Crítica | Daredevil 1x10 - Nelson v. Murdock


“Change is inevitable”



Estamos de volta para comentar mais um capítulo de Daredevil. Chegamos a um ponto crucial na jornada de nossos personagens, e esquemas já estão sendo colocados em movimento para garantir uma Season Finale impressionante.


“Nelson v. Murdock” continua a história imediatamente após os eventos do episódio passado e, como o título sugere, o episódio apresenta a discussão de Foggy e Matt depois que Foggy descobriu as “atividades noturnas” de Matt. Como já é característico na série, sempre que nos centramos em um ou mais personagens, não só temos o “confronto” deles, mas também aprendemos mais sobre o passado de Matt e Foggy e tudo o que aconteceu entre eles, que os levou a serem melhores amigos e a decidirem abrir a firma juntos. Mas, entretantos de lado, vamos à review.


Vou começar com uma crítica. Não que tenha sido uma falha gigante ou nada do gênero. Questões de agenda e orçamento devem sempre ser consideradas quando o assunto é a participação de um ator ou atriz numa série. Mas foi uma pena que dessa vez só tenhamos tido referências à presença de Rosario Dawson e não outra aparição de Claire.


Antes de eu chegar à parte sobre Murdock e Nelson em si, quero falar sobre mais uma das excelentes aparições dela que ainda é um completo mistério: Madame Gao. Foi uma grata surpresa revê-la. Afinal, ela consegue, com ou sem alegorias, render boas cenas, e a história sobre a cobra o elefante não foi exceção à regra. Só ela consegue fazer uma ameaça nada velada com o tom de quem comenta o clima, mas causando o mesmo impacto de quem noticia a morte.


Partindo para a trama central do episódio, tenho que apontar um outro detalhe que me incomodou um pouco. Não chega nem a ser uma crítica, já que ficou plausível e não prejudicou a série em nada. Mas acho que não fui só eu quem achou que Foggy foi um tanto “dramático” em suas reclamações. Eu até entendo a posição dele, afinal, eu só posso imaginar toda a dúvida e desconfiança que devem surgir ao se descobrir que o seu melhor amigo é um Vigilante. E talvez eu esteja errado, mas achei excessivamente dramático ele questionar se Matt era realmente cego. Certo que ter uma identidade secreta e tudo o mais demanda um bocado, mas não acho que ninguém fingiria ser cego (#JustMyOpinion).


E embora minha área seja a Literatura, e não a Lei, acredito que não seja “ilegal” – por assim dizer – ou “invasivo”, ouvir o batimento cardíaco de alguém sem uma permissão expressa, especialmente considerando que Matt não precisa tocar a pessoa para tal.


Já no departamento de flashbacks – uma excelente escolha para se pontuar entre as tramas e a discussão – vimos como Matt e Foggy se conheceram e evoluíram profissionalmente, com direito a dois Easter Eggs enormes. Primeiro temos uma menção a uma “garota grega”, que acredito ser ninguém menos que Elektra Natchios. Já que, em mais de uma ocasião – se a memória não falha na Superaventuras Marvel (não me recordo do número) e na linha Ultimate – Matt e Elektra realmente se conhecem na faculdade.


Tivemos ainda outra menção a Roxxon, desta vez com uma visão interna do caso que fez Matt decidir não seguir o ramo corporativo. Já tínhamos consciência de que Matt e Foggy acabaram não aceitando as ofertas de emprego na Landman & Zack, e ver o caso que motivou essa saída reforça a ideia representada pelos dois.


Confesso que o encadeamento da trama de Ben Urich neste episódio me surpreendeu. Pensei que simplesmente veríamos a esposa dele e como isso o motivaria a deixar a investigação sobre o Rei do Crime de lado. Achei que a maior ação na trama dele seria o vislumbre – esse foi para quem prestou atenção mesmo – de uma das matérias emolduradas na sala dele, que por acaso era sobre a Batalha de New York, noutra referência ao primeiro Vingadores. Qual não foi a minha surpresa quando ele saiu de um canto logo quando Karen estava prestes a abrir a caixa que eu jurava ser uma bomba?!


Fazer Karen compartilhar novamente uma trama com Urich foi excelente, já que ela serviu para conectar a condição da mulher de Urich com uma pista gigante – e surpreendente – sobre o passado de Fisk. Quer dizer, ela já havia demonstrado que é uma caixinha de surpresas, e essa sensação foi reforçada aqui. No momento ela sabia exatamente em que quarto bater e quais perguntas fazer, acho que em algum momento antes da “revelação” em si, a ficha já havia caído para todos de que aquela era a mãe de Fisk.


De volta ao apartamento de Matt e a briga entre os dois amigos, achei muito bom que o primeiro “caso”, a situação que motivou Matt a vestir o manto de Vigilante de Hell’s Kitchen, tenha sido contada, mais ainda por ter somado isso a toda a carga dramática da situação com Foggy. E como se isso não fosse o suficiente, Matt ainda reforçou a nossa certeza de que ele aceita e abraça seu papel como Vigilante, que cada dia mais ele se aproxima do momento de vestir a sua armadura “clássica” e ser o Daredevil de Hell’s Kitchen.


Por hora é isso. Depois de um final como esse, onde Foggy parece ter decidido cortar relações de vez com Matt, Karen e Ben fizeram uma descoberta, Leland não perdeu a oportunidade de nos providenciar um alívio cômico ácido como só ele consegue fazer e tudo isso coroado com um atentado à Fisk que pode ter vitimado Vanessa, sabemos que o próximo episódio será ainda mais emocionante. E como chegamos à fase final da temporada – e para compensar a demora e os atrasos entre os textos – pretendo publicar o próximo capítulo de nossa jornada amanhã. Então, até daqui a pouco.

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