Crítica | Battle Creek 1x08/09 - Old Wounds/Gingerbread Man

Pagando o preço por apresentar os bons episódios muito tarde na temporada.


Sim! Depois que a série se juntou à lista de vítimas do Upfront, finalmente voltamos a nos reunir para conversar sobre Battle Creek. Demorei para voltar a escrever sobre a série justamente porque quis esperar a certeza do Upfront. Não foi nenhuma surpresa que a série tenha sido cancelada, especialmente considerando os números da audiência dos primeiros episódios. Se a série tivesse começado com tramas boas como as apresentadas em “Old Wounds” e “Gingerbread Man”, talvez as coisas tivessem sido diferentes.


Mesmo assim, pretendo, como fiz com outros cancelamentos, comentar os episódios até a Series Finale. Afinal, quando começamos a jornada por Battle Creek, sabíamos que o cancelamento era uma possibilidade. Então vamos começar por “Old Wounds”.


Quero começar apontando uma coisa: mesmo a série tendo sido cancelada, ainda existe alguma consistência na história. Retomar Danny e o assassinato dos pais dele foi uma boa escolha de trama. Gostei mais ainda de como as coisas acabaram se resolvendo entre ele e Kim. É um exemplo de que Shore e Gilligan tinham planejado uma boa série, só que gastando tempo demais com tramas “whatever”.


Mostrar que a corrupção/incompetência dentro da polícia de Battle Creek é ainda mais extensa – classificar alguém como suspeito pelo acenar da cabeça de uma criança em choque não é lá muito ético... – do que se percebe a primeira vista foi bem interessante.


Uma coisa que realmente me chocou foi o comportamento de Milt. Não esperava que ele usasse a cartada do “You’re not my superior”. Simplesmente não combina com o exterior de “bom-moço” que ele procura passar. Talvez a teoria de Russ esteja certa e, com o tempo, o charme de Milt desaparece é e substituído pela arrogância.


Toda a trama paralela com Font e Jacocks investigando o namorado de Holly e depois a própria Holly foi um bom alívio cômico para o episódio. Imaginar Holly batendo em alguém com um taco de baseball não é lá muito fácil.


Ter outro episódio focado em Russ, agora em seus problemas de carreira só me faz questionar como a série acabará, e se teremos tempo de descobrir o segredo de Milt (tenho minha teoria, mas não vou compartilhar ainda). Foi sim interessante ver Russ trabalhar num caso que havia sido fechado pelo mesmo chefe ruim que o infernizou por anos. É claro que um pouco mais de Milt talvez fosse interessante. Certo, toda a dedicação de Milt e esse excesso de informação sobre trauma infantil pode ser uma pista, mas mesmo assim, são meras abstrações, nada concreto. Mesmo assim, gostei de ver hipnose sendo usada para resolver um caso. Tudo o que é heterodoxo é sempre um lembrete do que Gilligan e Shore podem fazer.


Agora passando para “Gingerbread Man”, a série realmente me surpreendeu por mostrar esse lado de Font em que todos confiam. Afinal, o FBI estava certo de que o criminoso estava morto, e até mesmo Kim estava disposta a apostar mais no palpite de Font. Certo, escolheram um bom elemento de discernimento para o personagem, já que não esquecer rostos combina com Font.


Também foi bom rever o clássico “Font e Russ sem contar a Milt”, especialmente porque nos rendeu aquela cena da ponte. Fiquei chocado quando Russ pulou, mais ainda por descobrir que ele tinha planejado e executado uma pegadinha épica em Font, só para provar que o FBI tinha cometido um erro.


Gostei de como aqui já é claro que Milt e Russ, embora ainda relutem com a parceria, já discutem a vida amorosa e as linhas de moralidades cruzadas ou não entre si. Foi uma pena que Russ não tenha dito nada a Holly, porque acho que todo mundo está torcendo por esses dois, não só entre os fãs, mas literalmente todos que conhecem os dois.


Fiquei chocado que Spades fosse um criminoso tão preparado. Bombas programadas com o delay padrão da polícia, memorizar os rostos dos policiais... Font decididamente arrumou um nêmesis intrigante.


E considerando o que acaba acontecendo com Font foi um elemento usado para unir os policiais, os motivar a capturar Spades por um instinto de qui pro quo, justiça por uma camarada, podemos dizer que embora siga na direção da verossimilhança para gerar a katharsis – “perder” alguém como consequência do confronto com um inimigo poderoso – também perde um pouco a graça, por recorrer a algo já feito incontáveis vezes antes.


Enfim, é isso. Battle Creek caminha para seu final, e para a nossa infelicidade, bem na hora em que a série começava a tomar forma como algo interessante. Mas, é o clássico fardo de todo seriador, lidar com esses cancelamentos. Bom, vejo vocês na próxima review. Até lá!

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