Crítica | Penny Dreadful 2x04 - Evil Spirits in Heavenly Places

“Horror in all its Horror”

Depois de uma demora inesperada, finalmente voltamos a nos reunir para conversar sobre Penny Dreadful. Depois de retrospectiva intensa no episódio passado, “Evil Spirits in Heavenly Places” chega para dar continuidade aos plots, e é claro, nos surpreender.


Vou começar comentando a citação que dá nome ao episódio, aquela mesmo, dita por Ethan e completada por Vanessa logo no início do episódio é um trecho da Carta de Paulo aos Efésios, mais especificamente do capítulo 6, versículo 12. Apesar do tom religioso combinar com Ethan e Vanessa, achei muito legal que, depois da menção a Poesia da Morte, versos como esse são impressionantes.




“For thee are not fighting against flesh-and-blood enemies... but against mighty powers in this dark realm […] And against evil spirits in heavenly places.”



Não satisfeitos com isso, a série ainda nos apresentou outra ideia muito poético-filosófica interessante, já que, a noção de que as amostras do Verbis Diablo na verdade constituíssem um tipo de “autobiografia” do Diabo. Minha única queixa – mínima, e nem chega a ser um defeito – é que, apesar de ter nos mostrado toda a história dela com a Cut-Wife, Vanessa ainda parece hesitar em aceitar quem ela é, o poder que ela tem e o papel que ela pode vir a desempenhar. Isso fica claro quando ela se revolta com a “tradução final” dos fragmentos:




“You'll understand I find it difficult to accept, I'm the object of an eternal satanic quest that so far's only demonstrated in something that's half poetry half gibberish. I'm sorry, no.”



297258Mas nem tudo foram tensões e tristezas nas tramas com Vanessa! Ela e Victor compartilharam uma trama simplesmente excelente. O jeito como Victor fica “desconfortável” ao lidar com mulheres, como a criança que encara algo que lhe é de todo desconhecido, foi ao mesmo tempo fofo e engraçado. Todo o constrangimento ao convidar Vanessa para ir fazer compras, e depois para um chá com ele e Lily, parte por não ter o hábito de compartilhar da companhia feminina, parte por tentar não agir de forma suspeita, e todo o cuidado dela em se mostrar prestativa, apesar do “inferno” que ela tem vivido, só prova o quanto o envolvimento dele com Lily poderia render ótimas cenas.


E já que estou falando desses dois, adorei como toda a situação dele com Vanessa foi contrastada com como ele simplesmente flui297273 quando ele fala com Lily. Não foi só o fato de que ela ficou LINDA – Billie Piper <3 – nem as discussões filosóficas sobre a posição da mulher e os arquétipos socialmente infligidos a elas, mas o “todo” da cena que foi espetacular.


Enquanto isso, do outro lado da cidade, John Clare compartilhou alguns diálogos muito bons com Lavinia, enquanto Oscar Putney deixa claro que a única razão para ter contratado John é porque ele pretende criar a sua própria versão de Freak Show (como se a lástima da FX não tivesse sido suficiente...).


Já nas ruas de Londres, o mistério do massacre no Mariner’s Inn continua sem solução, e agora o ataque do metrô se junta à lista de preocupações do Inspetor Rusk. Gostei de como ele acabou não conseguiu obter as respostas que ele esperava e de como ele conseguiu ir além do óbvio e perceber que não se trata de um único modus operandi, e que não se pode meramente atribuir todos os assassinatos mediamente brutais a ideia de uma possível volta de Jack, the Ripper.


020615Ainda nas ruas de Londres, “O Romance de Dorian Gray” – para um trocadilho, poderia ter sido pior... ficou até com cara de título de livro, de uma continuação até! Hahaha – com Angelique (maravilhosamente interpretado por Jonny Beauchamp) parece estar florescendo bem.


E como se o cenário urbano londrino já não tivesse rendido o suficiente, ele ainda foi palco de um encontro que eu estava começando a duvidar se realmente aconteceria. Hecate Afrodite Livingstone – e eu achando que Richard “Islas” Gonçalves era constrangedor... hahaha – finalmente fez a “jogada” dela, colocando um plano falho em prática, direcionando seus esforços para “lidar” com Ethan. Simplesmente ADOREI como ele conseguiu desmascará-la, mesmo que tenha a relacionado a seus próprios problemas, e não a situação com as Nightcomers.


Ethan, não contente com todas as tramas em que ele se envolveu, dividiu sua primeira – se não me falha a memória – trama com Sembene, e aproveitou essa oportunidade para fazer um questionamento que eu todos devem ter se feito: as origens do personagem. Afinal, as origens de Ethan, que eram um mistério na temporada passada, já estão sendo exploradas. Será Sembene o próximo?


Antes de chegar ao ataque à Mansão Murray, quero passar no Covil do Mal de Evelyn Poole, só para comentar o quando estou adorando que ela continue se provando a perfeita combinação de bruxa má e vilão de James Bond. Ela deixou bem claro com aquele Don’t disappoint me again, girl” que nem Hecate está a salvo da punição caso fracasse.


O ataque das Nightcomers foi mais intenso do que eu esperava e, ao mesmo tempo, “estranho”. Afinal, esperava que Evelyn quisesse mais do que uma mecha de cabelo de Vanessa. Talvez porque eu tenha deixado de lado a trama da boneca de vudu, pensando que o plano de Evelyn envolveria novamente destruir os aliados de Vanessa para então trazê-la para o serviço de seu mestre. Mas direi o seguinte: elas redefiniram o meu conceito de “as paredes têm ouvidos”. Talvez eu vá aprender um pouco do Verbis Diablo, só para garantir...


Bom, é isso. Pela cara de todos nesse final, fica claro que eles precisarão repensar as medidas de segurança na Mansão, e é claro, se esforçar mais para entender o inimigo com quem eles estão lutando. Não esqueçam de compartilhar suas opiniões e teorias, e até a próxima!

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