Saiba como foi a coletiva e a palestra do autor de Rurouni Kenshin no Brasil

Na noite da ultima sexta-feira, dia 17, foi realizado em Centro Cultural São Paulo a palestra do mangáka Nobuhiro Watsuki, criador de Rurouni Kenshin (conhecido também como Samurai X) além de outros como Busou Renkin e Embalming - Another Tale of Frankenstein, e sua esposa, a roteirista e novelista, Kaoru Kurosaki de Captain Tsubasa e Wild Arms the 5th Vanguard. Porém, antes de a palestra ser realizada, foi feita uma coletiva de imprensa entre alguns veículos convidados, entre eles O Vertice.


A coletiva começou com Watsuki comentando as obras que ele está acompanhando atualmente. O autor disse que atualmente esta acompanhando o mangá Hyouge Mono, que se passa no período Sengoku e tem como personagem principal um artista. Já entre os animes, o mangáka disse estar acompanhando atualmente o anime Steins;Gate. Watsuki afirmou que estas duas obras poderão ter influencia na criação de seus próximos trabalhos.


Quando perguntado se ele tinha alguma pretensão sobre o grande espaço que o mangá Rurouni Kenshin teria no ocidente devido sua história, o autor afirmou que quando criou Rurouni Kenshin ele não esperava ter um reconhecimento fora do Japão e que se sentiu surpreso com a grande repercussão do mangá. Ele disse também que inicialmente suas duas primeiras obras (Rurouni Kenshin e Busou Renkin) foram criadas inicialmente pensando nos leitores japoneses e, com o sucesso destas dentro do Japão, naturalmente acabou ocorrendo deles também fazerem sucesso mundialmente. O autor também disse que o importante durante o processo de criação é ele gostar daquela obra e compartilhar com os leitores japoneses a diversão e o entretenimento do mangá, e que acaba consequentemente chegando ao restante do mundo de forma natural.




[caption id="attachment_70708" align="aligncenter" width="750"]cats As capas do primeiro volume de Rurouni Kenshin, Busou Renkin e Embalming -Another Tale of Frankenstein[/caption]

Durante a coletiva (e também na palestra no Centro Cultural) foi perguntado se Watsuki já estava trabalhando em uma nova obra. Segundo o autor, ele esta atualmente colocando as ideias no papel, mas seu novo mangá pode começar a ser publicado na próxima primavera ou verão japonês.


Perguntado sobre como funciona a vida de um mangáka, Watsuki disse que a grande importância da profissão é satisfazer seus leitores e em seus 20 anos na área ele fala que são os leitores que dão a força para ele continuar. Ele disse que quem deseja se tornar um mangáka, não deve apenas saber desenhar o que deseja, mas deve também ouvir os seus leitores. Segundo ele, um mangáka deve também manter uma vida saudável e afirmou que desde que se iniciou na área ele acabou ganhando um pouco de peso, mas que agora ele já administra idas a uma academia após chegar ao limite e que agora toma cuidado com a própria alimentação.


Sobre as bandas que ganharam fama ao terem suas músicas como tema no anime Rurouni Kenshin, Watsuki disse que as bandas terem ganhado sucesso fora do Japão é um fato, mas o anime acabou servindo apenas como uma forma para contribuir para este acontecimento e isso o deixa muito feliz. Ele disse que não tinha conhecimento destas bandas, mas devido o anime ser produzido pelo estúdio Sony, (lembrando que o braço de animação da Sony Japan atualmente se chama Aniplex) ela tinha a estratégia de lançar bandas pouco conhecidas através das musicas tema do anime.


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Em relação às impressões que o autor tinha sobre o Brasil, ele disse que a primeira impressão que tinha sobre nosso país era como se o tempo estivesse parado na Era Showa, ou, como se o Brasil estivesse atrasado alguns anos em relação ao Japão (que atualmente se encontra na Era Heisei). O autor disse que sua esposa, Kaoru (que morou aqui no Brasil quando criança), lhe contava sobre suas idas ao zoológico e via diversos animais esquisitos, como iguanas, entre outras coisas. Foi relatado pela novelista, que em sua recente visita ao Rio de Janeiro, eles foram ao jardim botânico, quando ouviram um grande barulho e se depararam um "lagartão" andando naturalmente. Segundo Kaoru, eles não veriam este tipo de animal solto no Japão.


Tive a oportunidade de perguntar ao autor sobre a possibilidade um mangáka de fora da Ásia ganhar a publicação de uma série em uma revista japonesa. Watsuki disse que o formato do mangá é de criação típica do Japão, mas ele crê que no caso do Brasil, devido a grande comunidade japonesa, esse tipo de formato esta mais irrigado aqui, do que em outros países do ocidente. Mas como este formato está se espalhando mundialmente, é certeza haverá pessoas de fora do Japão que podem ter suas obras publicadas por lá em um futuro próximo.


O autor também disse que existem duas formas para um mangáka de fora Japão acabar tendo suas obras publicadas por lá. A primeira seria ir ao Japão, continuar seus estudos lá e ganhar reconhecimento. Já a segunda forma, seria se tornar famoso dentro de seu país de origem e assim ganhar uma chance de ir ao Japão e ter sua obra publicada. Ele disse também que atualmente existem muitas pessoas que almejam ser mangáka e existe uma competição muito grande, portanto a segunda forma seria a forma mais viável. Segundo Watsuki, no mercado brasileiro é difícil a criação de mangás. Mas se houver aquele que tem o dom para ser tornar mangáka como o “Tezuka do Brasil”, os japoneses não irão ficar quietos e irão convidá-lo de alguma forma para mostrar seus trabalhos no Japão. O autor disse que irá ficar na expectativa para que surja este mangáka aqui no Brasil.




[caption id="attachment_70709" align="alignright" width="193"]minitokyo162706 Arte de Takeshi Obata em homenagem a Star Wars.[/caption]

Sobre o período em que Watsuki trabalhou como assistente de Takeshi Obata (Death Note, Bakuman), o autor disse sua primeira impressão foi como poderia existir alguém tão fera como Obata era no desenho, ele disse que sinceramente nunca iria conseguir imitar os traços, ou desenhar da forma como ele desenha e desde então ele decidiu mudar o foco de seu desenho, trazendo mais detalhes e mais diversão. Já em relação aos mangákas Hiroyuki Takei (Shaman King) e Eiichiro Oda (One Piece), que foram assistentes de Watsuki, o autor disse que não se lembra de ter ensinado nada especifico para eles, mas ele tentou mostrar para eles o quão divertido era ser um mangáka. Watsuki também disse que o fato de Eiichiro Oda ter conseguido um sucesso tão grande o deixa muito feliz, isso é importante, pois é gratificante ver aqueles que vêm depois e que chegam ao sucesso. O autor admitiu não ter conseguido superar Akira Toriyama (Dragon Ball), principalmente devido a um período em que a população de jovem estava diminuindo no Japão, mas ele se sente feliz por One Piece ter feito o mundo dos mangás ganhar uma nova dinâmica.


Perguntado se o Brasil trouxe alguma inspiração para o autor, Watsuki disse que tudo e todos são alegres, que somos receptivos e positivamente sem regras. Ele disse também que essa alegria é contagiante e que isso poderá ser refletido em algum novo personagem.



A Palestra


[caption id="attachment_70712" align="aligncenter" width="750"]Nobuhiro Watsuki 018 O publico compareceu em peso para acompanhar a palestra na Fest Comix. Créditos: Nikko Fotografia.[/caption]

Como parte das comemorações dos 120 anos do tratado de amizade entre Brasil e Japão, foi realizado no Centro Cultural São Paulo, no dia 17, e na Fest Comix, dia 18, uma palestra com autor Nobuhiro Watsuki e sua esposa Kaoru Kurosaki, aonde foi mostrado um pouco sobre a vida e o trabalho do mangáka.


Na palestra, Watsuki mostrou imagens de seu estúdio de desenho, das salas de reuniões, de sua coleção de action figures e até de seu gato.


O conteúdo principal foi as explicações do autor quanto ao modo como ele trabalha. O autor mostrou como prepara o roteiro da história de suas obras, mostrou names (manuscrito) e modelos com e sem a arte finalizada. Foi realizado também um bate papo entre o autor e a professora Sonia Luyten. Nesta parte da palestra o autor revelou que a ideia de mostrar a historia de Rurouni Kenshin em um período histórico, era para retratar as mudanças das eras e de costumes, Watsuki também revelou um pouco sobre sua saga em sebos para encontrar material de pesquisa para Rurouni Kenshin e disse que durante o processo de criação do mangá, ele queria mostrar os fatos históricos mesclando realizada e ficção.


A vinda do mangáka Nubuhiro Watsuki e de sua esposa Kaoru Kurosaki, ocorreu graças à parceira entre a Fundação Japão em São Paulo, a editora JBC, Comix Book Shop e a ABRADEMI.


Veja mais fotos do evento abaixo:




[caption id="attachment_70711" align="alignright" width="750"]Nobuhiro Watsuki 006 O publico também esteve em peso para acompanhar a palestra no Centro Cultural São Paulo. Créditos: Nikko Fotografia[/caption]

[caption id="attachment_70710" align="alignright" width="750"]Nobuhiro Watsuki 001 Watsuki mostrando um pouco de sua coleção de action figures. Crédito: Nikko Fotografia[/caption]

[caption id="attachment_70713" align="alignright" width="750"]Nobuhiro Watsuki 019 O autor teve uma sessão de autógrafos na Fest Comix que foi organizada pela editora JBC. Créditos: Nikko Fotografia.[/caption]

[caption id="attachment_70714" align="alignright" width="750"]Nobuhiro Watsuki 022 A novelista Kaoru Kurosaki também participou da sessão de autógrafos na Fest Comix. Créditos: Nikko Fotografia.[/caption]
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