Crítica | Penny Dreadful 2x08 - Memento Mori


“I’ve long since given up caring for anyone.”



Sim! Dessa vez não demorou tanto para que eu retornasse para conversarmos sobre mais um episódio de Penny Dreadful. Depois de um episódio focado em Vanessa e Ethan, somos trazidos de volta a Londres para enfrentar reais problemas num dos melhores episódios da temporada. Delongas a parte, vamos a review.


Confesso que a cena inicial de Victor inconsciente me preocupou mais do que o chilique de John Clare. Acho que, sendo a primeira Criatura, ele deveria ter aprendido – já que ele é um exemplo vivo disso – que a vontade do Criador não tem real poder sobre eles. Lily é o que ela é, e o propósito para o qual ela foi criada é a última coisa que importa para ela, mais ainda agora, que o lado “evil” dela está passeando por aí.304832


A versão da “casa de prazer” de Evelyn foi simplesmente bizarra. O depoimento de Leland sobre suas tentativas e interesses no passado, e sobre a luta dele para conservar a própria juventude, foi algo que eu não esperava. Afinal, é um contraste que não se pensa. Evelyn tem a sua juventude como resultado das “alianças” que ela fez, enquanto Leland sofre o peso do tempo. É uma relação que não se espera ver, especialmente considerando as ameaças que esses dois já trocaram.


Talvez seja o fato de que eu realmente tenha me cansado do personagem, ou o fato de que, embora fazendo as perguntas certas ele continue o mais cotado para um final gloriosamente trágico, simplesmente não tenho mais paciência para os inquéritos do Inspetor Rusk. Certo que serve como elemento humanizador, coloca perspectiva na trama... todas essas coisas já ditas por todos, mas ele realmente já esgotou o passe, e acredito que a hora dele já deveria ter chegado (#JustMyOpinion). Evelyn poderia ter feito o favor de ordenar a Malcolm que lidasse com ele ali mesmo, pelo menos ela teria usado a “influência” para algo útil.23062015


O confronto de Victor com o próprio vício foi algo que já tínhamos nos deparado com, na primeira temporada, e que foi muito bem resgatado agora. O jovem Doutor está ficando sem veias para manter seu vício, uma das lástimas da falta de “variedade” da Era Vitoriana. O que realmente me surpreendeu aqui – além da compreensão da situação do jovem Doutor – foi o discurso de Sir Malcolm. Porque se ele tem toda a compreensão daquilo que ele disse, o controle (e a amplitude desse controle) que Evelyn tem sobre ele é algo a ser questionado da melhor maneira possível:




“This thing divorces us from our wits and our dignity. Our purist instincts are undone. We become strangers to ourselves.”



Finalmente a nossa “Liga” conseguiu desvendar parte do mistério, e agora toda uma nova gama de caminhos trilháveis se abre. Sembene já parece ter feito as ligações entre o Lupus Dei e o destino de nossa adorada Vanessa, mas como as coisas não podem realmente correr inteiramente bem para a nossa turma – fiquei com a impressão de que essa última linha foi muito Sessão da Tarde... o que vocês acham? Hahaha – Evelyn lança outro de seus ataques, desta vez para tentar conseguir trazer Vanessa de volta a Londres, atacando Sir Malcolm.


E já que estamos falando do ataque, a produção parece decidida a garantir que Sembene seja o personagem mais misterioso possível. Afinal, Evelyn tinha todo o controle sobre Malcolm e, mesmo assim, Sembene o arrastou e quebrou essa ligação – não me perguntem como, também estou perdido – com um único grito:




“Know who you are!”



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Ah, e como o assunto são as Nightcomers, não podia deixar de compartilhar a minha felicidade por Evelyn finalmente ter colocado Hecate no lugar dela. Não gosto de nenhuma das duas, mas não escolheria a garota irritante e mimada nem em último caso. Angelic, que foi deixada completamente de lado no episódio passado, resolveu sair por aí, investigando a mansão de Dorian Gray, na tentativa de esquecer o fato de que o referido Dorian Gray estava “entretido” em outro lugar e com outra pessoa.penny208


Como um todo, a sequência foi simplesmente espetacular. Sir Malcolm subindo as escadas para confrontar seu inimigo. Dorian retornando a sua mansão e suspeitando do que poderia ter acontecido (e descobrindo). Angelic confrontando a verdadeira natureza de seu amado, e pagando um preço por isso. E, para terminar essa sequência com o máximo da perfeição, Lily finalmente confrontou John Clare, com a verdade que ele não queria ouvir, e com uma crueldade impar de tão perfeita:




“You tell me how: We flatter our men with our pain. We bow before them. We make ourselves dolls for their amusement. We lose our dignity in corsets and high shoes and gossip, and the slavery of marriage.



Não satisfeita com isso, ela ainda nos garante que sabe mais do que aparenta sobre o que ela é, e instala mais medo em nossos corações numa única cena do que John foi capaz até agora.penny_0




““Never again will I kneel, before any man. They shall kneel to me, as you do, monster. My monster. My beautiful corpse. […] Our little God has brought forth not angels, but demons: thee and me.”



Satisfeitos com tudo isso, mas querendo garantir que nos compensaram pelo episódio passado, a produção nos leva novamente ao covil das Nightcomers, onde Evelyn e Malcolm, assim como Lily e John, finalmente se confrontam por aquilo que realmente são. E o espírito dela é capturado em mais uma das frases icônicas que a temporada nos legou:




“Memory, such a potent force in our lives. All of these Memento Mori for one sobering message; remember that you will die.”



2323E se a imagem dela não estava clara até aqui, a maneira com que ela descreve as próprias ações deve servir para colocar as coisas em perspectiva:




“It’s not personal. It’s goods and services.”



É claro que a Rainha da Noite acaba abandonando seu ar de monstro no armário por toda aquela história de “I’ve been too much alone” e tudo o mais, o que me fez honestamente entender – embora não concordar ou repensar a minha posição com relação a não me aliar a ela – os motivos de Hecate para estar descontente. Mas isso não importa! O que importa é a resposta que Sir Malcolm deu a ela (way to go, Sir M!):




“If I could, I would tear that beautiful head from your shoulders and laugh all the while. But if you would let Miss Ives live, I will walk with you until the end of times”



Vou parar por aqui, porque além de ter me prolongado demais, não sei o que dizer sobre este final. Sabia que Malcolm não triunfaria completamente sobre Evelyn, mas não esperava que ela simplesmente o deixasse na sala para ser atormentado pelos fantasmas do natal (não pude evitar... hahaha). Acho que agora resta apenas dizer o quanto espero que o próximo episódio seja espetacular. Então, nos vemos lá!

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