Crítica | Penny Dreadful 2x07 - Little Scorpion


“New adventures...”



Sim! Bem no fim da sua semana, quando você pensa que eu me esqueci, retorno com mais uma review sobre Penny Dreadful. Depois de toda a tensão deixada pelo final do baile, “Little Scorpion” chega até nós com menos explicações do que eu esperava.


Mas antes de partir para a review em si, quero tirar um pedacinho do texto para comemorar a renovação da série. A Showtime nos agraciou com a boa notícia de que Penny Dreadful nos fará companhia por mais um ano. Detalhes de casting, número de episódios, locação... enfim, maiores detalhes sobre essa próxima temporada ainda não foram divulgados, mas o importante é comemorar a nova temporada. Dito isso, vamos à review.200620154


Vou começar com Sembene, que continua a se mostrar uma caixinha de surpresas. A menção de que na cultura dele o Lupus Dei – ou pelo menos a figura do lobisomem – é conhecida, mesmo que com outro título (Uchawi Mabadiliko) foi intrigante, porque embora a figura seja presente em várias mitologias, ligar o passado cultural dele a essa figura pode ser interessante.


Ainda na Mansão, o descrédito de Sir Malcolm nas habilidades e sensibilidade de Vanessa não foi de todo inesperado, mas confesso que me perguntei se a reclamação sobre não confiar nem uns nos outros dele é parte da influência de Evelyn ou se ainda há algo dele realmente presente.


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Acho difícil não sentir a conexão entre Vanessa e Victor. Embora eu torça – como muitos – para que ela e Ethan se envolvam, não descartaria a possibilidade de que ela pudesse se envolver com o bom Doutor. Foi um gesto muito fofo que ela tenha escolhido ele para revelar que o destino de sua fuga era Ballentree Moors.


A maneira com que Vanessa vê a “separação” dela e de Sir Malcolm foi apresentada de maneira interessante. Ela supõe que Evelyn é uma ameaça, uma “rival”, mas só porque ela tirou aquilo que fazia de Sir Malcolm a pessoa em quem ela confiava. Se você retirar tudo o que já sabemos sobre a Nightcomer, até mesmo certo tom de tristeza pelo afastamento, com pequenas doses de autorrepreensão e ciúme podem ser notadas, o que talvez seja uma tentativa (que está funcionando) da produção de amortecer o medo que – pelo menos eu tenho – temos de saber qual o próximo passo na guerra entre essas duas.


Pode parecer um detalhe pequeno, mas a crueldade com que os detalhes são amarrados na série é algo com que não me canso de ficar surpreso, e é claro, de mencionar. Vanessa declara temer bonecas, e uma das artes/armas favoritas de Evelyn são exatamente representações que se enquadram nessa natureza. Compor cada detalhe para assegurar que elas sejam opostas gera uma dualidade tão perfeita que eu não posso deixar de mencionar.303356


Mais um episódio de licantropia de Ethan só continua a me fazer levantar um sem número de questões, afinal, a temporada se aproxima de fim, e temos tantas explicações sobre a natureza e o propósito de Ethan como Lobo quanto tínhamos no começo da temporada.


Isolar Victor e Leland numa trama me surpreendeu. Não só porque embora sendo um estudioso, Leland contrasta suas supertições com a ciência pura de Victor, mas também porque tivemos mais reflexões do nosso jovem Doutor sobre o amor, e o resgate de algo que eu achei que ficaria perdido na primeira temporada: a figura do vampiro.303086


Quando chegamos tão longo no episódio, infelizmente, uma falha da série precisa ser mencionada. Lily ter atraído a atenção de Dorian não é algo anormal, já aconteceu no passado, quando ela ainda era Brona. Mas o que realmente incomoda é que Angelic tenha sido “deixada de lado” só para garantir que a John Clare se enfureça ao ver sua “noiva” escoltada por outro. Não sei do que ele pode reclamar... pelo que pude ver da nova faceta dela, ela não é lá companhia muito agradável.200620152


Confesso que, por ser o sétimo episódio, onde, na temporada passada, tivemos a possessão mais espetacular dos últimos anos, eu esperava mais, pelo menos do final deste episódio. Sim, Vanessa recorreu ao “Forbidden, The Poetry of Death” antes do que eu esperava, e com isso ela perdeu parte de sua alma, afastando-se mais de “deus”. Ela pode testar um poder que realmente parece ser inigualável e viciante, e Ethan não está errado em suas afirmações. Mas eu realmente esperava que o episódio tivesse um final espetacular, que nos trouxesse algo que fizesse esperar até o próximo episódio uma tarefa extremamente difícil. Talvez meu erro tenha sido não considerar que a temporada ainda nos guarda outros três episódios, tendo tempo suficiente para esse tipo de choque.


Bom, é isso. No geral, foi um bom episódio, mantendo aquilo que a temporada tem nos mostrado e inserindo complicações em certas tramas – talvez não nas mais acertadas – e deixando perguntas não-tão-atrativas-assim para serem respondidas. Teremos, é claro, que esperar pelo próximo capítulo da jornada para descobrir quais serão os próximos desafios no caminho da Little Scorpion e de seus aliados. Então, até a próxima!

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