Crítica | True Detective 2×01 – The Western Book of The Dead [Season Premiere]

Um dos maiores sucessos de 2014, a série True Detective, cuja primeira temporada foi aclamada pela crítica, retornou para seu segundo ano. O episódio de estreia, “The Western Book of the Dead”, escrito pelo showrunner, Nic Pizzolatto, e dirigido por Justin Lin, famoso por seu trabalho em Velozes e Furiosos, trouxe ao ansioso público uma nova história, com novos personagens e novo elenco.


Agora protagonizada por quatro personagens, a série aparece repaginada, inclusive com nova abertura, uma dinâmica diferente e um clima mais policial impregnado na trama. Ray Velcoro, interpretado por Colin Farrell, é um experiente e perturbado detetive que trabalha na ficcional cidade de Vinci, no Estado da California, e possui problemas fortes, seja com bebida, com sua família, sua reputação e, principalmente, por causa de seu envolvimento com Frank Semyon (Vince Vaughn), um poderoso criminoso californiano que está tentando legitimar seus negócios. No outro lado da história, a premiada atriz Rachel McAdams interpreta Ani Bezzerides, uma detetive que enfrenta problemas familiares ainda mais complicados que os de Ray, enquanto Taylor Kitsch vive Paul Woodrugh, um veterano de guerra que trabalha como patrulheiro rodoviário.


Com a introdução da nova história, fica claro o amor de Pizzolatto por personagens danificados e moralmente ambíguos. Todos eles possuem uma perspectiva pessimista de suas vidas, bem no estilo Rust Cohle. Paul, por exemplo, parece viver em constante guerra contra si mesmo e está sempre com um semblante depressivo. Já Frank, mesmo levando uma vida de abastança, não consegue dormir direito, devido aos grandes problemas que enfrenta vivendo fora das margens da lei.


A fotografia de True Detective reaparece ainda mais sombria, com tons que ajudam a ambientar um clima de realismo cru à série, contrastando com o clima ensolarado e alegre da California. As tomadas aéreas, uma dádiva para a TV do século XXI, orquestradas por Justin Lin, soaram um pouco exageradas, porém auxiliaram o telespectador a se ambientar melhor (e também, não deixam de ser belíssimas).


E aí vem a inevitável e polêmica comparação com a 1ª temporada (tentarei citá-la o mínimo possível neste ano). A princípio, essa nova True Detective não chega perto da série que acompanhamos ano passado, quando tudo, até mesmo detalhes pequenos, funcionou, desde a química dos atores, passando pelos diálogos muito bem trabalhados, até o clima de mistério, presente nas paisagens da Louisiana, interagindo com a história.


Neste episódio, exclusivamente introdutório, tivemos a oportunidade de conhecer os personagens centrais, seus problemas, suas características, e como eles estão conectados numa só trama de assassinato, porém, tendo como base, diálogos mais rasos e menos interessantes. A princípio, Farrell e McAdams são os atores que roubam a cena, mas apesar de encarnarem personagens interessantes e promissores, não possuem (por enquanto) o mesmo carisma que Harrelson e McConaughey conseguiram consolidar logo no series première. O diretor Justin Lin deu conta do recado, mas não chegou perto de ameaçar o primoroso trabalho de Cary Fukunaga nos oito episódios antecessores. E detalhe, esses três (Harrelson, McConaughey e Fukunaga) deixaram suas posições na série, todos eles, mas continuam trabalhando em True Detective como produtores-executivos.


Entretanto, apesar de todas as mudanças que soaram negativas, a série parece que continua compromissada em apresentar um drama complexo e misterioso. Em minha opinião, “The Western Book of the Dead” foi um confuso episódio introdutório, e tampouco se mostrou intrigante, mas ainda assim, suas personagens e a própria storyline são promissoras, e prometem melhorar com o tempo. O que nos resta é acompanhar o desenrolar da história, para sabermos se True Detective manterá seu status de uma das melhores séries da atualidade. Considerando o grande talento que Pizzolatto possui (que novamente roteirizou sozinho todos os episódios), o clima é de otimismo.

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