Crítica | Penny Dreadful 2x01 - Fresh Hell [Season Premiere]


“Death comes for us all”



Sim! A segunda temporada de Penny Dreadful finalmente juntou-se a nós, e vamos nos reunir e discutir episódio a episódio, enquanto matamos a saudade Eva Green e sua turma, e é claro, somos levados a mais um passeio pelos horrores que assolam a Londres Vitoriana.


Já havíamos nos encontrado antes no “A Série Até Aqui” da série, onde comentei sobre as inspirações literárias da série, seus personagens e cast. A primeira temporada foi excelente, e pelo que “Fresh Hell” nos mostrou, os desafios que Vanessa Ives já enfrentou eram só o começo.


Quero começar comentando a dinâmica de cores/fotografia apresentada pela série. Aquela cena inicial, Vanessa, marcada pela escuridão, caminhando pela neve pura do inverno vitoriano foi sensacional. Aponto a brancura desta cena, porque a escuridão aterrorizante já nos faz companhia desde a temporada passada, embora pareça que ela tenha se tornado mais densa e temível nesta temporada.


Gostei como, mesmo num episódio em que os sub-plots foram desenvolvidos, ainda houve a ideia de “convocação”, todo aquele clima “Liga Extraordinária” não foi perdido. Afinal, a série têm vários sub-plots, e trabalhar todos eles sem perder a ideia de “equipe” central não é tão fácil assim. Só neste episódio temos Frankenstein e suas Criaturas (já que Brona voltou à vida), Ethan e seus problemas como Lupus Dei, Sir Malcolm e sua esposa, Madame Kali e sua casa de horrores e, é claro, a luta de Vanessa contra as trevas.


Vou começar por Ethan, já que a trama dele foi muito pouco abordada na temporada anterior. Gostei muito de já termos uma denominação para “o quê” ele é. E embora Lupus Dei – literalmente, Lobo de Deus ou Lobo Divino – ainda seja um conceito muito vago, creio que Hecate vá nos revelar mais ao longo da temporada. Gostei muito de que ele tenha decidido ficar para defender Vanessa, o que só reforça a dinâmica entre esses dois.


Outra coisa que não pode passar despercebida é que, quanto mais a série se aprofunda no misticismo sombrio que cerca Vanessa, mais é contrastado o ceticismo científico de Victor com a “fé” de Ethan. A discussão dos dois sobre o Verbis Diablo foi excelente.


Falando em Verbis Diablo, gostei muito da maneira com que a série apresentou o conceito. É, para dizer o mínimo, um dos conceitos/“mitos” mais sombrios, mais esquecidos e enterrados na história, de modo que existem várias versões sobre a possível epistemologia do mesmo. A série adotou uma visão que foi usada na literatura daquela época, tão comum nas Penny Dreafuls. Não só faz sentido, como também retoma a ideia expressa pelo padre na temporada passada, a ideia de “sagrado distorcido/oposto” associada ao diabo.


Ainda pensando em relações que foram mais contrastadas, aprofundar, agora nesta hora em que estamos prestes a embarcar em uma nova caçada, a relação paternal entre Malcolm e Vanessa foi simplesmente perfeito, já que reforça a fragilidade e o medo que parecem assolar Vanessa. A declaração de Sir Malcolm, de que não iria perder outra filha foi bem profunda. Depois de tudo o que aconteceu com Mina na temporada passada, ver que ele genuinamente pretende cuidar e proteger Vanessa também reforça o vínculo dos dois.


Numa última observação antes de partir para o final, gostei de Sembene interagindo diretamente com Vanessa, e mais ainda, das falas incisivas dele, tanto para Victor quanto para o grupo como um todo. Já haviam apresentado este lado do personagem, e espero que outros lados apareçam, já que ele continua o mais misterioso dos integrantes do grupo de Sir Malcolm.


Para terminar, quero falar dela que, decididamente me surpreendeu. Porque quando Madame Kali foi introduzida na temporada passada, não achei que ela retornaria, mais ainda com tanto poder.


Logo de chegada, ela tem uma cena que nos lembra a “Condessa Drácula”, a infame Elizabeth Bathory, uma condessa húngara que ficou famosa por matar centenas de jovens para se banhar no sangue delas, acreditando ser este o segredo para a juventude eterna. E não basta se banhar em sangue fumando um cigarro, tem que cantar uma música no mínimo macabra:




“My breast it is as cold as clay, my breath is earthly strong. And if you kiss my cold clay lips, your days, they won’t be long. How often in yonder grove, sweetheart, where we were wont to walk. The fairest flower, that ever saw, has withered to the stalk. When will we meet again, sweetheart? When will we meet again? When the autumn leaves, that fall from trees, are green and sprout again.”



E não para por aí! Não só ela tem um anel muito útil e uma filha com uma personalidade digna do nome “Hecate” – uma das divindades ctônicas (ligadas ao submundo e aos espíritos) – ela parece ter muito mais poder do que a série já mostrou. A cena do “Memento Mori” foi aterrorizante! Mais ainda quando ela sai falando latim como um romano faria:




“It became a custom in Rome that a slave stand on the chariot behind every general returning, holding a scale and whispering into his ears: Respice post te! Hominem te esse memento, memento mori. Look behind you, remember that you are a man, remember that you will die.”



Por hora, é isso. O episódio nos deixa com a promessa de que muito mais está por vir, e é claro, com a cena de mais uma das criações de Victor retornando a vida. E pelo que vi, acho que Brona não esqueceu da vida passada. Já na mansão, no meio da escuridão aterradora, temos o contraste da oração em latim de Vanessa contra o Verbis Diablo de Madame Kali. Quem das duas sairá vitoriosa ou, melhor ainda, que sobreviverá a este embate? Teremos que assistir o próximo episódio para descobrir. Então, vejo vocês lá!

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