Crítica | Daredevil 1x04 – Into the Blood

As muitas faces do Rei do Crime.

Depois de uns dias sem aparecer, finalmente voltei para continuarmos nossa jornada pelas aventuras de Matt Murdock. Chegamos agora a “Into the Blood”, um capítulo que deixa até os mais sanguinários satisfeitos. E quando se pensa que já se viu de tudo, somos apresentados a um episódio que transforma o protagonista em coadjuvante para contar outras histórias tão importantes quanto às aventuras do flagelo do submundo de Hell’s Kitchen.


Desta vez, vamos passar um tempo conhecendo o Rei do Crime e sua futura esposa, vemos a cruzada de Karen Page continuar e reunir um novo aliado e ainda temos a agradável surpresa de rever Rosario Dawson no papel de Claire Temple. Mas, vamos tratar disso um personagem por vez, para não virar bagunça.


Quero começar por Karen, para redimir o que disse dela no texto anterior. Essa busca dela, agora com ajuda de Ben Urich, vai render uma trama alternativa para contrabalancear a história, sem contar que renderá desenvolvimentos interessantes. E de certa forma serve para apresentar outra visão sobre os acontecimentos em Hell's Kitchen, além daquela fornecida por Matt.


Enquanto isso, os Russos realmente renderam um começo de episódio interessante. Se eles não fossem Russos, eu teria rido das referências aos Vingadores que Wesley fez. Eu suspeitava que um deles terminaria mal – falo disso já já – quando o desrespeito deles pelo nome do Rei do Crime ficou aparente.


E como estou falando dos Russos, e antes de passar para o Rei do Crime, um elogio precisa ser feito. Assistindo a série com o áudio original, você percebe o trabalho fantástico que feito com os idiomas. Você não escuta espanhol ou russo de cursinho de esquina. A língua é usada com uma fluência espetacular.


Ainda nas especificações técnicas, acho que nem precisa repetir o quanto os efeitos são excelentes. As cenas com parkour superam e muito o que vemos em outras séries do gênero (sim CW, eu estou criticando você de novo.). Isso sem falar das diferentes maneiras usadas para mostrar a amplitude das habilidades de Matt. Consistente sem ser repetitivo.


Ah, não pensem que eu me esqueci de que já deveria ter chegado aos detalhes sobre o Rei do Crime, mas quero visitar Claire Temple antes. Mais uma vez ela surge como um elemento humanizador, ao mesmo tempo sendo uma ponte entre o telespectador – dizendo e expressando a opinião das pessoas comuns e obtendo as respostas que elas anseiam – e a trama, e ainda servindo como aquela voz de consciência que questiona e incentiva Matt, é um elemento importante na jornada de “herói”. Também não podemos esquecer que ela não passou sem ter mais cenas chocantes, como a risada de insanidade e desespero quando percebeu que Matt havia chegado para salvá-la.


Agora sim chegou a vez dele. E desde sua primeira aparição, o jogo de luz e sombra, o uso das cores, toda a construção de dualidade do cenário funcionou perfeitamente para dar ao personagem todo o espaço que ele precisava para ser simplesmente fantástico. Essa dualidade visual é tão atrativa, que quando 90% do restaurante se levantou para defender o Rei do Crime quando o Anatoly chegou, eu fiquei genuinamente surpreso.


Mas como não poderíamos ficar só neste Rei do Crime “pacífico”, que levou a sua futura esposa – a esposa do Rei do Crime nos quadrinhos por acaso se chama Vanessa Fisk – para um jantar calmo. Somos levados a um final muito mais sombrio, que deixa o cliffhanger para o que está por vir e fez até que gosta de ver o sangue escorrer ao melhor estilo Tarantino – como não lembrar do Confronto na Casa das Folhas Azuis de Kill Bill? – satisfeito.


Para terminar, tenho que dizer que, como leitor, não acompanhava o material da Marvel com tanta regularidade. Não digo isso como crítica ou para começar uma daquelas brigas sobre quem é melhor. Isso é coisa de desocupado. Tanto a Marvel quanto a DC produziram/produzem excelentes personagens, e é usando do direito que cada um tem de gostar do que acha melhor que escrevo estas linhas. Entretanto, o material do Demolidor sempre teve um espaço reservado aqui em casa. E embora alguns já tenham apontado isso, é realmente incomum o Rei do Crime em pessoa lidar com criminosos tão whatever como o Anatoly. MAS, achei uma escolha extremamente acertada, já que era preciso contrabalancear a imagem do personagem. Esta é uma Origin Story como deve ser (sim FOX, eu estou criticando o que você está fazendo). Afinal, quem leu e é fã, sabe o quando o personagem é temível, e até mesmo que não conhece assim tão de perto, conseguiu absorver isso do contexto. Só que existe uma enorme diferença entre ler o contexto e ver o personagem fazendo. Decapitar com a porta de um carro?! Esse é o Rei do Crime que os fãs mereciam ver!


Enfim, é isso. Não esqueçam de deixar seus comentários, dizerem o que estão achando dos textos e da série. Compartilharem as ideias de vocês. Prometo que não vou demorar tanto para continuar essa nossa jornada nas ruas de Hell’s Kitchen ao lado de Matt Murdock. Então, nos vemos em breve!

Patreon de O Vértice