Crítica | Gotham 1x22 - All Happy Families Are Alike - [Season Finale]


Jada Pinkket Smith – Fish – você vai fazer MUITA falta.



O dia finalmente chegou. Depois de longos 21 episódios, estamos juntos para discutir a Season Finale de Gotham. E, já que a temporada chegou ao fim, quero aproveitar esta review para fazer uma avaliação da temporada, porque acredito que a Season Finale foi a tentativa da produção de compensar os fãs pelos estragos.


Mas antes, quero agradecer a todos os que acompanharam as minhas reviews. Tenha você lido todos os textos ou esteja lendo só este, deixo o meu muito obrigado. Não vou me desculpar se disse alguma coisa que possa ter ofendido a alguém. Uma review é um texto de opinião, e embora em alguns casos eu seja um tanto “indelicado” com os comentários, não há má intenção em nenhum deles.


Não é segredo que Gotham não é lá essas coisas. A série teve alguns poucos bons momentos, mas se perdeu demais, criou e abandonou tantas tramas quanto foi possível e não deu a mínima para certas referências básicas. A temporada é um 4,0~4,5 de 10,0. Eu evito usar números e fazer este tipo de juízo sobre temporadas como um todo por algumas razões. Primeiro porque acabo esquecendo coisas importantes, segundo porque se a série tiver – como é o caso de Gotham – mais pontos negativos do que positivos, o texto acaba por ficar pobre de crítica e rico de insultos. Além do mais, julgar episódio por episódio me dá a oportunidade de construir reflexões mais detalhadas sobre cada personagem, bem como sobre os arcos e tramas que são apresentadas ao longo da temporada. Mas, como só nos reencontraremos em setembro e acredito que tem gente que não vai correr o risco de assistir outra temporada, pensei em deixar um parecer final, não só para o episódio, mas para a temporada.


Infelizmente, acho que alguém da produção acha que fazer de “All Happy Families Are Alike” uma boa Season Finale pode compensar pelos outros problemas, o que, embora não seja completamente errado, não funcionou com todos os personagens. Mas, deixando de lado os entretantos, vamos partir para os finalmentes e analisar as tramas que nos foram apresentadas.


Vou começar com o menino Bruce. Nos episódios anteriores, o personagem esteve em seus melhores momentos. O “tom” do personagem estava mais acertado. Mas como tudo que é bom dura pouco, o personagem voltou a se perder. A obsessão dele em desmontar o escritório do pai foi, por falta de uma palavra mais leve, patética. A coisa com o controle e a possível Bat-Caverna foi um fanservice dos piores! Se Gotham fosse dedicada aos primeiros anos do Cavaleiro das Trevas como combatente do crime, eu não me incomodaria com todas as coisas que já foram feitas com o menino Bruce, mas a série foi vendida sob a ideia de “primeiros anos de Jim Gordon”, Jim Gordon este que mal protagonista é. Quase todo mundo têm mais importância e personalidade do que o detetive!


E já que falei dele, Gordon é outro que a Season Finale afundou. Toda a coisa do menor dos males como motivação para salvar Falcone até foi bem construído, embora eu ache que aquela cena paternal entre Falcone e ele tenha sido ir um pouco longe de mais. Mas o personagem foi um bocó – sim, exatamente como definido pelo Rei Julien e por Azaghal no NerdCast sobre Age of Ultron – durante quase toda a segunda parte da temporada, e não deixou de ser neste episódio. A cena em que ele faz uma careta de bocó para Selina tentando conseguir que a garota o libertasse só porque eles “meio que tipo” se conhecem foi triste de patética.


Não para por aí! Com todas as pessoas possíveis, ele leva a ex que, para dizer o mínimo, tem alguns problemas mentais, para ser tratada pela atual? #Bocó! A melhor chance que ele teve de se redimir foi defendendo Falcone, mas aquela cena à la Lara Croft não compensou o resto.


Falando nisso, é uma pena que tenham colocado Leslie para dividir uma trama com Barbara, porque a aura de chatice projetada por Barbara afetou Leslie. Durante literalmente todas as cenas das duas eu ficava encarando o canto da tela vendo os minutos passarem, até que Barbara tenta dar uma de Jack Nicholson e leva uns bons tapas de Leslie.


Para sair dessa parte negativa – sim, não são só piadas infames e defeitos, os méritos do episódio virão a seguir – tenho uma última observação. Talvez se tivessem sido laranjas, como foi com Don Vito, eu não teria me incomodado. Mas qual chefe da máfia, no meio de uma guerra aberta de gangues, sai para comprar uma galinha? Não tem suspensão de descrença de que resolva.


Mas chega de falar de coisas ruins! Ou quase. Depende do seu ponto de vista. Especialmente porque vou começar esta parte falando sobre o Pinguim. Ele sempre dividiu minha opinião. Não foram poucos os momentos em que o personagem ficou caricato demais, mas ele decididamente também teve seus momentos altos. Ele é o único além do Charada que poderia dizer “C’est La vie” antes de tentar matar um homem com aquela calma irônica no rosto. Confesso que aquele final foi pra lá de estranho, mas vou dar um desconto porque, mesmo caricato, o submundo de Gotham agora só tem ele como comandante.


Agora sim indo para as coisas boas, vamos falar dela que vai fazer MUITA falta – explicarei no final – na próxima temporada. É claro que me referio a Fish “badass” Mooney. Aquela cena de abertura, a chegada de Fish e seus comparsas no barco, foi sensacional. A personagem foi uma das poucas boas coisas que a série fez, e confesso que gostei muito que tenham colocado ela e Selina juntas. Afinal, Catwoman é uma personagem feminina muito forte, e é razoavelmente plausível – o que se tratando de Gotham é tão raro quanto é possível ser – que ela tenha tido alguma inspiração de outra mulher forte, e Fish Mooney conseguiu se colocar neste hall muito bem. Ao longo da temporada ela traiu, matou, foi responsável – em parte – pela “criação” do Pinguim, tentou tomar o poder e falhou, perdeu um olho, enfrentou o Dollmaker – e sobreviveu! – e ainda conseguiu voltar para a sua cidade em tempo de partir com estilo. Não só ela mudou o visual como também fez a maior entrada “bitches, please” da série. E matar Maroni daquele jeito? Aplaudi de pé!


Mas como em Gotham as coisas boas logo acabam, como a atriz já confirmou que não participará da próxima temporada da série, sabemos que aquela queda, embora sem um corpo para provar e de maneira tosca – considerando o quanto ela conseguiu sobreviver, outra qualidade para relacionar com Selina – a melhor criação da série está realmente morta. É triste, especialmente porque sem ela, metade das razões que eu tinha para assistir a próxima temporada acabou.


Bom, é isso. Me despeço de vocês e de Gotham – pelo menos até setembro – procurando razões para continuar assistindo a série. O Pinguim pode render desenvolvimentos interessantes, assim como o Charada, que teve a loucura muito bem apresentada. Foi muito bom comentar esta temporada com vocês, e se vocês se convencerem a continuar assistindo, nos veremos em setembro. Então, por hora, adeus.

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