Crítica | Battle Creek 1x04/05 – Heirlooms/Old Flames

Melhorou, e MUITO!


Pois é... Acreditem ou não, é difícil achar uma introdução legal para todos os textos. E eu meio que entreguei tudo na frase de abertura, então não há muito que eu possa dizer além disso.


É claro, é bom dizer que este é um texto duplo por – irônica e incrivelmente – duas razões. A primeira é que eu estava com alguns problemas pessoais para acompanhar as séries logo que “Heirlooms” saiu. A segunda é que, quando eu finalmente assisti o episódio, bem no fim de uma maratona de séries atrasadas – a maioria delas que já decaiu faz tempo –, eu tive que parar, procurar e assistir “Old Flames” para ter certeza de que a série não estava só tendo um episódio solto bom. Com dois, você já pode considerar um padrão de melhora. E foi exatamente isso que aconteceu. Battle Creek finalmente deixou de ser uma série que eu via simplesmente por querer saber o que as mentes de Shore e Gilligan podiam fazer juntas e passou a ser uma série que eu gosto de ver. E se você, assim como eu, sobreviveu aos episódios anteriores, esses dois foram feitos para te deixar mais contente. Então, chega de introdução, e vamos aos detalhes dos episódios.


Primeiro, vamos falar de “Heirlooms”.


A aposta com os cachorros foi muito legal. Na verdade, foi uma das primeiras sequências entre Russ e Milt que começou realmente num nível e melhorou exponencialmente. Afinal, mesmo que o cachorro de Milt fosse um melhor farejador, foi no mínimo arrogante colocar a opção da maneira que ele colocou. E a cena em que cada cachorro foi para um lado arrancou mais risadas do que virou padrão para a série. E mostrar por onde cada um dos dois passou enquanto seguia seu respectivo cachorro foi hilário!


E como se isso não bastasse nas tramas envolvendo cachorro, ainda somos premiados com Russ usando um trampolim para fugir de um cachorro. Isso sim é uma coisa que não se vê todo dia!


Se isso já não fosse suficiente para garantir que o episódio seria bom, Russ ainda tentou manipular Milt um pouquinho. Trapaceou na aposta e em seguida “desabafou” com Milt só para tentar fazê-lo revelar a razão pela qual ele acabou em Battle Creek. Mesmo que não tenha funcionado, esses dois já começam a ser mais parceiros do que eles percebem. E quando Milt finalmente se abriu, tenho que dizer, uma história envolvendo o 11 de setembro foi algo surpreendente, e diria, até “ousado” para a TV aberta. Ah, descobrir que essa confissão era a retribuição de Milt pela primeira mentira de Russ nos últimos minutos do episódio realmente me surpreendeu.


A série ainda faz uma jogada muito criativa: transforma um assassinato em dois e depois volta para um. Depois disso, nos presenteia com uma resolução espetacular para o crime e ainda uma cena de criminosos fugindo e sendo parados da melhor maneira possível. Não sei vocês, mas para mim, até aqui, já melhorou um pouco. Sem contar que foi um dos melhores finais de episódio com um excelente troca de frases entre Milt e Russ:




“ – So, for you, this is an unhappy ending?
– Well, I’m walking off to sunset with you, so... yeah!”



Agora, vamos ver o que aconteceu em “Old Flames”.


Bom, para começar, esse é um modelo do que NÃO FAZER na despedida de solteiro! Primeiro porque você deve sempre garantit entretenimento que dure pela noite toda, e segundo porque vestir um colega como dançarino e deixar ele testar os talentos ao som de “Walking On Sunshine” é um pouco bizarro (#JustMyOpinion). Não me entendam mal, foi mortalmente engraçado e um dos melhores começos de episódio da série, mas mesmo assim, foi bizarro. E contrabalancear isso com um incêndio na casa da Comandante foi um pouco pesado. Genuinamente a série está escolhendo tramas melhores. Talvez finalmente estejamos sendo recompensados por ter continuado assistindo até aqui.


Geralmente quando um episódio está chegando para surpreender, há alguma frase, alguma cena que faz você pensar: “agora a coisa ficou séria!”. Quando eu ouvi as palavras “Get Milt.” saírem da boca de Russ eu vi que a coisa ia ser bem tensa. Entretanto, quando nos é revelado que a lista de namorados dos últimos três anos da Comandante continha 17 nomes, essa tensão se dissipou completamente. A cara de Font e Russ foi impagável! E quando eles foram trazidos para interrogatório, aquilo sim é variedade!


A trama do filho da Comandante foi bem tensa. As reflexões que ela fez, além das memórias que ela compartilhou foram bem profundas. Fiquei surpreso em saber que Danny era adotado. Mesmo que combine com a personalidade dela fazer algo assim, foi chocante saber que ele acabou se tornando um viciado.


Confesso que a solução do caso foi a melhor possível, porque ela deixou de lado todas as possibilidades obvias ou altamente criminosas que seriam comuns e acabou sendo só um acidente. Gostei mais ainda do que Guziewicz disse quando o cara perguntou o motivo para ela ter terminado a relação entre eles:




“Nothing was wrong. I liked you. We’d fun. […] Good things change, become not-good things. I like to leave while they’re still good.”



Num último comentário, que é uma coisa que eu resolvi deixar para o final para ter certeza, os sentimentos de Russ por Holly são um elemento que conecta as tramas e os personagens. E você percebe que quanto mais esse tema é abordado, mais a relação entre ele e Milt progride. Genuinamente você percebe que Milt quer ajudar, até mesmo Russ parece ter percebido isso, ou ele teria retrucado mais. É bom ver esse desenvolvimento das relações entre os personagens ser trabalhado, não só para criar a dinâmica entre Milt e Russ, mas para mostrar o quanto essa parceria afeta cada um deles individualmente.


Bom, é isso. A série melhorou exponencialmente, e não só superou minhas expectativas como ganhou um lugar entre as cinco novas séries que eu torço para serem renovadas. Pois é! Nem acredito que estou dizendo isso! (hahaha)


Enfim, foram dois bons episódios, e você pode ter certeza de que eles foram bons porque os assisti depois de uma maratona de outros episódios atrasados das séries que já não me agradam mais eu ainda acompanho para saber o final. Pensem em como esse teria sido um texto negativo se a série não tivesse resolvido se jogar de cabeça na melhora? Vamos torcer para continuar assim. Nos vemos no próximo episódio.


P.S.: Note que eu escrevi muito “Comandante” no lugar de “Guziewicz”. O fato é que esse é um sobrenome no mínimo difícil de lembrar na hora de escrever, e embora eu prefira os primeiros nomes, se você checar o IMDb, vai ver que a personagem está nomeada como “Commander Guziewicz”, então não me sobraram muitas opções.

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