Crítica | Daredevil 1x11 - The Path of the Righteous


“Do you know who I am?!”



Sim! Cumprindo com o que prometi, me junto a vocês pelo terceiro dia consecutivo para comentar mais um episódio de Daredevil! Agora chegamos ao décimo primeiro capítulo de nossa saga, intitulado “The Path of the Righteous”. Decididamente um episódio intenso, especialmente considerando a sequência do final. É claro, também tivemos reflexões filosóficas, Rosario Dawson (<3), Leland sendo Leland, Easter Eggs d’O Gladiador e muito mais! Então, chega de entretantos, e vamos à review!


Quero começar falando sobre Foggy, já que, na maré de consequências e repercussões do episódio, ele foi quem menos participou. Primeiro, temos ele e Marci, no que claramente foi uma má escolha envolvendo álcool e ressentimentos relacionados ao episódio passado. Depois, temos a cena dele no bar com Karen, onde ele decide que manterá o segredo de Matt. No geral, fica claro que o rumo do personagem está sendo trilhado em direção a uma “reconciliação” com Matt. Já que a advocacia parece ter sido abandonada como cenário ou trama – sim, um deslizezinho da produção – se faz necessário usar esses outros contextos (a raiva de Karen), para direcionar o personagem.


Deixando isso de lado, quero falar um pouco sobre Matt e seus dois paramours. Confesso que a dose de humor no comentário de Matt sobre ter sido um carro japonês – acho que até Nobu teria rido... hahaha – quando ele tentava não responder as perguntas de Karen foi impagável.


Depois, é claro, finalmente tivemos a oportunidade de rever Rosario Dawson. Ela voltou para, mais uma vez, apresentar reflexões importantes sobre a jornada do herói, dar voz a reflexões que são parte dessa jornada e do processo de composição do personagem. Afinal, ela está correta quando diz que sempre haverá alguém, alguma coisa que coloque a cidade e o povo em perigo. É a verbalização daquilo que define o herói, a pessoa incansável, que faz sacrifícios por aquilo que ele acredita. E questionar isso dentro da série, não só nas reflexões e interpretações, mas num diálogo bem direto, é algo louvável. E, não satisfeita com tudo isso, ela ainda nos oferece uma quote que define o espírito da Night Nurse:



“I’ll always be there, when you really need me, to patch you up”

Claro que as tramas do Sr. Murdock não se resumiram a isso. Matt ainda tem uma cena de luta intensa com Melvin Potter, o homem que constrói os ternos de Fisk e que fará a “armadura” do Demolidor. É claro que ele ainda não é – e talvez não venha a assumir esse papel – o Gladiador. Mas além da sacada com as lâminas circulares e do fato de que ele tem o mesmo nome – daí acreditar que eles são o mesmo personagem – e mesmas características do personagem dos quadrinhos, há uma série de Easter Eggs na oficina dele, todos ligados apontando diretamente para o Gladiador.


É claro que o que realmente marca da trama é a ideia iconográfica associada a essa sequência e ao diálogo de Matt com o Padre Lantom. Embora ele só vá vestir a armadura, se tornar esses símbolo, nos próximos episódios, é importante ver e perceber que há mais do que meramente uma cruzada contra Fisk envolvida na história. Que o Demolidor, o vigilante de Hell’s Kitchen, precisa ser mais do que meramente um individuo que se move nas sombras. É preciso que um símbolo seja criado, que ele deixe, dessa forma, uma impressão marcada na mente de todo o submundo, para que ele realmente faça a diferença.


Antes de partir para o núcleo do Rei do Crime, quero mencionar uma observação feita por Ben Urich. Ele tem tido que lidar com os problemas pessoais envolvendo a esposa, e ao mesmo tempo, toda a ideia de seguir a caçada pela história que Karen cada dia mais se esforça para motivar. E desta vez, ele não perdeu a oportunidade de dizer uma verdade sobre a vida de quem escreve. Afinal, embora eu não seja jornalista ou – pelo menos não tenho “formação” para tal – escritor, é uma verdade absoluta que, quanto mais difícil é seguir e escrever a história, maior é a importância dela, e maior é o dever – responsabilidade – de escrevê-la.


Dito isso, vamos seguir em frente e checar nas últimas – nunca escrevi isso tão literalmente... hahaha – traquinagens de Wesley. O braço direito do Rei do Crime se viu forçado a tomar a frente da situação, já que, dado o atentado que vitimou Vanessa, Fisk não se encontrava em condições de lidar com nada.


Foi uma grata surpresa colocar Leland e Wesley para dividir tantas falas icônicas num episódio só. Os diálogos dos dois sempre são muito bons, mas combinar a acidez de Leland com a vontade de servir à Fisk de Wesley numa sequência só foi uma jogada de mestre.


É claro que, esse final só poderia terminar de um jeito, já que não acho que Karen fosse ceder. E embora o personagem tenha terminado como terminou, não posso me esquecer de deixar os meus cumprimentos pelo excelente trabalho de Toby Leonard Moore como Wesley. Ele ocupava o lugar de “subordinado”, e talvez seja por isso que esse lado “vilão de James Bond” – não é uma crítica, é um elogio – que ele mostrou ao ameaçar Karen, talvez esse lado não tenha tido todo o espaço que merecia, mas que foi uma cena espetacular, ah, isso foi. Minha única ressalva é que, como diz um amigo meu, ele garoteou bonito com a arma, e por isso acabou assim. Quando alguém sai com:



"Do you really think I would put a loaded gun on the table where you could reach it?"

Você espera que a pessoa tenha sido sensato o suficiente para realmente ter esvaziado a arma. Que Karen tem um “passado que condena”, isso ninguém duvida, embora tenha sido um tanto chocante ver a Srtª. Page puxar o gatilho seis vezes seguidas.


Bom, é isso. “The Path of the Righteous” foi, acima de tudo, um episódio sobre consequências. O preço que se paga por ser o Rei do Crime e o Demolidor está sendo exposto e cobrado de Fisk e Matt. As perdas lhes são impostas como custo de suas ações e os sacrifícios que eles têm e terão que fazer. Mas por hora, tenho que dizer au revoir, já que há sempre um outro texto para ser escrito. Prometo voltar ainda esta semana – talvez não amanhã, mas ainda essa semana – para encerrarmos a nossa jornada por Daredevil. Então, até a próxima!

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