Crítica | Wayward Pines 1x04 - One of Our Senior Realtors Has Chosen to Retire


“There is one way out [death?]”



Sim! Finalmente venci as obrigações – mentira, só terminei algumas para poder ignorar outras... hahaha – e finalmente tirei um tempo para colocar os episódios e as reviews de Wayward Pines em dia. “One of Our Senior Realtors Has Chosen to Retire” – ufa, que título! – nos traz a continuação dos problemas deixados pelo final do episódio anterior, sem é claro nos encher de mais uma dúzia de perguntas para somar a pilha das “não respondidas” que já temos. Então, deixando os entretantos de lado, vamos a review.


Vou começar situando vocês no meu ponto de vista geral. Porque confesso que eu estou mais perdido do que Ethan com a rapidez com que pessoas e coisas simplesmente “aparecem” nessa cidade. Primeiro um “carteiro” para entregar o uniforme da escola – que até agora não fazíamos ideia de que existia – para Ben. Depois, simplesmente o xerife Pope resolve se “aposentar” (não foi a pior das desculpas... oh wait...) e a cidade tem um prefeito e um repórter para noticiar a “promoção” de Ethan a xerife... as coisas realmente não fazem sentido em Wayward Pines, e talvez seja por isso que não dá para parar de assistir.


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O confronto entre Ethan e Pam ainda promete muito, mas não é o que eu realmente quero questionar. Eu até entendo que “insanidade” é a premissa básica da cidade, e levo em consideração que não conheço tanto da lei americana, mas “prisão civil” me pareceu um tanto perturbador.


Também não sei se foi só comigo, mas toda a espontaneidade dessa tal Srª. Fisher foi quase tão bizarra quanto o cinismo insano da velha enfermeira Pam. Ela é “alegre” demais para o meu gosto, sem contar com o fato de que, ninguém realmente repara que esse monte de crianças não estava lá nos dois episódios anteriores?


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Todo o tom de “falsa calma” durante aquela avaliação psicológica que a Srª. Fisher fez com Ben me trouxe a mente algumas cenas que não precisam ser mencionadas. Essa recorrência no uso da psicologia e de figuras associadas a ela me leva teorizar se Wayward Pines seria um tipo de experimento comportamental ou algo do gênero, uma tentativa de criar um tipo de sociedade perfeita por meio de reprogramação mental. Toda a ideia de achar e usar a desconfiança de Ben sobre o pai – sem contar o fato que ela era uma hiponoterapista na “vida anterior” – é um dos exemplos de porque psicólogos e sua pseudociência são banidos de minha casa.


A dinâmica entre Kate e Theresa é algo que eu espero que a série explore mais. Todo o ressentimento entre as duas, combinado a situação em que elas se encontram pode gerar um subplot realmente muito bom.


Ben está começando a parecer o perfeito exemplo de “lugar errado, hora errada”. Quando ele começou a falar sobre a cerca, aquele alerta que todo fã de suspense tem quando algo de muito ruim está para acontecer na tela disparou. E mesmo que só tenha sido o aparecimento de Theresa, acho que ele ainda vai se meter em problemas mais sérios.20062015


Uma coisa que não pode passar despercebida é a... vamos dizer, “liberdade (não)criativa” de M. Night Shyamalan. Afinal, eu poderia esperar por “See you in another life” ou “But if we can't live together, we're going to die alone.” de Lost, e até mesmo “I swear by my pretty floral bonnet, I will end you” de Firefly, mas juro por deus que esperava de tudo, menos “Great power requires great responsibility”. Cuidado com essas liberdades textuais Sr. Shyamalan, ou Stan Lee vai mandar buscar a frase e o valor correspondente ao uso dela.


Em compensação, no departamento literário, não foi de todo um erro usar Robert Frost. “Mending Wall” é mais um dos excelentes poemas do autor, e embora o trecho usado seja o mais apropriado para a situação (cito já), o poema em si serve para reflexões bem maiores, caso alguém queira conferir:




“Before I built a wall I'd ask to know; What I was walling in or walling out”



Embora eu seja partidário da teoria “Villains rule”, recentemente adotada por alguns amigos meus, não achei que chegaria o dia em que eu teria que concordar com o Dr. Arnim Zola – é tão pronto que seria um crime perder esse trocadilho – ou seria Dr. Jenkins (?). Afinal, ele disse algo a Ethan que é uma verdade, desagradável, mas não menos verdadeira por causa disso:




“Perhaps the best things in this world require the biggest sacrifice”



301820O mais interessante é que esse sacrifício realmente é requerido de Ethan. Quando lhe é apontada uma saída, ele precisa tomar um caminho moral que ele havia se negado a trilhar por todo o episódio, e quando a escolha finalmente é posta, ele não a toma, talvez num ato que o defina como quem vai salvar – ou destruir – Wayward Pines.


Por hora, é isso. Honestamente quero muito saber que(m) diabos é aquilo que espreita Ethan no penhasco, mas não me atreveria a fazer um texto duplo de dois episódios tão bons (sim, eu já assisti o “The Truth”, mas qual seria a graça se eu agisse como quem já sabe? Vocês não leriam...). Então, prometo voltar logo – amanhã ou depois – com outra review de Wayward Pines. Entretanto, hoje, só resta dizer “That’s all Folks!”.

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