Crítica | Penny Dreadful 2x05 - Above The Vaulted Sky


“We are together for a reason”



Sim! É sem demora que nos reunimos para discutir mais um episódio de Penny Dreadful. “Above The Vaulted Sky” é uma das mais perfeitas combinações daquilo que amamos na série: mistérios, soturnidade, humor, romance, e é claro, uma sequência de sexo “artística” que pode ter deixado Game of Thrones com inveja.


299365Vou começar com algo que me deixou genuinamente curioso. Afinal, ver que, apesar do tom de ameaça que ela usou no episódio passado, Evelyn se “orgulha” de Hecate por abraçar inteiramente aquilo que elas são foi bem interessante. Todo o paralelo traçado por Evelyn torturando a esposa de Sir Malcolm enquanto Hecate completava o totem de Vanessa foi excelente. É claro que Evelyn não tem nenhum sentimento genuíno por Sir Malcolm, e ele é nada mais que um meio para um fim, mas mesmo assim, ela colocou um significado completamente novo e macabro em “eliminar a concorrência”.


A história de Ethan, sobre seus “feitos” nas Guerras Indígenas foi um relato intrigante. Talvez porque a brutalidade que ele relatou seja meramente uma amostra da atrocidade que se abateu sobre aquele povo. E embora não tenha sido a “alegoria” mais apropriada, considerando o resultado final que se abateu sobre os Apache, a série finalmente direcionou os personagens para o próximo movimento, para deixar de serem expectadores e vítimas e partir para o combate.


Dentre as medidas defensivas, a retomada do Escorpião de Vanessa e os totens construídos por Sembene foram os que mais chamaram a minha atenção. O primeiro por retomar o elemento iconográfico principal de Vanessa, e o segundo por servir como mais um pouco de informação para teorizarmos sobre as origens de Sembene.


S02E05_Above_The_Vaulted_Sky_12Embora eu entenda o que Ethan quis dizer ao apontar que Vanessa não havia tirado uma vida e que nós nos fazemos aquilo que somos, o que realmente me chamou a atenção é que, mesmo sabendo que há conexões e razões para que cada um deles estejam juntos, o motivo que juntou o Lupus Dei e o objeto de desejo de Lúcifer é algo que mal posso esperar para descobrir. E, como um extra, quem de nós não se comoveu quando ela disse:




“Whatever you have done, whoever you’ve made yourself, I’m here to accept you.”



Enquanto isso, a Criatura se impacienta com seu Criador, fica claro que a preocupação de299362 Victor é bem menos originada em criar um vinculo genuíno entre Lily e John Clare, e muito mais fruto da “afeição” que ele sente por ela.


Não sei se com ajuda, ou simplesmente porque ele foge ao estereótipo típico de um Inspetor da Scotland Yard – os leitores de Sir Arthur Connan Doyle sabem a que me refiro – o nosso adorado (ou não) Inspetor Rusk finalmente parece ter chegado até Ethan. A série me pegou de surpresa por colocar a possibilidade de que o bom Inspetor acabe por esbarrar em bem mais histórias macabras do que só os contos do nosso Lupus Dei, já que aquela menção a Brona só pode indicar que ele deve acabar batendo na porta de Victor.


squrz84sh054kdveivhpVanessa finalmente conhece Lily Frankenstein, e confesso que fiquei um tanto decepcionado por ela não se lembrar de Brona do encontro das duas na temporada passada. Mas adorei a cara de “suspeitei desde o princípio” que Eva Green fez ao contemplar Victor e Lily. Eis aí mais uma prova de que está pra lá de óbvio os sentimentos de Victor por sua nova criação.


E falando em encontros, nossa adorada Srtª. Ives se reencontrou com John Clare, e como o encontro anterior entre esses dois foi formidável, não esperava menos deste. Claro que, mesmo discordando de Vanessa quando ela diz que “Sad people like poetry” – tenho que defender a Literatura e a Poesia, são a minha área, afinal de contas – fiquei muito satisfeito que a relação entre o nome adotado pela criatura e a poesia de John Clare finalmente tenha sido feita. O poema, intitulado “I am!” – está na integra no “P.S.:” dessa semana – além de apresentar reflexões de uma profundidade fantástica, é de onde o título do episódio foi extraído.


040615A série continua a me surpreender com como mantêm as tramas tão entrelaçadas e tão próximas, ao mesmo tempo separadas meramente por palavras não ditas e centenas de quilômetros filosófico-hipotéticos. A menção do “kind touch of the hand” feita pela Criatura em sua conversa com Vanessa leva-a a pensar naquilo que ela viu mais cedo enquanto observava Lily e Victor, e nos leva – pelo menos eu não pude deixar de fazer a relação – com aquilo que aconteceu com Angelic e Dorian. Ele aceita quem e aquilo que ele é, e embora isso ainda não tenha sido posto em detalhes, foi muito bom que ele tenha estendido essa noção para Angelic. O “I care for who you are, not what you wear.” dele foi uma das melhores declarações que a série nos apresentou.


E já que falamos em desventuras amorosas – e antes de falar desse final tão... “gráfico” – não posso esquecer do pobre Sir Malcolm, que parece estar inteiramente sobre o domínio dos poderes – não numa referência a Magia Negra, e sim a aquilo que Cersei classificou como a melhor/maior arma de uma mulher – de Evelyn.


Embora eu não vá comentar o final em todos os seus detalhes, há três considerações que eu quero fazer:299703


Primeiro, quero reforçar o quanto Evelyn é má. Já disse anteriormente e tenho que repetir, porque fiquei aterrorizado o suficiente para tal, achei a crueldade mais pura que ela tenha levado a esposa de Sir Malcolm ao suicídio, mais ainda, lhe atormentando com aparições dos filhos que ela perdeu. E é claro, essa cena foi macabra.299367


Segundo, eu não poderia deixar de mencionar o quanto gostei que Victor e Lily finalmente tenham se envolvido, fisicamente falando. O nosso jovem doutor é atormentado pela morte e por todas as suas ações por toda a sua vida, e Vanessa não estava errada em dizer que quando ele está junto de Lily, uma paz substitui o sofrimento em seu rosto.1003223_2_3418678_06_800x600


Por fim, embora eu até tenha adorado ver Vanesa e John dançando, e acho sim que eles poderiam, como uma amiga minha diz, “fugir juntos e viver uma vida de poesia até o fim de seus tempos” – quem sabe até em Ballentree Moor, na cada deixada pela Cut-Wife – não consigo não shippar Vanessa e Ethan.


Bom, é isso. Não esqueçam de deixar seus comentários e compartilhar suas teorias. Nos vemos no próximo episódio!


P.S.: Como eu prometi, o poema de John Clare:




“I am—yet what I am none cares or knows;
My friends forsake me like a memory lost:
I am the self-consumer of my woes—
They rise and vanish in oblivious host,
Like shadows in love’s frenzied stifled throes
And yet I am, and live—like vapours tossed


Into the nothingness of scorn and noise,
Into the living sea of waking dreams,
Where there is neither sense of life or joys,
But the vast shipwreck of my life’s esteems;
Even the dearest that I loved the best
Are strange—nay, rather, stranger than the rest.

I long for scenes where man hath never trod
A place where woman never smiled or wept
There to abide with my Creator, God,
And sleep as I in childhood sweetly slept,
Untroubling and untroubled where I lie
The grass below—above the vaulted sky.”
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