Crítica | Penny Dreadful 2x03 - The Nightcomers


“When Lucifer fell, he did not fall alone. They will haunt you until the End of Days. Be true.”



Outro dia sombrio chega, e mais uma vez nos reunimos para comentar os acontecimentos do último episódio de Penny Dreadful. E assim como na temporada passada (no episódio intitulado “Closer than Sisters”), “The Nightcomers” nos apresenta uma narrativa sobre o passado de Vanessa.


Embora tenha sido mais cedo do que na temporada passada, acredito que foi um excelente momento para se aprofundar um pouco mais na jornada da nossa adorada Srtª. Ives, especialmente porque a série nos apresenta um tom diferente de flashback. Não é meramente uma recordação para a reflexão moral do protagonista e de outros, menos ainda é um mecanismo de diversificação do tempo de cena. A série nos oferece uma narrativa de Vanessa sobre uma parte de seu passado, que sim, motiva reflexões e tudo o mais, mas por fazê-lo por meio de uma inserção narrativa, preservando e trabalhando sem se contradizer, aprofundando mitologia, iconografia e a construção do personagem, somos presenteados com uma hora de excelente TV.


Não sei se só eu, mas cada novo personagem que série traz, mesmo considerando, neste caso, o final, temos um verdadeiro espetáculo. Não foi diferente desta vez. Joan Clayton, a Cut-Wife de Ballentree Moor, foi uma mistura de amargura, soturnidade, macabro e tantas outras nuances tão singulares quanto possíveis. Decididamente, expulsa ou não, ela tem a personalidade de alguém que é irmã de Evelyn Poole.


Este é um episódio que, acima de tudo, nos mostra a construção dessa Vanessa Ives tão enigmática, tão misteriosa e, ao mesmo tempo, poderosa, com sua sabedoria e símbolos.


Os ensinamentos de Joan Clayton são um tanto mais... “brutais” do que eu imaginava. Mesmo assim, revemos e descobrimos a origem de muito da indumentária da Vanessa Ives que conhecemos. A apresentação da relação de Vanessa com tarô, bem como a maneira com que a leitura é feia por ela é um dos muitos exemplos disso.


A Cut-Wife nos rendeu muitas cenas espetaculares. A diferença entre Daywalker e Nightcomer, embora constitua-se de uma linha bem tênue, foi bem apresentada no episódio. A ideia de que as Bruxas não são obrigatoriamente corrompidas também foi interessante. Você percebe que, por terem abraçado o Mal, Evelyn e suas seguidoras “decaíram”. A série continua a fazer bom uso das alegorias.


E confesso que, como fã de Eva Green, as cenas em que ela se destaca são sempre minhas favoritas. E ver a reversão da situação, ver Vanessa morder a mão de seu agressor e o submeter a sua ameaça foi simplesmente espetacular, mesmo considerando o final.


Infelizmente, não pela doença, mas pelo fanatismo religioso motivado, ironicamente, por uma Bruxa, vemos Joan Clayton perecer. Queimada viva numa forma diferente daquela que a mídia já nos acostumou, mas realista mesmo assim (algemas e óleo eram muito comuns na Inglaterra e no norte da França quando o assunto era bruxaria). E como se isso não bastasse, vemos Vanessa ser marcada, como sua mestra foi, e assumir o seu símbolo mais marcante, tomando dele sua força de vontade e agilidade, se tornado o Escorpião. Talvez tenha sido uma das coisas mais interessantes sobre o episódios, mostrar como o início da relação iconográfica de Vanessa com o Escorpião partiu do encontro com a Cut-Wife.


É claro que, sendo um episódio de Penny Dreadful, somos deixados com algumas dúvidas e com material para algumas teorias. Eu por exemplo, acredito que o final desta temporada poderá envolver Vanessa tendo que recorrer ao Forbidden, The Poetry of Death. O fato de que não achei muitas referências a tal tomo – o que leva a crer que ele pode ser uma criação da série, ou uma adaptação da mesma para um dos infinitos grimórios macabros que figuram na história da humanidade – só me deixou ainda mais curioso para saber o que diz lá.


Ainda tivemos, finalmente, um esclarecimento sobre de onde Evelyn conhecei Vanessa no passado. E ligar isso a Cut-Wife nos lembra que a série não deixa detalhe ou trama alguma ao acaso.


Para terminar, quero deixar uma hipótese colocada aqui. O fato de Vanessa ter dito não saber o que havia falado quando usou o Verbis Diablo deriva do fato de que Joan nunca disse a ela o que aquelas palavras significavam, ou ela estaria escondendo isso do grupo, por acreditar que esta é uma batalha que ela deve lutar sozinha?


Enfim, o que vocês acham? Compartilhem suas teorias, e até o próximo episódio!

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