Crítica | Battle Creek 1x10/11/12 - Stockholm/The Hand Off/Homecoming


Está chegando a hora do adeus.



Sim! Depois de semanas de demora, finalmente tirei um tempo para assistir os episódios de Battle Creek que precedem a Series Finale, e é claro, cumprir minha promessa de escrever sobre a série até o final. E embora eu tenha pensado em ver os episódios separadamente, e escrever um texto separado para cada episódio, acabei transformando tudo em uma review só.


Começando por “Stockholm”, achei interessante como, depois de toda a discussão e os “contornos” que Milt usou para tentar evitar admitir que ele realmente se importava com Russ, assim que o sequestro realmente aconteceu, ele move todos os recursos possíveis para encontrar Russ, e ainda se coloca na lista de “pessoas que mais se importam com Russ”.


A ironia no criminoso não ser nada idiota foi simplesmente perfeita. A lógica dele, conhecer cada regra no manual, estar pronto para os níveis básicos de psicologia forense, todo o discurso dele sobre aquilo que geralmente acontece no sequestro... foi tudo fascinante.


Mas o que realmente me surpreendeu foi o estratagema dele e Guziewicz em caso de sequestro. É claro que, sendo um gênio do crime, Ford previu isso e tomou suas precauções. O que realmente importa é que, da mesma forma que a relação entre Russ e Guziewicz foi aprofundada ao mostrar o plano dos dois, Milt genuinamente se oferecer para tomar o lugar de Russ é outro exemplo da amizade – mesmo que esses dois se recusem a admitir – que existe entre esses dois. Até o criminoso sabia disso.


“The Hand Off” foi um episódio de surpresas. Por exemplo, eu honestamente não esperava que Dr.ª Rita fosse casada com Derek. Embora ela tivesse dado sinais, a frieza e profissionalismo com que ela conseguiu estabilizar ele... não sei se eu teria tanta calma na situação dela, mais ainda considerando que a filha deles estava bem ali.


Não consegui compreender o que levou Milt a ir até Detroit meramente para chantagear um agente da NSA. Menos ainda os riscos que ele correu na Corte. Ninguém, FBI ou não, simplesmente encara um juiz e diz: “I would ask you have faith on my judgment”.


O episódio surpreendeu ainda mais, porque vimos um lado de Milt que todos sabíamos que estava lá, mas numa medida muito maior do que eu esperava. Não só o comportamento suspeito, mas o surto com o telefone, e a gaveta de outros telefones quebrados, indicando que aquele é só mais um surto de uma série regular de surtos.


Adorei que Niblet e Jacocks tenham compartilhando uma trama juntos. Ele sempre foi o mais desajeitado da turma, e ela a mais determinada e, ao modo dele, foi até gentil – talvez um pouco sexista... ou não – que ele tenha tomado o lugar de possível vítima. E ele também se provou mais esperto do que aparenta, já que “If you’re gonna hire a hit man you make sure you have an ironclad alibi for the time of the shooting” faz muito sentindo.


A cereja do bolo do episódio foi toda a inversão de personalidade. Milt ter agido como Russ foi aceitável, mas Russ?! Delicado? Prestativo? Atencioso? Tendo atenção feminina? acreditando nas pessoas?! Foi uma das melhores surpresas possíveis, além é claro, da resolução do caso. Mas o que realmente marca é o quanto fica claro que os dois personagens poderiam ser explorados mais extensivamente, caso a série não tivesse sido cancelada.


Em “Homecoming”, Battle Creek me lembrou que, cancelada ou não a série merece meu respeito. Especialmente porque, quando finalmente Holly e Russ tiveram sua noite juntos, uma das cenas que nós mais esperávamos acontecer, a série conseguiu fazer da situação o alívio cômico mais perfeito possível. O “237. Officer down” de Milt impagável!


Gostei muito do retorno de Font, e mais ainda porque Shore colocou um senhor bônus para os fãs de House neste retorno. Na conversa com Funkhouser, ele disse uma coisa que combina tão perfeitamente com o personagem dele em House que eu não poderia deixar de citar:




“It was like I didn’t exist for a whole Day. I guess that’s what being dead is… Nothing.”



Não parou por aí! Quando estavam discutindo o caso no carro, quando, Russ também teve seu momento House:




“‘Cause nothing ever changes”



O fato de Eddie ser o John Doe do caso de Font, e é claro, de ele não ter sido o assassino, nos rendeu uma boa viagem ao necrotério, para matarmos a saudade a nossa legista favorita.


É claro que a resolução do caso teve toda uma carga emocional, e o resultado da aposta foi excelente, mas a maior tristeza é perceber que, independente do que a série faça na Series Finale, não teremos tempo suficiente para ver o relacionamento de Holly e Russ se desenvolver.


Bom, é isso. Ainda nos resta um encontro para conversarmos sobre Battle Creek, talvez para discutir um bom final (ou não), então não me estenderei nas despedidas ainda. Direi apenas: au revoir!

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