Crítica | Daredevil 1x05 – World on Fire


“This city isn't a caterpillar. It doesn't spin a cocoon and wake up a butterfly. A city crumbles and fades. It needs to die before it can be reborn.”



Mais uma vez, nos reunimos para discutir mais um episódio de Daredevil. E como já é hábito quando se trata desta que é, sem dúvida, a melhor estreia de 2015 até agora, “World on Fire” é um excelente episódio, cheio de surpresas e com um final espetacular.


Como sempre, quero começar falando sobre detalhes técnicos. Uma coisa que pode passar despercebida, mas que é aplicada de maneira excelente aqui é a ideia de continuidade. Os fatos e suas consequências todos são bem encadeados entre os episódios, de modo a aprofundar a verossimilhança das tramas. Não há saltos de tempo em quem coisas magicamente acontecem para nos levar ao que veremos no episódio. As coisas continuam de onde elas pararam, inclusive sem precisar tanto de cliffhangers gigantes – embora este episódio tenha sido uma exceção – para tanto.


Gostei muito de como o episódio nos oferece duas possíveis justificativas para o título. Temos a maneira com que Matt “vê” as coisas – outro tapa na cara daquela abominação cinematográfica de 2003 – a seu redor. E como se isso não bastasse, o Rei do Crime explode/incendeia todo o território dos Russos em Hell’s Kitchen.


A série também têm apostado no uso do humor para quebrar a tensão que paira por toda a Hell’s Kitchen, e fazer isso ao alternar as tramas é perfeito. Afinal, um dos Russos foi decapitado – numa cena simplesmente espetacular – e o outro quer vingança. Se não houver humor, não haveria espaço para que a história se desenvolvesse como um todo, e ficaríamos presos a ter somente as tramas do submundo.


Foggy e Karen, ou melhor, a dinâmica entre os dois, é algo que gosto de ver a série explorar. Com os shipps de todo mundo dando certo num episódio só, poderia não ter sobrado espaço para focar nos dois, mas ao invés disso, a série nos dá a oportunidade de ver Foggy se impor como advogado e como ser humano.


E numa nota a parte, eu realmente consigo entender o lado de Foggy quando ele se refere à vida amorosa de Matt. Toda aquela história de “I like the sound of your voice” com Karen, o beijo com Claire… ele não perde oportunidades.


Uma coisa que a maioria deve ter notado é que, a série têm várias referências ao Universo Marvel como um todo. Já tivemos piadas com os Vingadores, menções ao ataque dos Chitauri, vislumbres da Torre dos Vingadores... mas isso não é tudo. Se você assistiu o episódio com cuidado, deve ter notado que, perto de onde Matt senta na delegacia, há um pôster que diz:



“You don’t have to reveal your identity to help solve violent crimes”

Pode muito bem ser uma simples campanha da NYPD, mas como Easter Eggs e referências não faltam aqui, eu prefiro encarar este pôster como uma referência dos eventos que Captain America: Civil War nos trará. Afinal, toda a história do arco Guerra Civil deriva do dilema causado pela Lei de Registro de Super-Humanos.


Antes de passar para o Rei do Crime, achei fantástico retratar a corrupção na NYPD e o “silenciar” do Russo pelos detetives. E tenho que dizer, se ele não fosse o Rei do Crime, sempre preparado para o próximo passo, eu não iria querer estar do lado oposto a Vladmir e seu “tudo”. Matt também não perde a oportunidade de refazer certos conceitos, porque não é todo dia que você vê “usar o inimigo como escudo” usado de forma tão literal.


E enquanto todos os comandos dele são cumpridos e as coisas se desenrolam lá fora, Fisk continua seus esforços para conquistar Vanessa. E por mais que ela tivesse uma arma na bolsa e faça todo aquele charminho, ela está gostando sim. Na verdade, eles formam um casal muito mais singular do que eu achava possível. Afinal, mostrar a detonação de uma parcela da vizinhança como quem mostra uma obra de arte ou um cenário raro da natureza não é um programa que muitos casais fariam.


Bom, é isso. Sei que com um final como esses, alguns de vocês devem estar se perguntando a razão para este não ser um texto duplo. Mas já tendo assistido o próximo episódio, posso garantir que será melhor esperar um pouquinho pelo próximo texto, porque há bem mais do que a solução deste cliffhanger nele. Então, fiquem ligados e até a próxima!

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