Crítica | True Detective 2x05 - Other Lives

66 dias se passaram após a chacina do final do episódio passado. Dois meses, aproximadamente. É um tempo considerável, não? Numa tentativa aparentemente sensata do roteiro em pular o tempo, e livrar o telespectador de ter de presenciar o marasmo - e mais confusão - do pós-tiroteio, as aparências enganaram feio, e neste quinto episódio, que soa mais como um piloto em metade de temporada, o marasmo e a confusão continuam firmes ao orbitar a trama da série.


A dinâmica do autor Nic Pizzolatto nesta temporada, é nos apresentar uma complexa trama investigativa, que mexe com as vidas de personagens intensos, danificados, muito afetados pela venenosa realidade em que vivem e que, acima de tudo, falam o que pensam. Velcoro, Bezzerides, Woodrugh e Semyon compartilham essas características. Apesar de algumas diferenças primordiais, os quatro repetem a fórmula que funcionou com Rust Cohle na primeira temporada (e não, não é uma comparação), mas não conseguem vingar.


Como já afirmei diversas vezes, vejo Ray Velcoro como o personagem mais interessante desta nova história. Dois meses após o tiroteio, vimos que o agora ex-detetive aceitou a proposta de Frank para trabalhar pra ele. Com a vida pessoal cada vez mais abalada, o personagem recebe uma segunda chance, tanto para resolver o complicado caso do assassinato de Casper, quanto para se reaproximar de seu filho, e tudo numa jogada só, graças a proposta da determinada Promotora. Além disso, descobre uma terrível verdade, que pode o colocar contra Frank, o seu "personal-Corleone".




Bezzerides, por sua vez, ainda sofre com a acusação de má conduta sexual, enquanto abraça as mesmas oportunidades que Velcoro recebeu: de solucionar o sujo e embolado caso de assassinato que é a base da temporada, e de reatar com sua família, mais especificamente com sua irmã, que decide mudar os rumos de sua vida.


Woodrugh, o mais perturbado dos quatro protagonistas, se envolve numa forte discussão com sua mãe, uma prostituta que usou o dinheiro que ele guardou, enquanto volta a se envolver com Velcoro e Bezzerides no caso Casper, ao mesmo tempo em que ainda precisa se organizar para a chegada de seu filho. Taylor Kitsch, que até o momento convence pouquíssimos com sua atuação, recebe uma cena intensa - na discussão de Paul com sua mãe - para trabalhar em cima. E diferente de Vince Vaughn, que falha terrivelmente em todos os aspectos, chegando a beirar ao desastre em sua atuação, Taylor ao menos se esforça para tentar ser bom. E é assim que o vejo, como um ator fraco, que força demais tentando emocionar. Aproveitando a menção ao Vince, o seu personagem, Frank, se revela a cada episódio menos interessante. Seus monólogos, que deveriam ser profundos, não passam do raso. Seu personagem, que supostamente seria o criminoso em redenção, traça o caminho contrário, e além de atrair quase nenhuma simpatia, ocupa um tempo de tela muito mais alto do que realmente merece. Kelly Reilly, que interpreta Jordan, a esposa de Frank, sequer ajuda. Pelo contrário, chega até a atrapalhar.




Após ter iniciado a temporada de forma otimista (até confiava no Vince Vaughn), vejo a True Detective que figurava entre a "elite" da TV se consolidar apenas como uma série boa, uma série de investigação "ok" e de ótimo visual. Com um roteiro que tenta soar inteligente em quase todos os diálogos, mas que não chega perto de conseguir isso (e isso é fácil de inferir, e não necessariamente comparando com a temporada antecessor, mas como com qualquer outra série com diálogos inteligentes, como Mad Men, só para citar um exemplo). O quinto episódio de True Detective pode ser facilmente confundido com um episódio piloto, ou de início de temporada, pois focou apenas na introdução de uma trama renovada para seus personagens, após o choque que eles sofreram no evento do episódio anterior. E considero agora, como um ponto muito tarde tarde para tentar implantar uma renovação dentro da própria história. Honestamente? Como fã, posso dizer que estou sim interessado no que está acontecendo. Só que, como um verdadeiro fã, um "True" fã, é preciso reconhecer os notáveis defeitos da temporada. Ainda acredito que os três episódios finais possam ser excelentes, uma pena que eles infelizmente não conseguirão apagar o desempenho frustrante desta temporada.

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