Crítica | Gotham 1x21 - The Anvil or the Hammer


“We’re in a shooting war people”



O dia finalmente chegou. Estamos às portas do fim da primeira temporada de Gotham, e embora o penúltimo episódio tenha se dedicado a finalizar mais uma das tramas maçantes – toda a baboseira com o Ogre – sou forçado a admitir que direcionar o foco para uma guerra aberta entre as facções do submundo me parece bem mais interessante do que o resto das coisas que a série fez até aqui.


“The Anvil or the Hammer” seguiu o padrão da série, constituindo um episódio mediano, com algumas cenas realmente muito boas, e montando o cenário para a Season Finale. Vou começar falando de Barbara e do Ogre, porque quanto mais rápido nos livrarmos desses dois, poderemos analisar as partes menos “whatever” da série.


Honestamente eu esperava que Barbara mandasse o Ogre atacar Leslie, talvez para fazer dessa trama minimamente interessante, mas nem isso! A produção foi muito descuidada com Barbara ao longo da série, o que realmente faz com que seja difícil sentir empatia ou preocupação pela personagem, mesmo nas condições 50 Tons de Ogre – excelente trocadilho dos legenders que ficará marcado como melhor parte dessa trama – em que ela se encontrava. Certo, ele morreu, so you know... silver linings.


Mas pensando um pouco, a personagem eventualmente vai precisar voltar para ficar, como bem fui lembrado, porque Barbara Kean precisa servir pelo menos para dar a luz a Barbara que realmente queremos ver, a filha do futuro Comissário, que acompanhou o Cruzado de Capa de Gotham City por tanto tempo.


Saindo das tramas policias por um tempo, e fazendo o nosso passeio pelo núcleo Wayne Enterprises, simplesmente não entendo o sofrimento que parece pesar sobre o menino Bruce depois do que Selina e ele fizeram com Reggie. Certo que matar ainda não faz parte da personalidade dele, mas acho que resgatar uma coisa que já está pra lá de passada não é a melhor escolha para abordar o personagem.


E já que estamos falando do menino Wayne, que surpresa não foi vê-lo confrontado com a realidade dos negócios da família? E mais ainda, conhecer Lucius Fox, ou pelo menos a versão da série para o personagem. Pelo menos ele parece ter parte da determinação que faz do personagem tão marcante, e que foi tão presente na verdadeira boa versão dele, trazida a nós pelo grande Morgan Freeman.


Antes de seguir diretamente para o submundo, quero mencionar o quanto Nygma continua simplesmente roubando a cena. Não bastou o carro verde e o assassinato, ele nos chega com “No body, no crime” e resolve se desfazer dos restos do crime no laboratório da própria delegacia, afinal, quem ia se importar com um corpo num lugar como aquele? E como se tudo isso já não fosse bastante, ainda nos deixa entrelinhas dignas de Easter Egg.


Agora que nos aproximamos do final, vamos às traquinagens de Pinguim no submundo. Eu realmente fiquei sem entender o plano dele, já que sim, gastar os dois chefões um contra o outro e depois aparecer para eliminar o que sobrar pode ser uma estratégia válida, mas acredito que outros veriam essa oportunidade do mesmo jeito que ele. Será que não seria mais fácil ter eliminado Maroni e depois de ter se apropriado das forças dele, partir num ataque contra Falcone? O que vocês acham? Não esqueçam de comentar!


Se você parar para analisar, jogar o nome de Falcone na lama e começaruma guerra aberta coloca a ele em risco, especialmente considerando o quanto Maroni o odeia, e como atacar estabelecimentos do rival faz sentido no meio de uma disputa como essa. Talvez Gordon, num rompante de seu lado mais violento, tenha sacudido demais o nosso ambicioso amiguinho...


Para terminar, queria entender de onde veio à ideia de utilizar “Foxglove” como título para o “clube”. Depois de procurar um pouco na minha coleção de quadrinhos do Batman, o nome continuava a parecer familiar, e mesmo assim, não a encontrei em lugar nenhum. Então, por pura sorte, tirei alguns dos meus Sandman, a obra-prima de Neil Gaiman – all hail Neil Gaiman: HAIL! – e acabei me deparando com a personagem no Sandman #32, o número de abertura do arco “A Game of You”. Um pouquinho mais de pesquisa me levou a descobrir que a personagem também é mencionada no Sandman #06, durante o arco “Preludes and Nocturnes”. Menciono isso meramente para tentar enriquecer o texto, até porque embora a ambientação do “clube” pareça o lugar perfeito para Bullock investigar, fiquei surpreso com ele parando todos sem ter aguentado um minuto do “show”.


Bom, é isso. Queria deixar um abraço para o Thiago Silva e o Luiz André, dois leitores que compartilharam suas ideias na minha última review. É muito bom ter um feedback dos leitores, especialmente quando eles apresentam argumentos e pontos bem fundamentados, o que me ajuda a produzir reviews melhores. E ainda me lembram que não foi só Fish quem desapareceu, Montoya e Allen continuam a aparecer nos créditos, mas acho que ninguém os vê a pelo menos 10 episódios. Vai entender? Gotham é assim...


Espero todos vocês aqui para discutirmos a Season Finale, que chegará com o título de “All Happy Families Are Alike”, espero que realmente estejamos em guerra, e não seja mais uma trama “whatever”. Enfim, vejo vocês lá!

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