Crítica | Game of Thrones 5x10 - Mother's Mercy [Season Finale]

Que venham os White Walkers!

Um dia difícil... Sim! Depois de tirar um dia inteiro para reunir referências e informações, reler alguns capítulos do A Dança dos Dragões, e é claro, sentar e assistir as “repercussões” – positivas (se é que houveram) e negativas – dessa Season Finale, finalmente estou saindo das discussões, largando as teorias e tudo o mais para entregar a última das reviews desta temporada de Game of Thrones.


Mas antes de formar o “roteiro” da nossa viagem e partir para a review em si, vou seguir a minha tradição de reservar um parágrafo para agradecimentos. Primeiro, não posso deixar de agradecer a cada um de vocês que, semanalmente, reservou uma parte de seu tempo para ler essas 2000 – ou mais – palavras, especialmente nas ocasiões em que elas foram mais... “pesadas” (como serão nas linhas abaixo). Também quero agradecer por cada comentário. Ter esse retorno de quem lê é sempre importante para melhorar aquilo que é produzido por quem escreve. Por último, mas não menos importante, não posso deixar de agradecer aos amigos, que sempre garantiram boas discussões sobre os episódios. Eles garantiram que nenhuma observação fosse deixada de lado na composição dessas reviews. Portanto, obrigado Jôyna, Kleber, Marla, Jane, Thiago e Cami. Sem as nossas discussões, metade dessas reviews não teria sido tão boa.


Agradecimentos feitos, vamos ao roteiro de nossa viagem por “Mother’s Mercy”. Decidi seguir grande parte da ordem do episódio durante o nosso trajeto, tratando os grandes blocos de uma só vez, apresentando todas as minhas opiniões sobre os personagens envolvidos naquela parte específica do mundo. Começarei com o Norte, sem os territórios da Muralha, onde encontraremos Stannis, Brienne, Sansa, Theon/Fedor, Ramsey e Melisandre. Cruzarei o Mar Estreito até Bravos, para encontrar com Meryn Trant, Arya Stark e com Ninguém na Casa do Preto e Branco. Depois, seguirei para as terras quentes de Dorne, para despedidas de Myrcella, Jaime, Doran, Trystane, Ellaria e as Serpentes da Areia. Daqui, as coisas começam a se adensar, quando adentramos em Meereen e no Mar Dothraki, para saber dos destinos de Tyrion, Varys, Daario, Jorah, Drogon e Daenerys. Voltaremos definitivamente aos Sete Reinos para finalmente obter a confissão da Rainha Cersei e vê-la expiar seus pecados na Caminhada da Vergonha. E, embora achando que o episódio deveria ter terminado com Cersei sendo carregada por Sir Robert Forte (D&D esqueceram o nome dele, mas meu livro não), iremos à Muralha uma última vez, para saber do destino de Jon Snow. Entretantos deixados de lado, vamos aos finalmentes.


O ato e a “fé” de Melisandre foi recompensada. A neve derreteu, e o caminho está livre para uma batalha como o Norte não vê em muito tempo. Ou pelo menos era o que era esperado. Acabou que ficamos só com um CGI não-tão-sofrível-assim. Tinha ficado claro que as tropas tinham ficado insatisfeitas com a decisão que Stannis tomou, e também estava óbvio que Selyse não continuaria ao lado dele depois de uma decisão tão... “brutal”. Melisandre foi e não foi uma surpresa, porque dependendo da teoria que você segue, a presença dela em Castle Black é fundamental. Ou talvez, numa resposta mais simples, ela simplesmente tenha recebido outra visão de R’hllor, e decidiu sair à procura de um Azor Ahai que realmente tenha chances.236962


Eu tenho que dizer que, simplesmente não posso não reclamar que o fim de um personagem como Stannis, que é um dos personagens POV dos livros, o mesmo Stannis sobre quem Tywin Lannister diz “Estamos falando de Stannis Baratheon. O homem lutará até o fim, e mesmo depois.” foi morto meramente para completar a vingança de Brienne de Tarth. Eu espero profundamente que pelo menos por isso D&D assumam a responsabilidade!


Não vou nem apontar as discrepâncias que surgem quando você se pergunta como alguém tão “discreto” como Brienne simplesmente passeia por entre um confronto como esse, ou como Stannis conseguiu chegar até floresta, já que além de estar à frente de seus muito bem cercados homens, a lógica dita que ele seria o alvo principal, primeira preocupação e prioridade na “to kill list” de Ramsey, tornando pouco possível que uma dupla de soldados qualquer o alcançasse. Isso nem ficou ridiculamente forçado só para garantir que fosse Brienne a matá-lo... Afinal, nos Sete Reinos todo mundo consegue o que quer, e todas as vinganças são levadas a cabo. Oh wait...303033


Já em Winterfell, a batalha não-mostrada se aproxima, e Sansa tenta chegar até a Torre Quebrada para pedir ajuda a qualquer último aliado que ainda lhe reste no Norte. Não posso realmente reclamar desse momento “Os Fantasmas Se Divertem” da garota, porque o esforço para fazê-la parecer soturna e sorrateira – a Senhora Coração de Pedra (Lady Stoneheart) está vendo isso, D&D... – até que não foi completamente sofrível, e é claro, porque o que realmente importou na trama foi Theon/Fedor matar Myranda – finally! – e é claro, o “leap of faith” dele e Sansa. Se eles não tivessem realmente estragado a construção dessa nova personalidade dela no “Unbowed, Unbent, Unbroken”, eu teria ficado genuinamente impressionado quando ela disse:




“If I’m going to die, let it happen while there’s still some of me left”



Mas chega de frio por enquanto. Vamos reclamar um pouco do que aconteceu em Bravos. Afinal, as cenas desnecessárias, degradantes e como um todo, vulgarmente imbecis de Sor Meryn Trant continuam. Pior ainda, essas cenas só serviram para mostrar o quanto a série não se importa em acelerar certas coisas e ignorar a sua própria mitologia. Afinal, talvez não seja só nas minhas anotações que Arya Stark meramente tenha começado seu treinamento, tornando um pouco “vago” – para não dizer “furo de roteiro baseado em incompetência” – que, de uma hora para outra, ela já domine um dos “truques” mais importantes da Irmandade Sem Rosto? Isso sem nem reclamar de como deturparam toda a ideia da perda da visão, aqui apresentada como uma punição, quando na verdade é mais uma parte do treinamento de Uma Garota que, nos livros, já serviu ao Deus de Muitas Faces e já é capaz de vencer no “jogo”. Até com a trama que ia bem eles conseguiram desandar. Também não vou dizer que o draminha desnecessário que Ninguém apresentou antes de aplicar a punição de Arya Stark, embora tenha sido interessantes, foi fraco e descontextualizado, tentando reforçar uma coisa que todos já entenderam: Uma Garota ainda é dominada por Arya Stark.303056


Agora vamos pegar um “bronze” – e formas diversas de entretenimento... #Entendedores – nas terras de Dorne, onde, graças aos Sete (ou seria a R’hllor?), as despedidas foram rápidas. Uma observação que surgiu numa conversa com o meu grande amigo Kleber sobre este trecho precisa ser dita. Afinal, só eu acho que Doran pode ter tido um dedo ou dois no plano de Ellaria? Afinal, ele move a cabeça em consentimento para que ela se aproxime de Myrcella. Não comentarei Bronn e sua Serpente porque, bom... fiquei satisfeito que, por hora, estamos livres desse trio de erros.


Já no barco, o momento pai e filha de Jaime e Myrcella foi provavelmente uma das melhores cenas dos dois. A versão da série para um tipo de “conversa” sobre o incesto foi algo que ao mesmo tempo me incomodou e passou despercebido. Afinal, embora seja inimaginável que a criança Myrcella soubesse sobre isso, não foi a parte mais “a reclamar” da trama. Não vou discutir o envenenamento/morte da garota num momento “beijo do condenado” do Poderoso Chefão porque a trama seguinte é bem mais interessante. E também, porque não quero apontar outro momento “vago” da trama. Já que, se eles eram tão apaixonadamente inseparáveis, onde estava Trystane quando a Myrcella começa a sangrar?


Chega a hora de peregrinarmos para Meereen. Foi bom descobrir que os sidekicks de Daenerys estão todos vivos. Não vou questionar eles terem simplesmente “aparecido”, sentados como se nada tivesse acontecido, ou como se os Filhos da Harpia tivessem decidido sair para jogar um pôquer só porque Daenerys saiu da Arena, transformando os “Três Mosqueteiros” dela em alvos menos interessantes (just ago along with it...). Entretanto, a discórdia já parece ter tomado conta da casa dela. Daario Naharis não perdeu a oportunidade de querer se sobressair na conversa, mas me pergunto como ele sabia que Tyrion já havia governado antes, mas a formação do triunvirato para governar a cidade, sem perder o senso de humor, foi impagável.346730-got-10-tyrion-varys


A nossa Aranha finalmente resolveu se juntar ao nosso adorado Anão, e Varys provou que ele realmente sabe como reaparecer. Os diálogos dele com Tyrion foram simplesmente excelentes. Todo o jogo de “If only I knew someone with a vast network of spies…” e “If only…” foi mais um dos exemplos de como juntar esses dois só rende boas tramas. Não posso esquecer de uma das frases mais acertadas de Tyrion, que pode ser aplicada a várias coisas nessa adaptação, além da presença de Varys em si:




“I did miss you”



303037E já que falamos sobre os negócios da Rainha, A vista da “Pedra dos Dragões” de Drogon foi interessante. Me comprometi em acrescentar essas linhas que agora escrevo para esclarecer algumas coisas. Nos livros, Daenerys anda por DIAS antes de ir ao encontro dos Dothraki. Ela está fragilizada, física e espiritualmente, sua cidade está cercada – sim, esqueceram de mais esse detalhe... – e ela está “perdida”. E embora ela ouça e veja muitas coisas em sua jornada de volta a Meeree, uma visão noturna é muito significativa, e é base para um sem-número de teorias. A Mãe dos Dragões sonha com Quaithe, a Umbromante de Asshai que lhe fez uma profecia no A Fúria dos Reis.




“Para ir ao norte, você deve viajar ao sul. Para alcançar o oeste, você deve ir para o leste. Para ir adiante, você precisa ir para trás. Para tocar a luz você deve passar pela escuridão.”



303053Em seu sonho, nossa Rainha ouve outra conselho da Umbromante, que esclarece definitivamente o “comportamento” de Drogon. Afinal, não é só por ser um dragão jovem e ferido que ele se recusa a obedecer a sua Mãe.




“ – Lembre-se de quem você é, Daenerys – as estrelas sussurraram, em uma voz de mulher – Os Dragões sabem. Você sabe?”.



Como um todo, o retorno da Khaleesi ao Mar de Grama Dothraki foi bom o bastante para o meu gosto. O reencontro dela com um Khalasar, mais ainda, com o Khalasar de Khal Jhaqo, um dos que desertou de seu marido Drogo quando ele sucumbiu, era algo dos livros que eu queria ver, talvez por isso eu tenha reservado menos reclamações para essa parte...MV5BMTQ2MTIyMzQ3MV5BMl5BanBnXkFtZTgwMDg5ODU5NTE@._V1__SX1303_SY556_


Mas deixando o lado de lá do Mar de lado, é hora de ir a King’s Landing, onde o espírito de Cersei finalmente foi “adequado” a situação. Ela confessou aquilo que era necessário para libertá-la das masmorras, garantindo que ela possa voltar a Fortaleza Vermelha. É claro que o que realmente importa nesta trama é, obviamente, a Expiação, ou a Caminhada da Vergonha.303005


Lavada, despida, de cabelos raspados, assim como os deuses a fizeram, com o espírito exterior quebrado, fraca e violentada. É assim que a Rainha Mãe retornou a Fortaleza Vermelha. Ofendida e humilhada pelo povo. Ela caiu e sangrou, e coberta de sangue e sujeira ela retornou, mas ela retornou. E embora possa parecer que reino não se curvará a ela depois disso, e embora a Caminhada tenha cobrado o maior dos preços na “quebra” do espírito da personagem, vale lembrar que é Cersei Lannister, e ela tem a sua própria Criatura.


É importante dizer que as coisas não acontecem com essa dose de “instantâneo” nos livros, embora essa não seja uma coisa que eu queira criticar. Ritmo é parte fundamental do processo de adaptação. O que eu realmente quero destacar é algo que se passa no Epílogo d’A Dança dos Dragões, que é narrado por Sir Kevan, o tio de Cersei e atual Regente. Tentarei fazer isso com o mínimo de spoilers possível, até porque o que me interessa não é a “ação” do capítulo, mas a descrição que Varys faz dos jogos políticos dos Sete Reinos. Porque nos livros, Varys volta para “cuidar” de alguns assuntos em Westeros para garantir que seus planos envolvendo um certo alegado Targaryen – que pra mim é um Blackfyre... – funcionem. A quote em si pode conter um spoiler, então estejam avisados antes de ler! (SPOILER ALERT):




“Sua sobrinha pensará que os Tyrell o assassinaram, talvez com a conivência do Duende. Os Tyrell suspeitarão dela. Alguém, de alguma forma, encontrará uma maneira de culpar os Dorneses.”



Parece ser um trecho de pouco significado, mas ele é, para mim, uma das melhores descrições de como a política ao redor do Trono de Tommen é, mais ainda porque Kevan não era tão... “impulsivo” quando Cersei para lidar com rumores e insubordinação.


Mas chega de tudo isso! Vamos de uma vez a Muralha, para a cena com mais tom de “pós-créditos Marvel” que tivemos em Game of Thrones. Afinal, esteticamente falando, acho que todos concordam, tendo gostado ou não da “morte” que acontece aqui, que o episódio fica “fechado” quando Robert Forte carrega Cersei depois da Caminhada.303051


Antes de falar da morte em si, houveram tramas que “funcionaram” na Muralha no episódio sim. Melisandre chegando sorrateira, agora já Vermelha de novo – talvez não tenha sido o meu melhor trocadilho... –, com aquela cara de quem ficou e lutou ao invés de desertar e fugir, funcionou bem, mais ainda quando ela gentilmente “omitiu” de Davos quem foi a mão responsável pelo que aconteceu com Shireen.


Já no caso de Jon Snow, D&D amararam todas as pontas soltas o mais rápido possível, só para poder fazer aquele final. Mostraram ele tendo um “farewell” com Sam, onde ele “abraça” o peso daquilo que ele fez, embora ignore completamente as possíveis consequências (nem para colocar o aviso sobre Adagas no Escuro de Melisandre a produção serviu...). A relação entre ele e Sam foi retomada da melhor maneira possível, com uma ou duas referências à relação de Sam com Goiva. Minha única queixa é que, a ordem dos fatores foi invertida aqui. É Jon Snow quem envia, por seu desejo com Lorde Comandante, Sam para a Cidadela, acompanhado por um Meistre Aemon ainda vivo. Mas a série conseguiu inverter isso sem causar reais estragos, o que é mais do que podemos dizer sobre a maior parte das tramas.303048


Não tenho como reclamar da “morte” de Jon Snow, nem das declarações dos produtores e do ator de que “morto é morto”. Se realmente tiveram uma caminhada Tony Soprano com Kit Harington ou não, se ele vai voltar agora ou na sétima temporada, ou de jeito nenhum, só os deuses sabem. Também não vou gastar o tempo de vocês tecendo aqui todas as trocentas teorias sobre essa “morte”. Martin já disse que tem surpresas preparadas para nós, e ele jamais disse, categoricamente como os produtores fizeram, que Jon Snow está morto. Além do mais, eu já discuto essas teorias desde 2012, e continuo, assim como todos, sem respostas. Então saibam que, se vocês realmente querem entrar nesse trem, deixo o enigma de Inception como advertência:




“Você está esperando por um trem. Um trem que levará você para bem longe. Sabe onde espera que este trem vá levar você, mas não sabe ao certo.”



Bom, é isso. Não sou realmente bom com longas despedidas, e já deixei o meu agradecimento, embora reforce o meu “muito obrigado” aqui. Foi uma temporada que dividiu opiniões, e que mais uma vez me faz questionar se vale realmente a pena continuar a assistir a série. Mas, teremos um ano inteiro para pensar no assunto, então espero encontrar vocês em 2016 (ou não). Enfim, por hora, adeus.

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