Crítica | Daredevil 1x02 – Cut Man

“Word’s getting around”

Como prometido, estou de volta com mais um texto sobre Daredevil! E o segundo episódio, intitulado “Cut Man”, foi excelente, para dizer o mínimo. Mais uma vez, tudo no episódio funcionou. A fotografia, a trilha sonora e a trama continuam a fazer os fãs muito felizes.


Primeiro de tudo, acho que tenho que começar dizendo o quanto a Netflix fez um trabalho excelente. Eu vi e revi a série, e revejo os episódios separadamente antes de finalizar cada texto, e não consigo não gostar. A ação, o humor, os confrontos filosóficos, a jornada do “herói”, tudo feito da melhor maneira possível, honrando um dos excelentes personagens que a Marvel tem.


Uma coisa que a série faz muito bem é se aprofundar no passado de Matt. Os flashbacks formam uma história própria, nos ajudando a compreender a construção de caráter do personagem, sem contar com um ou dois Easter Eggs que estão sempre aparecendo. As cenas e a relação com o pai ampliam e muito o significado da jornada do protagonista. Perceber que o material dos flashbacks está sempre sendo rememorado ou sempre contando uma parte significativa da história mostra o cuidado que se teve na produção da série. Todo o episódio pode ser resumido por uma quote dos flashbacks, que embora não tenha sido a linha de abertura do texto, tem a mesma magnitude:




“We’re Murdocks. We get hit a lot.”



Enquanto isso, no cenário noturno de Hell’s Kitchen, o plot envolvendo Foggy e Karen foi legal, embora eu não tenha conseguido perceber se eles são um elemento de ligação entre o público e a trama ou se eles estão nos mostrando a vida em Hell’s Kitchen, construindo e humanizando o cenário das outras cenas. Entendo que dar continuidade ao que aconteceu com Karen, mostrar como ela está lidando com tudo o que aconteceu é importante para a storyline, mas ainda não sei exatamente onde isso vai dar.


Já Claire Temple não perdeu tempo e chegou com estilo. Embora eu vá discorrer mais especificamente sobre ela daqui a pouco, não vejo lugar melhor para colocar uma das quotes mais “she got a point” da história:




“ – Your outfit kind of sucks, by the way. (Claire)


– Yeah, it’s a work in progress. (Matt)



De volta a Matt, a cena do extintor de incêndio foi FANTÁSTICA! A série nos mostra constantemente a extensão das habilidades dele, mas até em cenas como essa a surpresa ainda consegue nos acertar em cheio. Talvez seja porque o episódio anterior foi muito voltado a introduzir Karen Page na história, o que garante que sejamos surpreendidos mais ainda.


Claire foi colocada como a consciência do “herói”, levando Matt a refletir sobre o impacto de suas ações. Ela atua, de certa forma, como a voz do telespectador e como a voz da população de Hell’s Kitchen, que já começa a sentir os impactos da presença do vigilante nas ruas. Sem contar que, a dica sobre o nervo foi realmente eficiente. Me pergunto se ela teve aulas com os Bolton sobre como torturar...


As cenas de luta continuam excelentes e, como bônus, gostei muito que, diferente do que é feito por outros canais, aqui o peso físico dos ferimentos afetou Matt não só durante as cenas de diálogo, mas durante a luta também. Não houve nenhuma recuperação mágica. Não foi tipo numa hora ele está acabado e na outra ele magicamente não sente dor nem prejuízo só porque está descendo a porrada nos vilões. E eu acho muito legal mostrar as coisas dessa forma, porque, embora ele seja bem badass, o Daredevil ainda é humano. E mostrar a extensão dos efeitos disso é fundamental para gerar não só uma boa katharsis, mas para tornar a história bem mais verossímil.


Bom, é isso. Mais um capítulo de nossa viagem por essa produção maravilhosa se encerra. Entretanto, reforço a promessa de que nos veremos em breve. Então, enquanto isso, comentem os textos, digam o que estão achando da série, e já já eu estou de volta. Até lá!

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