Toren | Crítica

Como definir algo em poucas palavras? Dependendo do que pode ser difícil, mas para definirmos Toren isso não será problema: obra de arte jogável! Pessoalmente fiquei impressionado com a qualidade do game, que consegue ser simples e ao mesmo tempo complexo. Mas como isso seria possível?

Vamos começar pelos gráficos, que são muito bonitos. Algumas texturas são bem simples e os serrilhados são bem presentes, mas podem ser um pouco difíceis de perceber devido a riqueza de cores e a beleza que no geral o jogo apresenta. A arte do game é bem original e imersiva, mas as vezes certos cenários podem dar uma sensação de déjà vu. A protagonista, Moonchild, é muito bonita e cheia de detalhes, mas o dragão que é o vilão principal do jogo, não é tão caprichado. Os inimigos são raríssimos e os confrontos com eles são bem simples. Porém o que mais me chamou a atenção foram os puzzles.

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Eu pessoalmente não sou fã de puzzles, detesto eles. Mas um dos méritos desse game foi inseri-lo de uma forma por vezes natural e até mesmo sutil. Ao invés de ficar indo e voltando de lá para cá só por causa de uma maldita alavanca, o quebra cabeça é inserido no seu caminho até determinado lugar por exemplo, sendo o caminho em si um puzzle! Houve ocasiões em que eu só percebi que estava num quebra cabeça quando já estava caminhando nele! Isso foi uma forma muito inteligente de adicionar algo que envolve raciocínio de uma maneira simples, porém dinâmica.

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O modo como a história do jogo segue é muito interessante também. É misteriosa, e contada de uma forma simbólica e até mesmo filosófica. Certas passagens parecem escritas de forma poética. Novamente, a proposta do game é simples: Moonchild é uma criança que nasce numa torre chamada Toren, e descobre que tem de subir até o alto desta torre e enfrentar o dragão. Mas o modo como tal história é contada é complexa e repleta de simbolismo. O cenário e as músicas dão uma sensação de solidão, a protagonista tem pouquíssima interação com outros personagens, ficando a impressão de ser uma jornada bastante pessoal, e você fica como sendo um convidado a jogar tal aventura. A trilha sonora do game é excelente e consegue passar as sensações descritas antes, além de ser agradável e por vezes relaxantes. A câmera do jogo se posiciona de forma independente, e as vezes ele fica bem, mas as vezes ela se distancia demais e fica difícil ver o que estamos fazendo.

O jogo me surpreendeu muito, e não apenas por ser brasileiro ou por ter recebido incentivo da lei Rouanet, claro são méritos também, mas principalmente por sua qualidade técnica e artística! Toren pode ser chamado de obra de arte sem exagero, mesmo que certas pessoas obtusas achem o contrário, ele é a prova de que games fazem sim parte da cultura de um país!
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