Crítica | Game of Thrones 5x03 - High Sparrow


“There is only one God. A girl knows his name”



Outro dia de Game of Thrones chegou. E embora “High Sparrow” tenha sido um episódio dentro do padrão de excelência da série, é inegável que a liberdade criativa dos produtores foi um pouquinho longe em certas tramas.


Não tenho a menor intenção de ser um criador de discórdia com aquilo que escrevo, mas uma review é, inegavelmente, um texto de opinião, e vou dizer algumas coisas que talvez não sejam do agrado de todos. Sintam-se livres para comentarem positiva ou negativamente – ou ambos! vai saber? – porque opiniões precisam de outras opiniões para continuar. Dito isso, vamos aos detalhes de mais um domingo de Game of Thrones.


Eu vou começar pelo Norte, porque além da Muralha, finalmente temos novas tramas em Winterfell. Também porque quando pararmos em King’s Landing tem muita coisa para se dizer, sem contar que Essos, embora tenha tido alguns desenrolares interessantes, foi unicamente vista pelo ponto de vista de Tyrion e Varys.


Enfim, as coisas agora começam a tomar proporção na Muralha. Passada a Eleição para Senhor Comandante, Jon Snow agora tem muitos problemas para enfrentar. Para começar, ele continuou Snow. A recusa dele a Stannis seguiu o que era esperado, e mesmo assim, rendeu bons diálogos. Confesso que não esperava que Stannis anunciasse sua marcha sobre Winterfell como algo tão imediato. 15 dias pode ainda ser nessa temporada, o que significa que entraremos em território totalmente novo na próxima temporada... Mas já me adianto demais.


Outra surpresa da parte de Stannis foi a maneira como ele foi usado para justificar Jon Snow tomando responsabilidade pelos Selvagens. Davos e Stannis dividiram várias boas falas, especialmente sobre comando e inimigos. Stannis realmente é rigoroso, mas isso não significa que ele esteja completamente errado em todas as situações. E se você parar para pensar, o peso destas palavras foi um dos fatores que levou o Senhor Comandante Jon Snow a ser o homem que deu a sentença e brandiu a espada (não pude evitar! hahaha).


Fazendo uma parada em Winterfell, na verdade, descendo para o Fosso Cailin para depois chegar a Winterfell, colocar em prática a trama do casamento de Ramsey foi interessante, mas faz ZERO sentido para mim Baelish oferecer Sansa a ele. Por dois episódios realmente achei que algo produtivo sairia desta trama de caminhos inéditos para Sansa e Baelish, mas isso já é forçar demais a suspensão de descrença!


Pensando bem... se essa substituição de Jeyne Poole – a.k.a. falsa Arya usada pelos Bolton para assegurar uma “aceitação” do Norte via casamento – e sua trama com Theon/Fedor por uma trama com Baelish se aliando e traindo os Bolton – estou usando a criatividade e preenchendo lacunas para tentar conciliar essas mudanças com algo aceitável para mim como leitor – e Sansa talvez dividindo uma trama com Theon/Fedor, talvez todas as esperanças ainda não estejam perdidas.


Mas é um fato de que a reconstrução de Winterfell começou neste episódio, e como bônus no departamento de “primeiros”, vimos Theon/Fedor, sem contar com um lembrete da brutalidade de Ramsey Snow, quer dizer, Ramsey Bolton – não quero aborrecer o ex-bastardo (entendedores entenderão) – sem contar com outra aula de política da parte de Lord Bolton. No geral, o Norte vai ter muitas surpresas, boas e ruins para nós até o fim da temporada.


Agora vamos seguir para uma parte cheia de trocadilhos prontos da história. É claro que me refiro a King’s Landing, onde tivemos o primeiro – se esqueci de algum outro, me lembrem nos comentários – casamento pacífico da série. Tommen I Baratheon, para grande infelicidade de Cersei, casou-se com Margaery Tyrell numa cerimônia mais simples – o que foi algo sabiamente preservado dos livros – do que o esperado de um rei.


E como se mostrar o casamento já não fosse suficiente, somos apresentados a consumação do mesmo, e Tommen provou saber ainda menos e ficar ainda mais interessado no assunto do que Jon Snow (não pude evitar! hahaha).


Ah, Margaery não perde a oportunidade de semear a discórdia entre Tommen e Cersei. Se não bastassem os clamores da multidão, ela pegou emprestado o poder de sugar pussy de Sansa, misturou com largas doses de cinismo e little girl act e se juntou a lista de fatores que está deixando Cersei mais insana a cada dia.


Outro item desta lista, o fanatismo religioso motivado pela ascensão dos Pardais nos apresentou uma mini-caminhada da vergonha – não é um spoiler porque a filmagem da cena que referencio foi anunciada pela própria produção – agora ganharam um rosto: o Alto Pardal. Confesso que ele tem uma ar bem mais simpático do que o descrito pelos livros, embora não duvide que ele seja capaz dos mesmos atos. Enfim, associar-se a ele é mais um passo na jornada de Cersei em direção à ruína.


Ainda em King’s Landing, quem prestou atenção teve o primeiro vislumbre – mesmo que coberto por um lençol – do Frankenstein de Qyburn. Não sei se é ou não spoiler dizer quem ele era/é, porque não sei se a série desenvolverá essa trama. Mas, como precaução nunca é demais, deixarei essa informação para outra oportunidade.


Não pensem que esqueci de Brienne! Minha última parada em Westeros é justamente dedicada a ela. E sou forçado a admitir que Brienne e Pod dividiram uma cena realmente boa, bem além do horizonte de expectativa gerado pelos episódios anteriores. A sensibilização da personagem foi simplesmente espetacular. Demonstrar um nível de afeição com Pod – certo, ela o salvou, mas isso é mais instinto do que afeição em si – na mesma trama em que ela relembra seu passado em Tarth e sua dedicação a Renly foram elementos que simplesmente foram feitos para ficarem juntos numa sequência simplesmente excelente. A brutalidade, a fúria na narrativa dela foi um extra muito bom. A série fez da personagem muito menos interessante do que ela pode ser, e reacender a narrativa da vingança e das definições de quem ela é foi algo sensacional.


Partindo agora para Bravos – sim, já estamos quase no fim –, Jaqen H’gar ficou muito melhor como Sacerdote do que como assassino. A imponência que o personagem adquiriu quando colocado dentro do extremamente sombrio interior da Casa do Preto e Branco foi outra surpresa.


Gostei da inserção da garota cega – certo, nos livros quem batia em Arya com um cajado, durante seu período de cegeuira era o Homem Gentil (o Sacerdote do Deus de Muitas Faces, que a série sabiamente substituiu por Jaqen H’gar), mas isso já é divagar demais! – e dos questionamentos de Jaqen, além é claro da sequência em que Arya se desfez de seus pertences. E para responder a todos os que estão perguntando – sim, eu leio o que vocês me mandam no twitter e escrevo para responder a vocês também! - nos livros ela também não abre mão da espada. A cena da preparação do corpo, nenhum diálogo, só a amplitude do silêncio que só poderia existir num lugar como aquele foi simplesmente fantástico!


Por fim, Tyrion e Varys podem ter chegado ao fim de sua jornada juntos. A ponte de Volantis, na verdade, Volantis como um todo foi mediana quando comparada as outras cidades já vistas em Essos. Para uma descendente cultural da Velha Ghis, uma civilização que é fruto do impacto que Valíria causou ao mundo, a cidade poderia estar melhor. Gostei da rápida apresentação das marcas de escravidão, e da visão de que a libertação proposta pela não-vista-nesse-episódio Daenerys Targaryen ainda não atingiu a todos.


Bom, por enquanto é só. Gostei de ver a agitação que a adorável Rila Fukushima (vista em Arrow) causou como a Sacerdotisa Vermelha – é, também não tivemos Melisandre dessa vez – no povo comum. E como final do texto, acho que nem preciso enumerar a quantidade de possíveis desenvolvimentos que termos daqui em diante. A série já lançou muitas cartas na mesa, e a temporada mal começou. E como prova de que nem todos nós que lemos os livros estragamos a diversão alheia com spoiler, não comentarei a reaparição de Jorah, que capturou Tyrion para seus próprios propósitos. Para saber se ele levará Tyrion para Cersei e conseguirá seu perdão, riquezas e títulos, ou se ele usará Tyrion como um pedido de desculpas para Daenerys, ou talvez o leve para Margaery por alguma razão – “rainha” é muito amplo, e não é como se elas estivessem em falta ou os produtores fossem 100% fieis aos livros – vocês terão que continuar assistindo, ou ir atrás de spoilers com fãs menos legais.


Nos vemos no próximo episódio! Valar Dohaeris!

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