Crítica | Game of Thrones 5x09 - The Dance of Dragons


Sim, tivemos um episódio realmente muito bom nesta temporada. Só que foi o anterior, e não esse.



Sim! Desta vez sou eu quem quer começar com polêmicas! Não que o episódio não tenham rendido o suficiente para colocar centenas de fãs em debates que duraram horas – este que vos escreve foi um deles – e ainda continuam, mas eu não poderia deixar passar uma oportunidade tão boa, especialmente considerando a ... “acidez” que empreguei alguns parágrafos.


Mas, antes de qualquer coisa, vamos traçar o nosso roteiro de viagem por “The Dance of Dragons”. Vou começar da pior trama possível e ir construindo a estrada a partir daí... Acho que não precisa dizer mais nada para saberem que vou começar por Dorne. Depois, vamos a um clima mais frio, para conferir o retorno do 998º Senhor Comandante da Patrulha da Noite à Muralha. Depois, atravessaremos o Mar Estreito junto com Mace Tyrell e Meryn Trant para chegar à Cidade Livre de Bravos, e é claro, ver Uma Garota esquecer dos ensinamentos da Ordem e abandonar as obrigações da Gata dos Canais para dar vazão aos sentimentos de Arya Stark. Em seguida, passamos as tramas realmente polêmicas da semana: primeiro, retornaremos ao Norte para analisar as ações de Stannis e sua Corte, e por fim, visitar Meereen e a Corte de Daanerys, para só então ter uma pequena dose de história sobre A Dança dos Dragões, não o livro, a Guerra Civil Targaryen. Bom, roteiro feito, é hora de seguir com a review.


Myrcella será a primeira vítima do texto. Porque, ela pode até ter sido mudada, mas acrescentaram a ela o mesmo nível de 301220“insuportabilidade” que foi dada as Serpentes. Mesmo que Cersei realmente a tenha mandado para os Jardins da Água, e todos aqueles outros argumentos, um pouco de pulso não faria mal para cortar a má educação dessa garota. Trystanne pelo menos herdou o senso de humor dornês, e talvez um pouco da prudência do pai.


301225O Príncipe Doran é quem mais se sobressai nessa trama toda. A descrição do personagem nos livros é um tanto mais “decadente” do que essa que Alexander Siddig está trazendo a vida. E isso não um defeito, porque a combinação entre passividade/ponderação e fúria dornesa que era de se esperar de um Príncipe Dornês tem sido mais que satisfatória. Um exemplo disso é que, embora ele tenha estendido sua cortesia, cumprido suas obrigações como Príncipe, demonstrado sua lealdade ao Rei Tommen I, ele não deixou de lembrar a Ellaria quem ele é, ao responder as ofensas dela com calma de um assassino:




“You’re mother to four of my nieces, girls I like very much. For their sake, I hope you live a long and happy life. Speak to me that way again, and you won’t.”



Já nas masmorras, Bronn está realmente sendo atormentado pela companhia das Serpentes. Embora a vista seja agradável, elas são indigestas – para não dizer “insuportáveis” – demais para se aturar por muito tempo. Pelo menos o destino dele não foi a morte, e é claro, ele serviu como alívio cômico, mesmo que como “vítima”.


game-of-thrones-s05-e09-agambiarra-recap-12“Quedas” femininas estão na moda, já que a de Cersei deve vir com a Season Finale, e desta vez, Ellaria e suas Serpentes foram curvadas à vontade de Doran. E ele não ficou satisfeito com ter quebrado o espírito da personagem, ele fez isso com uma das falas mais espetaculares da trama de Dorne:




“Your rebellion is over. You can swear your allegiance to me now… or you can die. I believe in second chances. But I don’t believe in third chances.”.



Mas não foi um episódio inteiramente ruim para Ellaria. Talvez numa tentativa de redimir a personagem, ela conseguiu usar a acusação mais básica – quando o assunto é ofender os gêmeos Lannister – possível contra Jaime de uma das melhores formas possíveis.


301217Jon Snow, talvez por ter tido toda aquela sequência EXPETACULAR no episódio passado, teve uma cena curta e única desta vez, meramente completando aquilo que vimos no episódio passado. Ele consegue retornar à Muralha, e os portões realmente são abertos para ele e os Selvagens que ele resgatou. Tivemos a oportunidade de receber mais uma ou duas ralhadas de Sor Allistar, que não está de todo errado, já que os Stark estão se provando cada dia mais certos, o “Inverno Está Chegando” e as provisões estão ficando mais escassas.


Já em Bravos, enquanto Mace Tyrell tenta bajular Tycho Nestoris, o banqueiro tão de Ferro quanto o Banco que ele representa, Sor Meryn Trant faz seu check-in na cidade e é retomado como um dos itens na lista de Arya Stark.


Vale dizer que, embora a trama d’A Gata dos Canais continua a ser uma das coisas mais acertadas dessa temporada, até mesmo com direito a uma relação de causa e consequência – porque Uma Garota não convenceu a mim, que dirá a Jaqen H’ghar, e desviar-se de seu dever sagrado demanda punição – bem trabalhada, fica difícil não identificar um defeito que se sobressai, especialmente em face ao tom boring das tentativas falhas de Mace para renegociar as dívidas da Coroa.


Pode ser que essa seja a coisa que mais vá gerar polêmica que eu escreverei nesta review – e olha que eu nem cheguei em Stannis ainda! – mas achei desnecessário transformar Meryn Trant num pedófilo pervertido meramente para assegurar uma deixa para Arya ter uma oportunidade de acertar uma de suas contas. E como visto nos comentários da Game of Thrones da Depressão – sim, a página tem o meu “like” (e meu respeito) desde a temporada passada – depois de uma cena dessas, parece até fútil ter criticado o tratamento da figura feminina com base no que aconteceu com Sansa...


Não satisfeito com a confusão que eu já posso ter criado nas linhas anteriores, vou seguir direto para o acampamento de Stannis. O plano de Ramsey – o que não reduz ou revoga o status dele como “Bocó” – deu certo, e com seus vinte homens, ele conseguiu destruir as provisões e montarias de Stannis. Não sei se foi o conjunto dos fatores, ou meramente este último golpe que o fez considerar a opção que Melisandre lhe ofereceu, e apesar da tentativa de Davos de salvar Shireen, mas a teimosia de Stannis se pôs no caminho da sensatez de sua Mão.


Inacreditavelmente, Chegou o dia em que eu tenho que registrar meu respeito à astúcia de David Benioff e Dan Weiss. É preciso ter uma boa dose de astúcia para passar um bom tempo direcionando a atenção de quem está assistindo para Martin e sua obra. Shireen nos presenteou repetidas vezes com relatos referentes à Dança dos Dragões, que trazem imediatamente a mente o “The Pricess and The Queen, or, The Blacks and The Greens”, um relato “transcrito” pelo próprio Martin – ele nem tem senso de humor... – dos registros do Arquimeistre Gyldayn da Cidadela de Vilavelha.


Como se isso não bastasse, eles se asseguraram de que a internet se chocasse hoje, enchendo-a com afirmações de que Martin foi responsável pela ideia original do que aconteceu com Shireen. E antes que me crucifiquem pela maneira com que organizei esta última frase, não estou dizendo que a notícia não tenha certa veracidade – embora o próprio Martin não tenha realmente reclamado essa responsabilidade – estou apenas dizendo que a maneira com que toda a cena foi feita foi simplesmente errada.301277


Mesmo que Martin tenha sido a origem da ideia, indicando que o destino da Princesa Baratheon possa ser tão sombrio no próximo livro como foi na série, acho muito difícil que Stannis fosse ficar ali, paradinho, escutando a própria filha – que cinco episódios atrás ele estava declarando ter movido todas as forças do mundo para salvar – implorar pela própria vida. Não duvido que Melisandre, que ficou na Muralha, junto com Selyse – que eles tentaram redimir fazendo-a tentar, só quando não faria a diferença, impedir a EXECUÇÃO da filha – e Shireen possa sacrificar a garota para realmente interromper a nevasca na qual seu Rei está preso, ou quem sabe para trazer um certo alguém de volta a vida, mas isso seria uma ação dela e só dela, mesmo que seja um sacrifício que Stannis possa estar disposto a fazer.


Mas vale dizer que, isso não isenta David Benioff e Dan Weiss da seguinte reclamação: haviam outras maneiras de se deturpar o personagem sem precisar desfazer o seu próprio trabalho. Afinal, não sei se só eu acho que, mostrar aquela declaração de pai amoroso que fez de tudo para salvar a filha em “The Sons of Harpy” só para cinco episódios depois fazê-lo queimar a dita filha dá a entender que ou a dupla D&D – é um trocadilho pronto em tantos níveis que é impossível não usar – não presta atenção na hora de revisar as coisas quando o assunto é organizar a trama, ou basicamente a mensagem que se passa é que, desde que tenham cenas graficamente desnecessárias – boobs, estupros, Dragões – ao longo da temporada, o nonsense pode correr solto. Talvez vocês devessem refletir sobre isso...


Era óbvio que Stannis não poderia continuar sendo um personagem por quem se poderia sentir empatia – porque se há uma verdade absoluta sobre Game of Thrones é que nenhuma boa coisa dura muito – e a série conseguiu “destruir” com o personagem mais rápido do que com a maioria.MV5BMTg1NjA2NjU2Ml5BMl5BanBnXkFtZTgwNzcxMTA5NTE@._V1__SX1303_SY556_


Antes de seguir para Daenerys, há um último comentário que eu gostaria de fazer. Gostei muito de como Shireen teve cenas de “despedida” com Davos. Todo o cuidado dele com a menina foi muito bom, e se esquecermos de como acabou, ela partiu nos apresentando um bom relato da primeira Dança dos Dragões, e dos efeitos que ela teve. Ela partiu com pelo menos uma última cena boa, o que não é algo que possamos dizer sobre todos.


ClasseDanyIndo de vez para climas mais quentes, Daenerys, seu presente, e é claro, seu futuro marido, presenciaram a reabertura da Grande Arena de Daznak, em Meereen. O desprezo dela pelo “esporte” ficou tão evidente quanto possível, o que não a impediu de usar toda sua majestade, até mesmo para dar início à luta.


Daario Naharis continua tendo sua sabedoria mostrada, e isso pode se tornar um “inconveniente” para o casamento da Rainha. E como se isso não bastasse, Tyrion também se engajou numa senhora discussão com Hizdahr zo Loraq, usando um dos piores insultos que ele poderia dispor: “my father would have liked you”. Não suficiente com isso, ele ainda nos presenteou com:




“Well said. You’re an eloquent man. Doesn’t mean you’re wrong. In my experience, eloquent men are right every bit as often as imbeciles.”



O elefante – ou seria o Dragão? – caiu na sala quando Jorah se revelou na Arena. Confesso que achei que Daenerys ordenaria que ele fosse morto ali mesmo, mas ela manteve toda a sua compostura, isso me surpreendeu. Acho que todos seguramos a respiração junto com Daenerys quando o cavaleiro Westerosi quase foi morto, e mais ainda quando os Filhos da Harpia se revelaram.


A morte de Hizdahr zo Loraq foi excelente, embora isso abre uma lacuna no “rosto” dos líderes de Meereen, que não posso deixar de questionar como será resolvida. O episódio também nos trouxe de volta o lado de “guerreiro” de Tyrion, que salvou Missandei.


Não tenho como nem porque reclamar de cena de “invocação” de Daenerys. Quando a coisa começou a ficar realmente séria e aquela sensação de “oh f*ck” chegou, estava óbvio que Drogon apareceria em socorro de sua Mãe. Aceitem ou não, ela trouxe ele, Viserion e Rhaegal a vida, e essa é uma ligação que nenhum tipo de instinto selvagem pode quebrar. E como bônus, ele nos mostrou que aprendeu com a Mãe como fazer uma entrada! Eu aplaudi de pé!301379


Gostei muito de como toda a construção da história da primeira Dança, e de como assim como Rhaenerya e Aegon II montaram em seus dragões e lutaram entre si, a Mãe dos Dragões finalmente assume este papel, o lugar digno de uma Targaryen Conquistadora, o dorso de seu Dragão Negro.


Mas embora eu tenha ficado satisfeitíssimo com a ascensão da Rainha, não posso deixar de me perguntar o que acontecerá com os aliados que ficaram na Arena, e é claro, com o Reino dela, considerando que já não temos mais Sor Barristan para controlar a situação, e que Drogon não deu cabo de nem metade dos Filhos da Harpia que estavam na Arena.


Para terminar (sim, chegamos ao final), não posso deixar de acrescentar o trecho de abertura do “The Pricess and The Queen”, na tradução feita pelo Tor.com. É um trecho importante, porque acho que “Guerra dos Cinco Reis” ainda não será o nome definitivo do que se passa em Westeros atualmente.




A Dança dos Dragões é o nome florido atribuído à batalha visceral e selvagem pelo Trono de Ferro de Westeros travada entre dois ramos rivais da Casa Targaryen durante os anos de 129 a 131 DDA.”.



Bom, é isso. Divagações e reclamações que ficaram soltos por aí, não deixem de comentar a review, é sempre bom ter um feedback, e caso tenha ficado alguma dúvida, não me incomodo em responder.

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