série apresentou o M-19 foi outro dos exemplos de críticas bem diretas que a série traz. Não é minha intenção discutir as fundamentações filosófico-ideológicas de ninguém, então não vou apresentar a quote específica sobre Karl Marx.


Entretanto, a construção que se segue é excelente. Falarei daqui a pouco sobre Pedro Pascal e sobre as cenas de sexo que antecedem essa parte, mas já que estamos no assunto, a oficialização do Cartel Medellín feita da maneira que foi é outro exemplo daquilo que foi a linha de abertura de Wagner Moura como Pablo Escobar. Ele realmente é um homem de negócios, e transformou a oportunidade que o M-19 lhe ofereceu ao sequestrar Marta Nieves Ochoa na consolidação de seu poder. É claro que, se a História não me falha, o “pacto de não-agressão” que entre Escobar e o M-19 na verdade tenha sido firmado em uma reunião realizada no Panamá entre Jaime Bateman e Pablo Escobar, mas é um detalhe que podemos deixar passar.


Ainda nos pontos positivos, o episódio nos apresentou de forma definitiva Javier Peña, o personagem de Pedro Pascal na série. O envolvimento dele com a prostituta e as várias cenas de sexo dessa parte – e do episódio como um todo – criam um contraste interessante. No episódio passado, as mortes foram brutais e abundantes, e as cenas de sexo acabaram preenchendo esta lacuna. Não me entendam mal! Decididamente não é uma reclamação.


Não vou comentar o que acabou acontecendo com a prostituta porque – pelo menos pra mim – ficou bem claro que, quanto ela escolheu Gacha (o mesmo Gacha que matou o cachorro sem nenhuma razão), ela ia terminar morta, ou perto disso. Mais ainda quando ela começou a fazer perguntas (rookie mistake...).


Mas não posso deixar de comemorar o fato de que nos foi dada a oportunidade de rever a boa e velha interrogação de criminosos com o saco plástico, à la Tropa de Elite. Foi um dos maiores acertos do episódio, não só por ser uma referência ótima, mas porque eu particularmente fiquei esperando o Pedro Pascal dizer “Cadê o Baiano?!”.


Só que, como nem tudo é perfeito, eu tenho duas pequenas reclamações sobre o episódio. A primeira delas é sobre parte da narração. É importante ressaltar que é “parte” e não a narração como um todo. Eu acho fantástico o uso que foi dado a este elemento que traz perspectiva e apresenta certas críticas e explicações que realmente completam a história e traz um retrato mais verossímil do que realmente aconteceu... tudo isso que eu já disse no texto anterior. Mas foi muito difícil ignorar o tom mais descuidado de filler que foi dado a narração nos dez primeiros minutos desse episódio. É sim um elemento muito bom da série, mas se torna um tanto enjoativo se passar a ser a solução para todas as transições.


A segunda, e talvez mais pessoal das reclamações vai para a morte dos animais. Não é – digo isso para me poupar de uma discussão que tive trocentas vezes enquanto compunha o texto – uma questão de frescurites, nem estou levantando nenhuma bandeira sobre direitos de animais ou coisas do gênero. E sim, eu concordo que mostrar o cachorro morto ajuda a construir o horizonte de expectativa que temos para Gacha, mas não acho que Murphy já tenha causado problemas suficientes para que tenha sido necessário “mandar uma mensagem” com o gato enforcado.


Como um todo, foi um episódio muito bom, embora não tenha se igualado ou superado o primeiro. Mesmo assim, superou sem esforço muito do que temos na TV hoje em dia. Por hora, não deixem de comentar o que estão achando da série e das reviews, e fiquem ligados para os próximos textos. Hasta la vista, baby!

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