Hannibal | Queremos mais temporadas, mas a série também já pode acabar

Não dá para não ficar triste com o anuncio de que a NBC cancelou Hannibal, o anunciou que veio no último mês, apesar de triste não era de forma alguma surpreendente, o canal vinha deixando Hannibal sob constante dúvida de renovação desde que a primeira temporada estreou, a audiência não é grandes coisas e o horário e a temporada em que a série é exibida não são propícias para angariar mais espectadores, além disso as grandes premiações da TV estranhamente ignoram essa que é uma das mais bem feitas e bem produzidas séries da TV não só atual, mas de todos os tempos.


A surpresa, porém fica por conta de nenhum canal ter se interessado em salvar Hannibal até o momento, já que quando a série estava ameaçada de cancelamento na primeira e na segunda temporada, parecia bem seguro que qualquer outra canal gostaria de ter a série, graças ao seu barato custo de produção que se dá graças ao co-financiamento internacional usado para produzi-la.


Por mais que Bryan Fuller, showrunner da série, ainda tenha esperanças, eu particularmente já perdi as minhas, até mesmo Constantine que era uma série bem mais comercial e com um marketing bem mais simples de ser feito foi cancelada para sempre quando a NBC largou. Se a própria Netflix e a Amazon negaram a série, quem mais a salvaria? Hulu? HBO e AMC parecem fora de cogitação, mas quem sabe a Starz, onde Fuller já vai começar a trabalhar com Deuses Americanos? Ou a Syfy que também está em uma constante cruzada para adquirir boas séries e mudar a cara do canal.


Mas, como eu falei, minhas esperanças nem existem mais e ainda eu estou de bem com a ideia de Hannibal terminar, tão de bem que eu talvez nem comece a assistir os próximos episódios da terceira e provável última temporada. Porque? Porque o episódio 7 desse terceiro ano foi simplesmente uma obra prima sem igual na TV e que concluiu a história entre Will Graham e Hannibal Lecter de maneira dificilmente vista em séries hoje em dia, com calma, coragem e mudando o status quo da série numa pancada só, talvez a única série que continue fazendo isso com qualidade desde que começou seja Homeland, que é uma das poucas coisas na TV que estão num patamar centímetros acima do que Hannibal.


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O episódio chamado Digestivo, cujo próprio título já indicava o que estava por vir, marca o fim do primeiro arco entre Will e Hannibal e também se prepara para iniciar o arco do livro/filme Dragão Vermelho, que sinceramente, talvez nós nem devamos começar a assistir, não porque ele não será primoroso, eu sei que vai ser, mas porque ele provavelmente não será finalizado com a mesma graça que esse primeiro arco foi.


Que tal se todos nós imaginarmos apenas que a partir do sétimo episódio, o Hannibal de Mads Mikkelsen segue a doutrina de cuidar do próprio corpo criada pelo Obi-Wan de Ewan McGregor, e se torna em poucos anos no Hannibal de Anthony Hopkins? Pronto, dessa forma a história está contada, do inicio ao fim através dos filmes.


Eu sei que dificilmente, por melhor que Silencio dos Inocentes seja, algo vai suprir a qualidade que a série trouxe para a TV, o texto da série é constantemente tão inteligente que eu mesmo não faço ideia do que os personagens estão dizendo algumas vezes, e o próprio Bryan Fuller admitiu que ele pesquisa muito para escrever o texto e que as vezes nem ele entende totalmente os conceitos dos personagens.


A atuação de Mads Mikkelsen como o personagem título também será inesquecível, ele parece realmente representar uma espécie de demônio em forma humana, tão sedutor, tão indecifrável e tão hermético, lidando com temas que a maioria das pessoas sequer começam a entender. A metáfora de consumir outra pessoa que é usada na série e vai muito além do canibalismo por si só e a forma como Mikkelsen gerencia essa metáfora, assim como a forma que Fuller resolveu mostrar a forma sobre como ele consome os outros, após melhorá-los e refiná-los, é parte de algo tão forte e quase fantástico, que toda a violência mostrada na tela chega a ser bonita em diversos momentos, quando "violência" e "beleza" deveriam ser contrastes. “Ética se torna estética”, e quando nós distorcemos ao máximo a palavra “ética” para caber as ações do nosso canibal favorito, talvez ele esteja falando sobre a própria natureza de sua própria violência. E essa natureza é e será para sempre memorável.


Obviamente eu estou mentindo em dizer que eu talvez não assista os últimos episódios sobre o Dragão Vermelho, embora eu tenha mesmo considerado isso, sei que na próxima quinta eu não vou resistir a tentação e vou devorar a série com meus olhos mais uma vez, mas esse post ao menos fica como um desabafo que eu, como fã de Hannibal, estou satisfeito com o que Bryan Fuller fez da 1° temporada até o 7° episódio da 3° temporada, que conclui uma longa e grotescamente linda história e estou pronto para deixar Hannibal ir quando a hora chegar... obviamente se a esperança de Bryan Fuller não for vã e ele realmente conseguir outro canal ou outra forma de continuar a série, eu voltaria com força total para assistir e consumir mais e mais episódios.


Então #savehannibal, mas também #lethannibalgo


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