Bernard Cornwell - Waterloo | Crítica

Que Bernard Cornwell é referência em literatura de ficção, todo mundo já sabe. Mas quem diria que o mundialmente famoso autor de clássicos como As Crônicas Saxônicas e As Crônicas de Arthur seria capaz de utilizar seu cunho de pesquisador histórico a ponto de criar uma excelente obra de não ficção? O resultado deste estudo é o recém-lançado Waterloo, que narra a famosa batalha que parou o exército francês comandado por ninguém menos que Napoleão Bonaparte, no não tão longínquo século XIX.

As demais obras do autor, que já conta com mais de 40 livros publicados, sempre mesclam eventos reais com personagens e tramas fictícias, facilitando o entendimento do leitor e tornando a história de confrontos e guerras modernas mais romântica e épica. Em Waterloo, Cornwell foi pelo outro lado. Após uma extensiva pesquisa através de cartas, livros e outros documentos da época, o autor descreve, sem inventar personagens ou subtramas, como foi o famoso confronto de quatro dias que mudou a história moderna para sempre.

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O livro conta com pouco mais de 300 páginas é dividido em 12 partes, além de epílogo e consequências. Cada capítulo conta com trechos que misturam as análises de Cornwell com pedaços de livros, textos, cartas e outros, deixando cada pedaço desta batalha histórica recheada de nuances que a tornam muito real e vívida. Quem leu livros como Band of Brothers sabe que as partes bem escritas são capazes de nos transferir para as batalhas. Em Waterloo, Cornwell parece ter sido uma testemunha ocular, tamanha é a qualidade dos detalhes e emoção que cada parágrafo nos proporciona.

Se livros de história fossem escritos com tamanha paixão e intensidade, jamais acharíamos essa matéria "chata e inútil" nas escolas. Se Cornwell queria testar se seu público gostaria de uma história mais "real", pode ficar tranquilo. Waterloo já entra no rol de grandes obras deste grande autor e é imperdível para quem gosta de entender melhor como a história moderna foi cunhada.

Confira a sinopse de Waterloo, lançamento da editora Record:

A história de quatro dias, três exércitos e três batalhas. O confronto que deteve Napoleão

Em seu primeiro trabalho de não ficção, Bernard Cornwell combina suas habilidades narrativas com uma pesquisa histórica meticulosamente construída para apresentar a descrição de cada momento dramático da batalha de Waterloo, desde a fuga de Napoleão de Elba até o resultado da matança nos campos de batalha. Por meio de trechos de cartas e diários do imperador Napoleão, do duque de Wellington e de soldados e oficiais comuns, Cornwell dá vida à sensação de como foi travar as famosas batalhas. Sua riqueza de detalhes e relatos pormenorizados dos confrontos esclarecem as idas e vindas desses quatro dias. É uma história de decisões-chave e momentos de incrível bravura de ambos os lados, que mantiveram indeterminado o resultado final até o derradeiro embate.

Publicado para coincidir com o bicentenário do confronto, Waterloo é uma história tensa e emocionante de heroísmo e tragédia, e da batalha final que determinou o destino da Europa.
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