Crítica | Star Wars Rebels 2x01/02 - The Siege of Lothal [Season Premiere]

Quando "Spark of Rebellion" foi ao ar em outubro de 2014, a Disney assumiu a grande responsabilidade de fazer de Star Wars Rebels um grande substituto à altura do que foi Clone Wars. Diferenças temporais à parte, ambas as séries tem como pilar talvez os dois marcos mais importantes do universo Star Wars abordado pelos seis episódios cinematográficos: as guerras clônicas e a aliança rebelde. No entanto, enquanto a finda série do Cartoon Network já trazia todo um arsenal de personagens conhecidos e ganchos da história, Rebels ainda não podia ir muito longe no que dizia respeito à Aliança que um dia enfrentaria a temida Estrela da Morte.


Parte disso porque trouxe o protagonismo para personagens novos. Outra parte é porque toda a primeira temporada se viu acorrentada ao processo de desenvolvimento desses personagens antes de levá-los ao epicentro da luta rebelde. Sua antecessora nasceu madura e próspera e os showrunners fizeram dela algo mais sério, enquanto que Rebels nascia com a característica Disney de fazer algo para os adultos e fãs sem deixar a atmosfera infantil de lado. Uma faísca que durou os 14 episódios da season one.


Então, veio o trailer da segunda temporada e o hype levantado com a presença de Darth Vader, Ahsoka Tano e a primeira aparição daquilo que realmente reconhecemos como os rebeldes do Episódio IV na season finale anterior deu um gostinho novo e bom de que finalmente o universo de Rebels iria se expandir. Mas com bastante calma. Primeiro, porque ainda existe uma ponta solta pra amarrar: Lothal. Segundo, o one-hour event "The Siege Of Lothal" é uma ponte para a segunda temporada, uma bem longa, mas a gente deixa esse detalhe pra depois. Antes, vamos aos eventos dos poucos, mas bastante intensos, 42 minutos que colocaram de vez Kanan e sua equipe no mapa da Guerra nas Estrelas.


Parte 1: Meu Planeta, Minha Vida


A faísca finalmente virou uma chama e se depender da animação dos fãs e da excitação de Dave Filoni a respeito da segunda temporada, tem muito combustível pra queimar. A abertura do episódio já lembra de imediato as cenas clássicas dos filmes onde o letreiro que some na imensidão do espaço é acompanhado por uma sequência de cruzadores em combate. Poderia muito bem ser o momento seguinte ao final da primeira temporada, mas logo notamos que se trata de uma nova missão e que as equipes da Ghost dos rebeldes já estão entrosadas. O caminho da Aliança começa a ser traçado.


Como nem tudo é perfeito, há uma certa discordância que divide o grupo: Kanan e Hera divergem sobre seus papéis nos novos eventos. Ela abraça de vez a causa, enquanto ele se mantém resiliente e assume uma postura um tanto quanto egoísta para um Jedi: quer apenas continuar em seus caminho de "roubar dos ricos e dar aos pobres", em tradução livre para uma de suas falas. Um complexo de Robin Hood não muito aceitável para alguém que deveria ser despido de qualquer auto favorecimento.


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Quando Chopper aparece com um pedido de socorro (outra vez uma referência aos filmes, com o android exibindo um holograma), Hera se vê vencida pelos votos de Kanan e Ezra, que decidem ajudar a Ministra de Lothal, Tua, em sua tentativa de desertar do Império, mesmo com a advertência óbvia de uma possível cilada (não, não teve Akbar). O prêmio pelo resgate seria uma lista de agentes blindados dentro do Senado e de outras organizações que poderiam ajudar na Aliança. O apego de Ezra ao planeta natal e o "pé atrás" de Kanan são somados à concordância de Ahsoka sobre aceitar a missão. Dois Jedis e meio contra uma Twi'lek: fácil de saber quem saiu ganhando.


Parte 2: O Retorno de Jedi?


Os eventos que se seguem levam ao inevitável: o confronto com Darth Vader. A presença do Lorde Sith em cena demonstra quanto o Imperador já está preocupado com os rebeldes e todo aquele hype com a presença do mais notório personagem da saga foi finalmente compensado: a respiração mecânica, a voz característica e assombrosa serenidade de quem é o mais poderoso ser de posse de um sabre de luz em toda a galáxia. O abismo entre as forças é tão grande que poderia colocar em cheque a veracidade sobre a vitória de Kanan diante do Inquisidor — se essa fosse uma história contada por alguém em vez de mostrada na final da primeira temporada. Vader domina o cenário e mesmo a sua "não vitória" no confronto se descobre um plano ainda mais estratégico: chegar ao núcleo rebelde.


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Nesse caminho, finalmente, temos o papel de Ahsoka revelado, após uma primeira parte do episódio servindo de mera coadjuvante. Obviamente a personagem não vai assumir aqui a importância que ganhou em Clone Wars, mas seria um desperdício não fazer dela o ponto alto da fuga de Lothal. Num momento da caçada de Vader e sua "one-man fleet" contra os rebeldes, Kanan e a ex-padawan de Skywalker juntam forças (literalmente, na linguagem Star Wars) para tentar revelar a identidade do piloto que, sozinho, conseguia assombrar todo um Esquadrão Phoenix e seus B-Wings. Quando a conexão é feita, Vader descobre que sua aprendiz está viva e o que resta para Ahsoka pode ser uma dúvida sobre o que ela viu ou sentiu, ou então uma negação da verdade assustadora por traz do contato.


A distração ajuda na fuga, com baixas consideráveis do lado rebelde. Quando questionada por Kanan, Ahsoka nega que conhece o Lorde Sith. Talvez ainda não acredite na possibilidade dele ser seu antigo mestre. O fato é que, para o Imperador, a presença da Jedi se torna uma oportunidade para que os Sith alcancem os cavaleiros remanescentes, inclusive Obi-Wan Kenobi, citado com desprezo por Darth Sidious em contato com seu pupilo Vader no desfecho do episódio. Além disso, o Imperador ainda pede a Vader que envie um novo inquisidor para caçar os rebeldes.


O Futuro de Rebels


"The Siege of Lothal" amarrou a trama centrada no sistema durante toda a primeira temporada. Seus protagonistas foram elevados a um novo status dentro do universo Star Wars e a trama finalmente ganha a possibilidade de se expandir galáxia afora. Kanan é finalmente convecido a se juntar aos rebeldes, agora com a ajuda de Ezra que vê na união uma possibilidade de fortalecimento do grupo para, no futuro, ajudar Lothal a se livrar do controle do Império. Como um todo, Filoni e Disney entregaram finalmente aquilo que todo o fã da saga se animou pra ver desde que fora anunciada a produção da serie. Obviamente não teremos uma visão macro da formação da Aliança Rebelde, até porque ainda é cedo na história, mas lançar a equipe da Ghost na expansão do universo Star Wars já tira o desconforto que algumas linhas 'infantilizadas' do roteiro pode deixar, coisa que não tinha em Clone Wars com sua abordagem mais séria. Dá até pra sonhar com uma passagem nessa temporada que possa fazer um link com o Episódio VII, O Despertar da Força, que estréia em dezembro. Os acontecimentos estão separados por toda uma trilogia, mas não custa sonhar.


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Enquanto a gente sonha, o salto da ponte que é "The Siege of Lothal" para a segunda temporada é longo: o próximo episódio só na fall season. Mais três meses esperando até que "The Lost Commanders" dê o start definitivo à season two.

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