Crítica | Game of Thrones 5x02 – The House of Black and White


“No one. And that’s what the girl must become”



Outro domingo chegou, e com ele, pelo menos para quem, assim como eu, se comprometeu a acompanhar exclusivamente pela HBO, outro episódio de Game of Thrones chegou.


Embora o episódio tenha sido ainda melhor do que o anterior, sei que vou dizer algumas coisas mais duras neste texto do que no anterior. Sim, “The House of Black and White” nos levou a Bravos que queríamos conhecer: com seu Titã, sua melancolia e toda a liberdade que só ela poderia ter, mas também nos mostrou lados colossalmente estúpidos de uma personagem que é merecidamente adorada, inclusive por este que escreve estas linhas, tornando ainda mais complicado escrever sobre Game of Thrones sem incorrer na fúria de alguns de vocês.


Decidi abrir o texto com esses comentários, porque embora Daenerys seja sim uma das personagens mais épicas, nem mesmo gostar da personagem faz com que ela ganhe um passe livre com relação a críticas. Me vejo sendo repetitivo ao ter que lembrar que a série e os livros são mídias separadas, e as minhas críticas procuram usar o máximo do que a série apresenta ao escrever. Então criticarei como se não soubesse a que lugares esses acontecimentos a levarão. Dito isso, vamos ao que importa.


Quero começar pelos Lannister do lado de cá do Mar Estreito. Cersei, como muitos, parece ter esquecido que, mesmo os Targaryen – com e sem Dragões – não conquistaram Dorne pela espada. A insanidade que a levará a lugares bem sombrios é a única coisa que poderia a motivar a gritar ameaças não-executáveis contra os Dorneses.


Jaime saiu numa busca diferente da original, mas ainda sim uma busca que o deixará fisicamente longe de Cersei. Levar Bronn dá continuidade a relação já estabelecida na temporada passada sem realmente prejudicar o todo da história. E enquanto Bronn aceita acompanhar Jaime em sua missão, na esperança de achar alguém com um patrimônio melhor do que Lollys Stokeworth, que por sinal ficou ainda mais caricata do que eu achei possível, Sor Kevan Lannister enfrenta a própria sobrinha enquanto Cersei enfraquece a si mesmo, ao Pequeno Conselho e ao reinado do próprio filho, repetindo erros que ela cometeu com Joffrey, noutro exemplo claro da decadência que se abaterá sobre a Casa, agora que Tywin se foi.


Ainda sobre as traquinagens de King’s Landing, as ambições do Grande Meistre Pycelle sobre ser mão quase passaram despercebidas, já que as minhas atenções estão voltadas para as possibilidades que Qynurn deixa em aberto. O detalhe das cabeças dos anões ter sido mostrado logo depois de mais uma excelente frase de Tyrion foi simplesmente maravilhoso.


E já que falei dele, juntar Tyrion e Varys e não Tyrion e Illyrio na jornada até Daenerys foi perfeito. E mesmo sabendo que os diálogos desses dois sempre vão ser discussões imperdíveis, não achava que Tyrion faria o comentário sobre as melhores partes dele e de Cersei. Outra prova de que esta viagem dos dois vai nos render excelentes sequências.


Voltando para Westeros, mas antes de seguir para a Muralha, é hora de conversarmos um pouco sobre Brienne, Sansa e Lord Baelish. Afinal, as traquinagens de Baelish de Sansa, agora em aventuras parcialmente novas – já que creio que a “proposta de casamento” que Baelish diz ter sido aceita provavelmente refere-se ao plano dele de casar Sansa com Harrold Hardyng, herdeiro do Vale de Arryn caso Robert morra – foi contado de maneira a dar um sentido a Brienne, já que, se já foi difícil aceitar o chilique dela no episódio passado, seria muito difícil aceitar ela vagando por aí como os livros retratam.


A trama também nos deu a oportunidade de ver os fracassos de Brienne serem (finalmente!) usados contra ela. Certo, ela continua tendo cenas de lutas muito boas, mas é preciso mais do que isso para manter um personagem. Sem Lady Stoneheart e agora recusada por ambas às garotas Stark, ela meio que ficou sobrando na trama.


Antes de seguir para a Muralha – prometo que estamos chegando lá! – gostei de ver Sansa argumentar no mesmo nível com Mindinho. A personagem parece ter sido repensada, e os resultados são mais do que satisfatórios.


Agora que chegamos a Muralha, vou começar pelos pontos negativos. Corro o risco de incorrer a fúria de alguns de vocês com o que direi a seguir, mas já defendo esta analogia a algum tempo, e pretendo mantê-la até que alguém me apresente argumentos bons para a desmentir. Stannis, embora fosse o herdeiro de direito quanto toda essa confusão começou, lá atrás, quando Ned Stark ainda tinha uma cabeça, é tão Rei Pedinte quanto Viserys Targaryen era. As espadas que ele têm sob seu comando derivam da fé trazida por Melisandre. As mortes dos inimigos dele, também derivam de Melisandre. Por si só, a única coisa que ele faz, além de estupidamente repetir, sempre que uma oportunidade surge, a história sobre os dedos de Davos, é pedir, ou melhor, espernear, exatamente com Viserys fazia. Fez isso com os Selvagens e fez isso com Jon Snow. Não deu muito certo para ele, assim como não deu muito certo para Viserys.


Antes de falar da eleição para Senhor Comandante e de Jon Snow propriamente dito, quero passar na biblioteca de Castelo Negro e comentar o que aconteceu por lá. Afinal, tanto as falas sobre o Escamagris quanto a busca de Sam por informações sobre os antigos Senhores Comandantes foram partes que não podem ser esquecidas.


Jon Snow ter recusado a oferta de Stannis não foi surpresa. Também não foi surpresa alguma Meistre Aemon ser o voto que elegeu Jon como Senhor Comandante. O que não significa que não foram sequências espetaculares. Os discursos durante a eleição, e os jogos políticos aqui também, a humilhação de Janos, o discurso inspirador de Sam sobre as habilidades de Jon, todos esses detalhes fizeram das sequências Muralha figurarem entre as mais emocionantes do episódio inteiro.


Agora sim, voltando a atravessar o Mar Estreito, começarei pelo que aconteceu em Meereen, porque acredito que essa parte da trama não deveria ter sido a que encerrou o episódio (explico isso já já!).


Enquanto a caça pelos Filhos da Harpia continua, Daario Naharis continua a ser um dos personagens a quem a série fez mais bem. A cada episódio ele parece ter uma ou duas reflexões morais excelentes para compartilhar.


Enquanto isso, Daenerys continua falhar como Rainha. E francamente, se o Pequeno Conselho de Robert Baratheon era ruim, o dela é pior ainda. Stannis pode ser Pedinte, mas um pouco de pulso não faria mal a esse Conselho e a ela como líder. Ela pode não aceitar a verdade sobre a natureza da vida do Rei Louco, mas ela caminha na mesma linha. Saquear e “libertar” uma cidade é fácil. Ficar e governar não. E essas verdades desagradáveis vão continuar a bater na porta. Vê-la decidir como se aplica a justiça errada a pessoa errada no tempo errado só me deixou mais ansioso pela chegada de problemas maiores. O discurso dela foi inspirador, mas ela acabou por cometer o mesmo erro que Joffrey, e retirou uma cabeça que a levará a guerra. Nem Drogon quis saber dela desta vez.


Chegamos a nossa última parada. Sim! Chegamos a Bravos, mais especificamente, a Casa do Preto e Branco. Deixei estes comentários por último porque acredito que o episódio teria terminado muito bem se toda a bagunça de Daenerys tivesse sido apresentada antes e a cena de Arya finalmente entrando no templo do Deus de Muitas Faces, as portas de Represeiro e Ébano sendo fechadas, esse sim seria um final épico para o episódio.


Toda a melancolia e a soturnidade usadas para fazer Bravos e a Casa do Preto e Branco funcionaram perfeitamente. Mostrar como a cidade realmente é defendida pelo Titã, o sistema de canais de uma cidade que foi construída sobre pequenas ilhas por refugiados tantos anos atrás, mostrar a criminalidade, tudo combinado da melhor maneira possível com o padrão de qualidade que gostamos de ver.


Maisie Williams – parabéns pelos 18 anos recém-completos – teve um conjunto de cenas tão excelentes que você até esquece do resto. O peso do abandono, do desespero, da solidão esmagadora que se abate sobre nós ao contemplarmos a garota sentada nas escadarias, rejeitada, recitando sua lista, é algo indescritível. E agora que a nova jornada dela começou, e que reencontramos “Jaqen H’gar”, mal posso esperar para saber o que acontecerá em seguida.


Bom, é o que tem pra hoje. Não pense que esqueci dos Jardins da Água, da fúria de Ellaria Sand, do Príncipe Doran (em melhor estado do que eu esperava!) ou do ainda-mais-aterrorizante-do-que-nos-livros Areo Hotah. Mas falarei de Dorne quando houver mais o que falar. Por hora, vou ficando por aqui. Nos veremos no próximo episódio, e quem sabe o que nos espera lá? Então, até logo e Valar Morghulis.

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