Crítica | Daredevil 1x09 - Speak of the Devil


“Art should speak to you, move you.” ou “It isn’t a perfect world”



Sim! Depois de um intervalo excessivamente grande – pelo qual, eu me desculpo infinitamente – voltamos a falar sobre Daredevil. Chegamos ao nono episódio, “Speak of the Devil”, onde finalmente temos o confronto do nosso “herói” com Nobu, que finalmente vestiu as cores clássicas do The Hand.


E é exatamente pelas particularidades dessa sequência que eu quero começar. Afinal, não foi só abraçar o estilo de luta de sua Ordem e vestir suas cores para confrontar um inimigo, foi a genialidade da cena como um todo que chamou a atenção. Toda a coisa de pontuar o episódio com leves flashforwards do embate entre Matt e Nobu para ir construindo o episódio até mais uma das simplesmente épicas cenas de luta apresentadas pela série foi simplesmente perfeito.


O episódio vem depois de dois episódios aprofundando e preparando os personagens para os confrontos que vimos aqui, e um retorno como esse exige um bocado da série. É claro que a série entregou exatamente o esperado. Tivemos um episódio de encontros, reencontros, perdas e descobertas. Vou começar pelo reencontro com o Padre Lantom.


Eu já havia mencionado anteriormente que a DC e eu sempre fomos “amigos mais íntimos” quando eu crescia. E embora os quadrinhos do Demolidor fossem uma das poucas exceções naquela época, passei a receber – e aceitar – muito mais sugestões de quadrinhos da Marvel com o passar dos anos. Recentemente uma amiga me recomendou a HQ dos Fugitivos (Runaways, no original). Ela me disse que a proposta envolvia adolescentes que descobrem que os pais são vilões e – como o título sugere – fogem, formando um grupo cujos descendentes são a diversidade em pessoa, já que temos tudo desde filhos de Chefões da Máfia até mesmo Aliens, Cientistas Loucos e Feiticeiros. Imaginem a minha surpresa ao encontrar o Padre Lantom ao ler a Runaways, Vol.2 #9? E agora que os Fugitivos ganharam um espaço definitivo na minha coleção, me pergunto se a presença do Padre pode ser um indício de um possível crossover...


Enfim, de volta ao episódio, não posso deixar de mencionar o quanto a série sempre me surpreende com as discussões filosóficas que apresenta. Considerando que o Demolidor é um personagem envolto em elementos e iconografia, toda a cena da discussão sobre acreditar no Diabo foi interessante. O questionamento prático, a oposição da visão do mesmo como um conceito, aplicar uma camada de praticidade, o ceticismo e até mesmo a ideia de “verdade”, contestar tanto de maneira tão cientificamente sólida – toda a epistemologia da palavra e a dose de filologia aplicada ao conceito de “Satã” – tudo isso num diálogo com um representante da fé... é esse tipo de coisa que faz a série ser espetacular.


Não contente com tudo isso, a série ainda resgatou uma personagem que eu decididamente fiquei feliz em rever. Fazer Vanessa dividir uma cena com Matt foi curioso. Ele tinha um propósito em estar ali, e mesmo assim, é difícil não gostar das cenas que envolvem Vanessa. A personalidade dela foi muito bem capturada pela série. Ela fala sobre Arte com a paixão de um Artista e alma de um Poeta. Talvez a Literatura tenha afetado meu julgamento sobra a personagem, mas as cenas dela são simplesmente indescritíveis. Sem contar que, usar esta sequência para preparar o primeiro encontro de Fisk e Matt foi uma jogada genial.


A morte da Senhora Cardenas, embora não tenha sido realmente algo inesperado, decididamente teve um impacto emocional. A personagem esteve em vários momentos importantes da história, e vê-la se transformar em mais uma das consequências das ações de Fisk e seus associados foi um tanto triste.


Karen e Foggy continuam a sua cruzada, e continuam a dividir cenas carregadas por uma carga emocional enorme. A cena do bar, o “We make them pay” dela foi outro presente do episódio. As duas sequências no apartamento de Matt tiveram esse mesmo peso. Primeiro o baú, que eu achava que só continha a roupa de vigilante de Matt, não as recordações do pai dele. Depois, aquele final que... Deixa eu comentar sobre o Rei do Crime antes, já que estamos chegando ao final do texto e das tramas do episódio.


Certo que Matt estava em desvantagem e ferido, mas não diminui o impacto que foi rever o Rei do Crime que realmente vai a briga, que perde a cabeça – e que faz pessoas perderem a cabeça... (não me cansei da piada sobre a porta do carro ainda) – e abraça a violência e a insanidade foi mais uma das excelentes cenas do episódio.


É claro que, com este final, a Netflix nos lembra de sermos agradecidos por não termos que esperar uma semana ou mais pelo próximo episódio. E depois de ter demorado tanto, prometo que amanhã continuaremos nossa aventura. Afinal, já passou da hora de terminarmos essa jornada. Então, até já.

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