CD Projekt Red | Conheça a história do estúdio polonês que deu The Witcher 3: Wild Hunt ao mundo

The Witcher tornou-se uma franquia no mundo dos games cuja reputação a precede.E essa semana foi lançado o terceiro e mais ambicioso game da trilogia: The Witcher 3 Wild Hunt e assim como toda a internet, nós PRECISAMOS falar sobre ele, não porque é o trending do momento, mas porque o jogo é simplesmente incrível. Entretanto para não falarmos sobre a história dos livros de Andrzej Sapkowski que você provavelmente já leu por aí, ou mesmo sobre a história dos games que você pode jogar, nós faremos diferente, começaremos falando sobre os responsáveis pela criação dessa grande obra dos videogames, vamos contar uma breve história sobre a CD Projekt Red e como ela começou.


Essa história começa com Marcin Iwinski que na década de 80 era um pré-adolescente que adorava o ZX Spectrum (microcomputador de 8 bits dos anos 80) que seu pai trouxe da Inglaterra. Porém a Polônia nessa época era uma província da União Soviética onde achar jogos era impossível e sair do país era difícil. A única maneira de Iwinski conseguir jogos era através de seu pai, que era documentarista e podia sair do país a trabalho e durante as viagens os comprava. Com o passar do tempo surgiu o mercado negro e novas formas "alternativas" de conseguir games, já que não havia leis de direitos autorais por lá.


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Eventualmente Iwinski entrou no mercado negro e passou a distribuir os jogos do ZX Spectrum. Conseguiu contato com um grego que concordou em copiar os lançamentos, tendo apenas duas semanas de diferença entre o lançamento e a chegada em mãos para Iwinski. Em entrevista ao Eurogamer ele disse:


[su_quote]Na época fiquei extremamente feliz. Cheguei ao mercado de computadores e da noite para o dia era um grande astro. Levava os principais lançamentos antes de todo mundo.[/su_quote]


Em um dos cursos que fez, ele conheceu outro cara que vendia jogos de Atari: Michael Kicinski. Os dois faltavam bastante as aulas para jogarem e acabaram tornando-se melhores amigos. Já nos anos 90, surgiu a mídia em CD, com armazenamento maior e mais fácil de clonar. A Guerra Fria tinha acabado facilitando as importações e ainda não havia nenhuma legislação sobre pirataria. Assim em 1994, surgiu a CD Projekt, que na época era uma microempresa que distribuía jogos alternativos (ou seja, versão pirata mesmo).


Marcin Iwinski e Michael Kicinski só tinham dois mil dólares para investir na empresa e o escritório deles era um quarto cedido por um amigo. Cinco anos depois eles decidiram se legalizar, mas surgia uma questão importante. Como o consumidor compraria um produto original se o mesmo conseguia mais barato na pirataria? Os dois resolveram apostar alto e investiram todo o orçamento da empresa em um game que estava fazendo sucesso na época, Baldur’s Gate.


16A CD Projekt pagou 30 mil libras a Interplay para distribuírem 3 mil cópias. Gastaram mais trinta mil para contratar dubladores famosos, traduziram todos os textos para o russo, incluíram o mapa do jogo, CD com trilha sonora e caixa com material de qualidade. A escolha de Baldur’s Gate foi estratégica visto que ele vinha em cinco CDs e ficava caro na pirataria também. Assim, os piratas saíam por 15 libras e da CD Projekt por 30.


Todas as cópias foram esgotadas em apenas três meses! Em seguida eles licenciaram cinco mil, sete mil, oito mil, por fim dezoito mil! Foi necessário um galpão para manter todo o estoque.


Com o grande sucesso, em 2001 a Interplay entrou em contato para a distribuição da sequência, Baldur’s Gate: Dark Alliance. Porém veio um novo desafio: o jogo era exclusivo de consoles, e os vídeo games na Polônia eram quase nulos. A solução? Converter o jogo para PC.


Para o trabalho foram chamados um jovem que tinha feito uma versão pirata de Return of Wolfenstein, Sebastian Zielinski e um roteirista de filmes, Adam Badowski. Mas durante a conversão, a Interplay rompeu o contrato por motivos financeiros. Contudo eles não se abateram e resolveram produzir seu próprio jogo.


Foi aí que tudo mudou, quando Marcin Iwinski, um dos dois co-fundadores da CD Projekt se encontrou com o renomado autor polonês de fantasia, Andrzej Sapkowski, e convenceu a ele a vender os direitos de sua saga literária por um valor consideravelmente baixo, que era tudo que ele podia pagar naquele momento. Assim surgiu The Witcher... ou quase.


The Witcher USA


Após inúmeras tentativas, com a primeira demo não sendo um consenso entre eles mesmos no quesito qualidade e a demissão do chefe do projeto, a equipe de Kicinski, onde a maioria deles não tinham qualquer experiência em desenvolvimento de jogos, estava perdida.


Até que a Bioware que havia desenvolvido Baldur’s Gate resolveu ajudá-los.


A Bioware, que hoje é a responsável por grandes RPGs atuais como Mass Effect e Dragon Age, tem um dedinho de responsabilidade em The Witcher 3: Wild Hunt que é o maior lançamento do ano. Afinal, na época eles cederam a engine Aurora e ainda propuseram um pequeno espaço no seu stande na E3 caso a demo ficasse boa utilizando a engine. E foi dessa forma que The Witcher, o primeiro, foi para a E3 de 2004.


Entretanto, o lançamento do jogo só aconteceu em 2007, após cinco anos de desenvolvimento e custando cerca 20 milhões de zlotis (pouco mais de 16 milhões de reais na conversão) e isso representava 110% do orçamento da empresa. Tudo dependia do sucesso do jogo que por sorte deles e principalmente nossa acabou se realizando, The Witcher acabou virando tanto sucesso de público quanto de crítica, alcançando dois milhões de cópias vendidas.


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Não é difícil imaginar o que aconteceu com a empresa depois disso, eles usaram o dinheiro para se reestruturar e contratar novas pessoas, agora mais experientes eles pensaram em seu próximo lançamento e o resultado foi que em quatro anos depois veio a sequencia, The Witcher 2: Assassins of Kings que vendeu duas vezes mais que o primeiro e ganhando 50 prêmios e que é simplesmente sensacional.


O game ganhou até mesmo uma declaração do presidente dos EUA, Barack Obama:


[su_quote]Confesso que não sou muito bom em jogos eletrônicos. Mas me contaram que este é um grande exemplo do lugar da Polônia na nova economia global e que é um tributo aos talentos e éticas trabalhistas do povo polonês.[/su_quote]


Novamente nós não precisamos explicar o que aconteceu com a empresa após o enorme sucesso do segundo jogo, certo? The Witcher 3: Wild Hunt já alcançou um milhão de cópias vendidas apenas na pré-venda, é considerado um dos jogos mais ambiciosos já feitos e não queremos dar spoiler da nossa crítica que deve sair essa semana, mas certamente é o grande motivo para você comprar um console de nova geração, caso você ainda não tenha feito.


Nada mal para uma empresa que tem apenas 3 grandes lançamentos e que não teve todas as oportunidades comerciais daquelas que nascem nos EUA, certo?

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