Crítica | True Detective 2x06 - Church In Ruins

Semana passada, ao encerrar o texto do quinto episódio desta temporada de True Detective, afirmei que, como um verdadeiro fã da série, era preciso reconhecer os erros que a temporada estava cometendo. O pessoal que comentou o texto, concordou comigo. Apesar de ainda manter a minha opinião de sete dias atrás, em relação ao que a temporada apresentou até então, eu inicio o texto desta semana com o mesmo argumento que utilizei no parágrafo final da crítica anterior, só com uma diferença capital: como um verdadeiro fã da série, é preciso agora reconhecer os acertos dela.


"Church In Ruins" foi o melhor episódio desta segunda temporada até aqui, e digo isso sem hesitar. Diferente do episódio quatro, no qual uma sequência de ação no final quebrou a inquebrável dinâmica que a série vinha impondo até então, este aqui faz melhor, e além de uma sequência de ação muito boa, trouxe ao show, mesmo que tarde demais, uma dinâmica renovada, e ao meu ver mais interessante.


Ray Velcoro é o centro de meus elogios. O personagem de Colin Farrell entrou em colapso neste episódio. Tomado pela raiva, após descobrir a verdade sobre o estuprador de sua ex-mulher, ele confronta Frank Semyon. O confronto em si, não foi tão tenso quanto eu esperava, pois o mafioso esteve no controle da situação durante o tempo todo. Ele conseguiu convencer Velcoro de que ele teve culpa nenhuma com a informação errada que lhe foi passada. Com isso, o ex-detetive, ainda mais desesperado, volta a beber e se drogar de maneira intensa, o que lhe faz tomar decisões importantes, como aquela na conversa com a ex-mulher no telefone. E o que mais achei interessante naquele momento: ele estava bêbado e chapado, ele arruinou a vida de todos ao seu redor, ele é o culpado por tudo o que aconteceu, foi ele quem tomou a decisão de ir atrás do estuprador no passado, e mesmo assim, a decisão de esconder a dura verdade de seu filho, em troca de nunca mais vê-lo, foi uma atitude muito nobre por parte do cara. E quem diria, uma pessoa arruinada pela bebida e pelas drogas, e acima de tudo, por si mesma, toma a que talvez seja a melhor decisão de sua vida, neste exato estado, na mesma condição deplorável que o derrubou.



Desta vez até irei elogiar um pouquinho o personagem que menos gosto, Frank Semyon. Tá, a atuação do Vince Vaughn ainda está fraquíssima - repararam naquela cena com o filho do Stan, na qual ele chega a olhar para a câmera? -, mas pela primeira vez, dá para dizer que o personagem não se saturou durante o tempo de tela. O próprio diálogo com o garoto se revelou diferente, até com um pouco mais de significado do que aqueles monólogos do personagem nos episódios anteriores.


A sequência de ação, na metade final do episódio, foi um deleite. Apesar de a situação criada pelo roteiro ter sido um pouco "conveniente demais", o resultado final ficou bom. Muitos poderiam argumentar que esperavam mais da Bezzerides infiltrada, e talvez até estejam certos, porém não muda o fato de que o episódio teve tensão e emoção em boas medidas. A direção impecável de Miguel Sapochnik (que já brilhou neste ano com "Hardhome" de Game of Thrones), aliada à trilha sonora no estilo de filmes do James Bond (que depois deu lugar a um bom "garage rock" californiano) e às atuações competentes ou não-comprometedoras dos atores, culminaram naquela que até agora foi a melhor coisa que True Detective fez este ano.



Para encerrar a curta crítica deste episódio, volto a citar o texto da semana passada, no qual afirmei: "Ainda acredito que os três episódios finais possam ser excelentes, uma pena que eles infelizmente não conseguirão apagar o desempenho frustrante desta temporada." O primeiro destes episódios já foi, e ele foi bom sim. Contudo, continuo mantendo a opinião. Não teremos Miguel Sapochnik nos dois episódios finais, mas mesmo se True Detective tiver dois Hardhomes para elevar o status da temporada, não vejo maneira de apagarem os pecados dessa temporada. Ao menos agora, deu pra perceber que, além destes pecados comprometedores, a temporada também possui virtudes, ainda que não tão memoráveis. Enfim, que essas virtudes deem mais as caras nesta reta final de temporada!

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