Crítica | Game of Thrones 5x08 - Hardhome


“The Long Night is coming, and the Dead come with it.”



Que episódio! (aplausos lentos a la Coringa) Que episódio! Sim, é com toda a agitação disponível que começo mais uma review de Game of Thrones. Depois de sete episódios densos, controversos, polêmicos, e é claro... “bons”, a série nos apresenta um episódio que, poderia muito bem ter sido o nono, que é onde as coisas geralmente são excelentes. Mas “Hardhome” foi um oitavo episódio que fez valer o tempo gasto até aqui, o que só me faz questionar o quão surpresos/chocados ficaremos na próxima semana, quando “The Dance of Dragons” terminar. Mas, deixando de lado a comemoração pelo resultado geral do episódio, vamos traçar o roteiro de nossa viagem pelas tramas dessa semana, e partir a review em si.


Vou tomar parte da “ordem” em que as coisas foram exibidas no episódio para formar o nosso roteiro desta semana. Começarei por Meereen, onde Daenerys e Tyrion nos forneceram suficientes doses de badass para carregarem o episódio sozinhos. O destino de Jorah também entra nessa parte. Depois, vamos dar uma passada nos calabouços do Grande Septo de Baelor, para saber como a situação de Cersei está, e é claro, analisar os fragmentos de repercussões políticas que Qyburn nos trouxe. Atravessaremos então o Mar Estreito para conhecer Lanna, a versão da série para a Gata dos Canais, uma das identidades adotadas por Arya em seu treinamento na Irmandade Sem Rosto. Depois do calor das Cidades Livres, vamos ao frio de Winterfell para um ou dois comentários, assim como faremos n’A Muralha. Por fim, vamos de encontro ao Inverno, a Morte e aos Caminhantes Brancos, enquanto o Senhor Comandante Jon Snow tenta salvar os Selvagens em Hardhome. Roteiro da viagem pronto, vamos à review!


Achei calculadamente sábio, e um tanto ousado – na dose certa – ter começado o episódio em Meereen, mais ainda, na “corte” dehardhome-4-670 Daenerys, enquanto ela decide o que fazer com Jorah e o presente que ele trouxe. Afinal, combinar a ousadia e a acidez de Tyrion em confronto com a “ingenuidade” – para não dizer estupidez – de Daenerys foi intrigante. A falta de tato para governar dela confrontada com o cinismo dele resultou numa sequência espetacular. Ele fez por merecer o título e a convenceu de suas capacidades tendo garantido que o destino de Jorah fosse menos “definitivo” quanto o prometido por Daenerys da última vez.


Ela demorou a realmente se mostrar interessante, mas quando ela e Tyrion se sentaram para conversar, foi indescritivelmente perfeito. Eles corresponderam a cada expectativa que eu tinha de um encontro entre dois personagens tão imponentes. “Two terrible children of two terrible fathers", com sua própria história de sofrimento, desprezo e luxúria, reunidos num dos melhores diálogos da temporada. O real valor do título de “Breaker of Chains” associado a Daenerys foi finalmente revisitado quando ela nos lembrou quem ela é e o que fará nos Sete Reinos, tudo isso numa frase só:




“I’m not going to stop the wheel. I’m going to break the wheel.”



Jorah talvez tenha sido o único “erro” nesta parte do episódio. Sim, foi excelente que Tyrion tenha conseguido conservar a cabeça de Jorah no lugar, e foi justo da parte de Daenerys o expulsar novamente, mas não entendi se a Escamagris dele vai tomar o lugar da Égua Descorada dos livros, ou se ele simplesmente pretende lutar até a morte meramente para estar na presença de Daenerys. Talvez isso vá ser explicado no episódio seguinte, mas por hora, é tudo o que Meereen tem para nós.


299240Já em King’s Landing, e assim como consta na sinopse do Banco de Séries, Cersei está passando por maus bocados. Gostei de ver como o “tormento” dela foi bem retratado. Não é spoiler – especialmente porque a gravação da cena foi amplamente comentada pelos produtores – dizer que esse tormento é parte importante (pelo menos nos livros) para a confissão dela, o que leva a tão esperada Caminhada da Vergonha.


Qyburn fez vários favores numa única aparição. Nos lembrou que, assim como nos livros – embora numa situação diferente – Jaime está indisponível para vir “em socorro” da irmã. Ele também trouxe o “escanteamento” de Tommen, uma das melhores coisas que a série poderia fazer com o personagem. E não podemos esquecer que titio Kevan voltou e agora lidera o Pequeno Conselho. Espero apenas que, já que tanta coisa dessa parte foi mantida como nos livros, o destino de Kevan também...


Well, partindo para Bravos, gostei de ver a adaptação da trama de Arya como a “Gata dos Canais”. O treinamento dela tem sido muito299369 bem apresentado, a as adaptações nessa trama foram as menores, o que, somado a excelência da trama em si, marca essa parte como uma dos melhores plots da temporada, que conseguiu manter a qualidade, mesmo tendo composto tão pouco do tempo de cena do episódio.


Mas é hora de afundar em neve e seguir viagem para o Norte, e depois para o Verdadeiro Norte (for readers only), onde as coisas realmente aconteceram. Sansa é o primeiro item da lista de assuntos em Winterfell, especialmente porque a personagem tem oscilado entre tramas completamente novas que são boas e ruins. O “enegrecimento” ao qual a personagem tem sido submetida é um tanto controverso, num conjunto de cenas e sequências ruins misturadas com momentos interessantes. A fúria Sansa combinada à culpa e confissão de Theon/Fedor nos deu uma ideia de outro novo rumo que a série pode tomar, uma “caçada” pelos garotos Stark. Foi também muito fortuito que a série tenha transformado a relação entre Sansa e Theon/Fedor em cenário para esses ganchos.


Antes de sair de Winterfell, não há como não comentar o esforço que a série faz para assegurar que ninguém esqueça que Ramsey é um BOCÓ. Apresentar toda aquela arrogância desnecessária dele, mesmo depois Roose ter mostrado uma estratégia bem mais plausível – Nortenho ou não, one does not simple walks into the Winter! – talvez para tentar desviar a atenção do fato de que ele é o maior desperdício de tempo de cena em qualquer episódio. Nem mesmo empurrando o “A Feast for the Crows” – get it? – foi suportável.


Já n’A Muralha, continuarei a me recusar a comentar Sam e Goiva. Já expressei minhas reclamações sobre esses shipps forçados quando falei sobre Missandei e Verme Cinzento, e embora goste de defender meus pontos de vista, tem coisas melhores para gastar linhas neste texto. Mas farei sim um comentário “arriscado” sobre a trama da Muralha. Tentarei fazer esse comentário com o menor teor de spoilers possível. Talvez seja um spoiler, talvez não. Talvez se eu não tivesse lido os livros, eu não fosse chegar a essa conclusão. Mas direi mesmo assim, e deixarei a critério de cada um de vocês julgar se é ou não um spoiler. Só eu percebi que, da mesma forma que o discurso de Sam se aplica ao que Jon está fazendo, tentar selar a paz pela sobrevivência do Mundo dos Homens, esse mesmo discurso pode ser usado para justificar, vamos dizer, um “motim” contra o Senhor Comandante...


E já que estamos falando nele, vamos deixar todo o resto de lado e seguir para Hardhome, de encontro aos esforços de Jon para fazer paz com os Selvagens na tentativa de salvar o Mundo dos Homens.


É claro que eu esperava mais da trama envolvendo Hardhome do que o que vimos na Batalha da Muralha na temporada passada, especialmente porque todo um cenário novo foi desenvolvido para essa trama. E já de chegada, temos certeza de que as coisas serão sim rápidas, dinâmicas e intensas, quando revemos o lado mais “selvagem” de Tormund. Afinal, não se é Tormund Terror dos Gigantes meramente sendo gentil.


Até mesmo a cena com o tom de parlay – não, não será a única referência a Piratas do Caribe no texto – foi boa. O discurso inspirador de Jon Snow, um Comandante que não foi feito para reinar, mas sim para conduzir o povo, tentando fazer aquilo que deve ser feito, para impedir que, assim como Tyrion nos lembrou, o povo se torne – de forma muito literal nesse caso – pior. A inserção da alcunha “Rei Corvo”, numa referência ao “Lorde Corvo” – como os Selvagens chamam Jon – dos livros.


299358Foi também nessa cena que finalmente tivemos uma selvagem com real personalidade. Criada especificamente para a série – provavelmente para preencher a vaga de Selvagem Feminina com personalidade – e brilhantemente interpretada pela dinamarquesa Birgitte Hjort Sørensen, Karsi foi tudo o que eu esperava ver de uma Selvagem. E quando ela soltou o “so would mine, but fuck them, they’re dead” eu aplaudi de pé. Mas como essas alegrias duram pouco, suspeitei que ela acabaria como acabou, o que não me impediu de ficar genuinamente triste com a morte dela, mais ainda porque o medo que a convenceu – ver suas crianças transformadas em Caminhantes – a apoiar Jon foi o que acabou a atingindo, meio que numa vibe “A Hora do Pesadelo”.


As palavras dos Stark, como Stannis nos lembrou, estão se tornando um fato, e devo dizer, um fato muito mais aterrador depois do showdown que ocorreu em Hardhome. A reaparição do “Exército Branco”, que trouxe sua própria versão da turma do primeiro Piratas do Caribe – com uma ou duas doses de The Walking Dead – nos lembrou de quem é o inimigo e do que ele realmente é capaz.


Mesmo que eles tenham sido retomados para “reforçar” a verdade das palavras de Jon Snow, e é claro, para colocá-lo em perigo, não há demérito em como a série fez isso. A quantidade de referências renderia outras 2000 palavras, então estou meramente comentando as mais centrais, como a menção as Aranhas de Gelo Gigantes e novamente o vislumbre das “Montarias Mortas” dos Caminhantes. Não vou reclamar do poder The Last Airbender que o Caminhante usou para diminuir o fogo porque isso já é ser fanático demais, até mesmo para os meus padrões.


Entretanto, quero esclarecer as dúvidas sobre o Aço Valiriano e o porquê ele funcionou contra o Caminhante. Nos livros, Jon não vai até Hardhome, e nesse meio tempo, Sam está tentando aprender o máximo possível sobre os Outros. Ele encontra registros que mencionam que Os Filhos da Floresta usavam a Obsidiana – e a forneciam a Patrulha da Noite – como arma contra os Outros, porque o material era letal para as criaturas. É fácil inferir que a magia que move os Caminhantes é ligada ao gelo, assim como a magia Valiriana é ligada ao fogo e aos Dragões. Melisandre nos lembra também que a Obsidiana/Vidro de Dragão é fogo congelado/cristalizado. Enfim, nos mesmos registros que falam sobre o Vidro de Dragão, Sam encontra referências a algo chamado Aço de Dragão, o que ele e Jon concordam se tratar de Aço Valiriano, o material do qual Garralonga é forjada. Tudo isso considerado, e é claro, como Martin nos lembrou, o Aço Valiriano é um metal fantástico, com características mágicas e com mágica envolvida em sua forjadura – mágica que cresce mais forte com o retorno dos Dragões ao mundo – fica fácil entender o que fez a espada de Jon tão eficiente.


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Talvez o momento “bitch, please” – ou seria Ultron? – talvez tenha sido um tanto exagerado, mas não chegou a ser um defeito. Talvez o único detalhe que tenha me feito pensar: “hum, muito conveniente...” tenha sido o fato de que, só por acaso, tinha um barquinho esperando Jon Snow.


Para terminar, tenho mais uma historinha retirada dos livros para contar. Porque depois de ter rendido uma discussão enorme na minha turma, decidi incluir este parágrafo extra no final. O “chefão” da turma dos Caminhantes é, de acordo com os produtores e créditos oficiais da série, o Night King. A série foi felicita em escolher um personagem que tem um destino incerto na mitologia para transformar no “rosto” dos inimigos. O Rei da Noite é um personagem que viveu durante a Era dos Heróis, nos tempos em que até a Muralha era jovem. No Capítulo 56 d’A Tormenta das Espadas é dito o seguinte sobre ele:




“Seu verdadeiro nome foi apagado da história. Ele governou a partir de Forte Noite. Ele foi o décimo terceiro Senhor Comandante da Patrulha da Noite. Ele era um grande guerreiro que supostamente não conhecia o medo. Um dia, ele viu uma mulher pálida em cima da Muralha e se apaixonou. Ele a trouxe de volta para Forte Noite e nomeou-a rainha e se nomeou rei. Com Feitiçaria, ele ligou os outros irmãos da Patrulha da Noite a ele e governou por treze anos. Foram precisas as forças combinadas de Joramun e seus selvagens e os Starks e os seus exércitos para destruir o Rei da Noite. Depois que ele foi destruído, eles descobriram que ele tinha oferecido sacrifícios para os Outros, e por esse crime, todos os registros de seu nome foram dizimados.”



E embora seja dito que ele foi “dizimado”, se ele abraçou a feitiçaria dos Outros, e se – teoria! – Brynden Rivers também está vivo por ter abraçado a magia antiga dos Filhos da Floresta, o que impediria o Rei da Noite que é contado nos livros de ser o mesmo mostrado na série? Afinal, se já não tivéssemos trezes suficientes, vale lembrar que, quando ele apareceu em “Oathkeeper” na temporada passada, treze “generais” Caminhantes podem ser vistos.


Enfim, é isso. Lembrem de dizer o que acharam do episódio, e é claro, apresentar suas opiniões sobre as teorias. Espero encontrar todos vocês no episódio que vem. Por hora, au revoir!

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