Crítica | Daredevil 1x03 – Rabbit in a Snow Storm

“Fatos não têm julgamento moral”

Outra vez nos encontramos para discutir mais um episódio de Daredevil. E embora “Rabbit in a Snow Storm” tenha introduzido – nos últimos segundos – o temível Kingpin, o episódio parece ter resolvido diminuir um pouco o ritmo com uma ou duas escolhas não tão boas.


Quero começar apontando que a continuidade da série em pequenos acontecimentos funciona muito bem. Nos presentear com Foggy e Karen pós-noitada foi ótimo. E já que estou falando dela, a trama paralela de Karen em sua busca para seguir com a vida depois do que aconteceu poderia ser mais aproveitada, já que, de certa forma, ela ficou “solta” no episódio. Ela não foi elemento de ligação com o telespectador nem apresentou grandes influências no desenrolar geral da trama. Me pergunto qual o motivo para se fazer isso com uma personagem tão boa. Claro que toda a coisa do senso de justiça da personagem ter sido mostrado é, de certa forma, parte da trama, mas ainda acho essa ligação muito contextual. Juntá-la com o jornalista foi criativo, e até abre caminho para novas tramas com a personagem, mas não acho que isso possa salvar o resto das aparições dela.


Seguindo, tivemos toda a trama que contrabalançou o episódio anterior. Como tivemos um episódio inteiro focado em Matt como Daredevil no episódio passado, desta vez 90% da trama o mostrou lidando com a realidade de trabalho como advogado. E da mesma forma que ele consegue ser um bom vigilante, ele também é um bom advogado. A cena do tribunal, no momento em que vimos um silêncio seguido do discurso do protagonista – com direito a piada sobre pornografia e tudo –, foi muito boa. Afinal, ele apresentou argumentos para a inocência do criminoso, removendo o social dos fatos e os tratando exatamente pelo que eles são: fatos. Não é uma linha de raciocínio muito comum.


Algo que não posso deixar de dizer sobre a série, porque é uma característica marcante e impactante, é que a violência gráfica, as cores, os ossos à mostra, tudo isso fazem parte do universo do Daredevil, e embora, sim, há aqueles que acham que essas apresentações visuais são uma forma de se cobrir falhas, acredito que é muito melhor do que ter grandes personagens com efeitos estilo paint (sim, CW, é com você que eu estou falando). As lutas do episódio, como em todos os outros até aqui, foram EXCELENTES. Quantas são as vezes que você pode dizer que viu uma cabeça ser esmagada por uma bola de boliche ou alguém enfiando a própria cabeça numa haste de metal? Exatamente...


E já que cheguei nessa cena, perceber que o medo do Rei do Crime é suficiente para fazer isso com alguém é fascinante. Ah, uma primeira aparição cheia de classe para Wilson Fisk, o Rei do Crime. O jogo de cores e a carga emocional presente nas palavras foi simplesmente perfeito! O fato do personagem ter uma complexidade psicológica, e ter isso retratado, é o que garante que a trama ainda tem muito a nos oferecer.


Bom, vou ficando por aqui. Mas não se preocupem! Daqui a pouco eu estou de volta com mais um texto sobre Daredevil. Então, até já!


P.S.: Ah, quase me esqueci! Lembram que no episódio passado Claire disse que namorava com alguém chamado Mike e que ele também era bom em guardar segredos? Alguns sites estão nos lembrando de que há a possibilidade de este Mike ser ninguém menos que o Agente Mike Peterson (a.k.a. Deathlok), de Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D.. Não sei se isso é verdade ou não, mas até poderia ser um link legal.

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