Crítica | True Detective 2×03 – Maybe Tomorrow

Três episódios da segunda temporada de True Detective já se passaram, e seu saldo é mediano. Numa temporada com as opiniões de público e crítica divididas (o que gera muitas discussões internet afora), estas partes já aceitaram, mesmo que relutantemente, no caso de alguns, o fato de que a série agora possui um tom mais investigativo, ao mesmo tempo em que o novo estilo começa a fisgar a atenção de seus adeptos. Porém, não aconteceu nada de mais até agora na temporada.


Novamente escrito por Pizollatto e dirigido pelo dinamarquês Janus Perdersen, “Maybe Tomorrow” foi um episódio com ritmo calmo, no qual a história sofreu alguns avanços. Comparado à pretensão dos episódios antecedentes, o roteiro deste economizou nas frases de efeito, e focou no desenrolar da trama. O raivoso sobrevivente Ray Velcoro, após um sonho no estilo Twin Peaks, volta ao mundo real tendo de lidar com ainda mais problemas, o que o faz desafiar Frank Semyon, que por sua vez, investiga por conta própria o assassinato de seu “associado” Ben Casper. A vida emocional de Paul Woodrugh volta a atormentá-lo, enquanto encontra novas pistas sobre a morte de Casper.


Como já disse anteriormente, a interação de Velcoro e Ani tem se revelado o grande trunfo da temporada. Mesmo com ambos sendo pressionados por seus superiores a ferrar um com o outro, sua relação tem focado na investigação do assassinato de Casper. E neste episódio, chegaram a se aproximar da resolução do caso, ao quase capturar o bandido que ateou fogo no carro roubado que a dupla estava procurando, numa das cenas mais empolgantes da temporada, que contrastou com o ritmo calmo do restante do episódio.



Frank, assim como Ray, exibiu sua faceta raivosa, após ter perdido boa parte de seu dinheiro, um de seus capangas, e o pior: seu respeito. Para recuperar isso tudo, o personagem de Vince Vaughn, com sangue nos olhos, se reúne na boate do cara dos dentes dourados, que (parênteses para mencionar seu esbarrão no Paul, agindo como um “True Detective”, naquele mesmo local) o desafia, e questiona sua falta de firmeza. Algumas provocações, um desgosto mútuo, diante de uma situação complicada, levaram a uma das cenas ridículas do episódio, quando Frank enfrenta o dono da boate, e arranca seus dentes.


Numa das cenas mais peculiares da série, Ray e Ani visitam um estúdio de gravação, e ao interrogar o diretor, um cara de cabelos longos, bêbado e que não possui controle sobre seus subordinados, supostamente traz à tona justamente um dos problemas de bastidores da própria série: o desprezo mútuo entre o showrunner, Nic Pizzolatto, e o diretor da primeira temporada, Cary Fukunaga. Existem boatos da existência de uma rixa entre os dois, que, supostamente, existe devido à personalidade adversa dos dois, e o desejo que ambos possuem em estar no comando. Os atritos entre os dois se intensificaram na pós-produção da primeira temporada, e se agravou ainda mais, após Fukunaga não ter agradecido Pizzolatto no seu discurso de vitóra no Emmy. E o diretor interrogado por Velcoro e Bezzerides neste episódio, além de ser parecido com Fukunaga, representaria, supostamente, a visão que Pizzolatto possui de seu ex-colega de trabalho. Ou talvez seja uma grande coincidência, que apenas fortaleceu os rumores da rixa entre eles, uma vez que ambos já afirmaram publicamente que não existe atrito nenhum.


No mais, esta crítica será curtinha mesmo. Após três episódios, volto a mencionar, há uma grande divisão de opiniões do público em relação a esta temporada. Mas independente de estarem gostando ou não, todos compartilham um grande desejo, que o quarto episódio surpreenda e traga um novo fôlego para esta temporada.

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