Crítica | Game of Thrones 5x04 - The Sons of The Harpy


“You know NOTHING, Jon Snow”



Sim! Com a última frase que eu esperava ouvir depois da morte de Ygritte é que começo mais uma review de Game of Thrones! Nesta semana, em “The Sons of The Harpy”, somos reapresentados a extensão do tipo de “exageros” – para usar uma palavra educada – que David Benioff e D. B. Weiss são capazes de fazer em suas adaptações.


Depois de mais vazamentos relacionados à série, desta vez, os possíveis rumos da temporada foram “divulgados” no 4chan, rumos que embora façam sentido são uma grande... “droga” – para usar uma palavra mais razoável do que as outras cinco ou seis que eu pensei – a série consegue nos decepcionar literalmente nos últimos minutos do episódio.


Não me entendam mal! Tirando o final e falta de Arya, o episódio manteve o padrão de qualidade da série, e teve algumas das melhores cenas de Stannis e Bronn, as Serpentes da Areia e mais dos planos de Mindinho, o que só tornou ainda mais decepcionante a cena final. Mas, reclamações e insatisfações a parte, vamos seguir a rotina e abordar as coisas trama por trama.


Estranhamente, quero começar pelo “sequestro” de Tyrion. Os leitores sabem que a relação desses dois não é lá muito boa, mas gostei do tom em que as coisas foram colocadas até aqui. É claro que, se Tyrion não aprender a não provocar as pessoas com o humor ácido que é marca dele, Jorah, que não precisa de lembretes do quanto a situação dele vai mal com Daenerys, vai repetir aquele tapa algumas vezes.


Saindo de Essos e partindo para a Muralha – sim, partirei do Norte, passo por King’s Landing, Dorne e só então volto para Meereen... – Stannis e Melisandre foram simplesmente impecáveis.


Foi na verdade uma surpresa que Stannis tenha se saído tão bem, considerando que sua primeira cena envolveu Selyse, que não só deve ser uma esposa terrível, como está se provando um personagem beeeeeem desnecessário. Corta-se tanta coisa, mas ela não... Vai saber?


Mas Graças aos Sete – não perderia essa piada por nada no mundo – Stannis teve uma de suas melhores sequências até aqui, e com ninguém menos que Shireen, a filha que Selyse continua a se esforçar por odiar. Certo, como Lord, Pretendente do Trono e homem, deve haver uma parte de Stannis que deseje um filho, mas ver que ele não se ressente da menina, e que ele moveu mundos para salvá-la do Escamagris fez o que nenhum outro elemento faria: humanizou o personagem.


E enquanto Stannis de repente virava candidato para pai do ano, noutra parte de Castle Black, Melisandre começava a aprontar de novo. E mesmo me perguntando que tipo de “vida” Melisandre quer criar com Jon Snow, confesso que rever o “You know nothing” foi simplesmente sensacional!


Ah, antes que eu me esqueça, já que estamos prestes a seguir para Winterfell, Sam – que tem sido mais um “personagem conveniência” (você só procura quando precisa, e perde de vista no resto do tempo) – cruzou uma nova fronteira de burrice. Politicamente falando ele até pode estar certo... Afinal, Roose Bolton tem um título concedido pelos Lannister, ocupantes temporários do Trono de Ferro. Mas é preciso ser muito burro, ou não ser Nortenho – ou ambos, no caso do “Matador” – para não saber que, na prática, Roose Bolton é tão Protetor do Norte quando Daenerys é capaz de controlar seus dragões. Os Nortenhos não obedeceriam ao Regicida do Rei do Norte nem para impedir os Caminhantes Brancos de destruírem o mundo.


Já nas Criptas de Winterfell, quando todos pensavam que Sansa iria se reencontrar com Theon/Fedor, ela acaba por achar a pena deixada por Robert Baratheon para Lyanna Stark, tanto tempo atrás. E como se não bastasse nos surpreender com seus esquemas altamente elaborados, Lord Baelish resolveu nos dar uma aula de história, narrando seu ponto de vista do tão fatídico Torneio de Harenhell, a centelha que ascendeu a Rebelião de Robert.


Confesso que, talvez porque outras mudanças mais... “hediondas” – começo a ficar sem palavras razoáveis para essas adaptações – estão acontecendo, já nem me importo mais com toda a mudança feita na história de Sansa e de Winterfell. Mindinho nos revela pequenas parcelas de seu plano a cada dia, e parece que ele tem algo pronto para cada cenário possível.


Demorei um bom tempo para escolher por onde começar, agora que chegamos a King’s Landing. Tanta agitação, coisas tão aceleradas, tantos desenrolares... Mas começarei pela segunda cena rara do episódio. Porque se Stannis demonstrar afeto já é chocante, o Grande Meistre Pycelle dizer uma verdade agressiva e inconveniente é decididamente surpreendente. E ele não está errado. Cersei, movida por deus-sabe-o-que, parece decidida a separar os Tyrell, e ao mandar Lord Tyrell para mais uma vez enrolar o Banco de Ferro, ela conseguiu diminuir, e fragilizar o já “Pequeno” Conselho.


E já que estou falando dela, e julgando a ação, independente de se foi modificado ou não, Cersei acelerou a escavação da cova em que ela mesmo se enterrará, porque qualquer pessoa com o mínimo bom senso sabe que, legalizar uma milícia de fanáticos religiosos numa cidade que vive da economia gerada pelos bordéis, numa cidade que junta todos os tipos de luxúria e sodomia – pecados dos quais ela também pode acabar implicada... – não é muito sábio. Enquanto ela se preocupa em cutucar o vespeiro que é Margaery Tyrell, jogando Loras nas mãos dos fanáticos e literalmente garantindo que Olena vá aparecer para interferir, ela esquece de calcular consequências. Afinal, se todos os pecadores são iguais, ela talvez devesse considerar quanto tempo vai levar para os Pardais Militarizados – não ficou claro qual dos braços da Fé Militante eles são, talvez os Filhos do Guerreiro... – resolverem bater na porta dela. Se eles tentaram derrubar os Targaryen no passado, não sei como ela pensa estar salva... Quando a vez dela na fila chegar, coisas boas é que não a aguardarão.


Já pegando o navio mercante para Dorne, mas antes de sair, Tommen mais uma vez provou ser um tanto... “verde” – nunca pensei que fosse usar essa expressão dos livros... quem diria? – e embora fraqueza quando um bando de fanáticos o impede de prosseguir e há gritos de “bastardo” na multidão não seja muito apropriado para um governante – Tywin não deixaria... –, ele evitou causar um derramamento de sangue, que é o que Joffrey faria. Numa outra existência, o rapaz, dado o treinamento apropriado, até poderia ser um rei mediano.


As areias escaldantes de Dorne também nos renderam excelentes cenas. Para começar, não achei que nos depararíamos com a incapacidade de Jaime tão cedo. Confesso que foi até um tanto desconfortável testemunhar a dificuldade que ele teve para matar um único homem, enquanto Bronn cuidava do resto.


Bronn, este sim roubou a cena. Eis aqui uma adaptação de que ainda não posso me queixar! Ele provou definitivamente um argumento que eu já defendo há bastante tempo: um eficiente mercenário, desde que bem pago, e é claro, desde que você tenha sempre como cobrir as ofertas que possam surgir contra você, é indispensável.


O fato é que toda essa trama de Bronn e Jaime juntos pode render muita coisa ainda. Já tivemos a cena noturna, todo o tom de contrabandismo, muito parecido com a cena em que Davos ajuda Melisandre a “dar a luz” a um de seus filhos sombrios, funcionou muito bem, sem contar com o vislumbre de Tarth, que certamente causou algumas reflexões em Jaime. E ainda tivemos a discussão de Jaime com Bronn, sobre os motivos para a empreitada, onde não só fica claro que o mercenário sabe sobre Jaime e Cersei, temos ainda a primeira “justificativa” – embora ache que mais tem a ver com ficar longe de Cersei do que com culpa – para ele ter saído nessa “aventura” para resgatar Myrcella.


E como se isso não fosse o suficiente, finalmente conhecemos as filhas de Ellaria e Oberyn, as Serpentes da Areia. Certo, Tyene e Nymeria Sand foram impressionantes, mesmo sem realmente precisarem fazer nada, mas Obara?! Ela é muito mais badass do que eu esperava! Eu é que não queria ser vítima da fúria dessas três...


E por fim, de volta a Essos, mais especificamente Meereen, era de se esperar que pelo título do episódio os Filhos da Harpia causassem problemas. O que eu não esperava, especialmente considerando que o personagem tem funcionado muito bem como essa ponte entre Daenerys e a história de sua família, é que Sor Barristan fosse acabar dessa forma.


Bom, vou ficando por aqui. Se eu continuasse, não sei quantos parágrafos eu conseguiria escrever sem ser no mínimo indelicado ao me referir a essa última adaptação. Conhecendo Martin, eu já estava me preparando para me despedir do personagem em “The Winds of Winter”, mas como toda a trama que o personagem tinha e o que acontecerá em Meereen agora eu realmente não sei, e prefiro esperar pelo próximo episódio para saber. Então, se vocês concordam ou discordam com alguma das minhas críticas, não esqueça de deixar seus comentários. Até a próxima semana!

Patreon de O Vértice