Crítica | The Americans 3x11 – One Day in the Life of Anton Baklanov


Como posso acreditar no que você diz?” – Paige



Paige definitivamente entrou em um novo estágio no seu relacionamento familiar. Agora, ela não tem sequer a certeza de que é filha daquela dupla de espiões russos, Misha e Nadezhda, se aquele garoto que gosta de imitar Eddie Murphy é seu irmão, se o casal é mesmo casado e se eles nutrem alguma amizade pelo vizinho, Stan Beeman. Enfim, aquilo que era sólido para Paige – sua família – se esfarelou, e é natural que ela se sinta revoltada e enganada pelos pais. Claro que nós sabemos que os Jennings são os pais da garota e que estão passando por maus bocados na tentativa de protegê-la, mas ela não sabe disso. Quando Elizabeth resolveu contar-lhe algo sobre seu passado, Paige mostrou o quanto está confusa sobre essa nova identidade familiar. Será interessante ver como a série irá reconstruir esse tecido familiar rasgado de maneira abrupta no episódio passado.


Fora do lar dos Jennings, Elizabeth e Phillip seguem com suas múltiplas missões. Ela, agora disfarçada como Michelle, foi à casa da amiga Lisa, a funcionária da Northop, e ouviu uma proposta no mínimo intrigante: Lisa e o marido, Maurice, querem vender (caro) segredos daquela empresa. É interessante que Maurice parece saber bem demais qual é o papel de Michelle no negócio. Não sei quanto a vocês, mas eu fiquei com a impressão de ter perdido algo ao longo dessa temporada, pois não lembrava que Lisa soubesse tão detalhadamente dessa operação de espionagem industrial feita por Michelle e Jack/Phill. Lembro-me de um jantar em que Lisa foi apresentada a Jack e Michelle mencionou o tipo de trabalho dele.


Em conversa com Phillip, Yousaf o questionou sobre sua disposição para fazer um trabalho tão difícil e sangrento como é a espionagem. O russo devolveu dizendo que, ao ver o inferno que o mundo é, ele faz o que pode para melhorá-lo. É um interessante paralelo com o que disse Liz a Betty, aquela velha senhora do episódio 9. Betty perguntou à russa como ela conseguia fazer aquele trabalho e Liz respondeu o mesmo que Phillip. Tanto Yousaf quanto Betty observaram, incrédulos, duas pessoas que usavam e matavam outros para “construírem um mundo melhor”.


Na casa de Martha, Clark/Phill tratou de acalmar sua esposa, preocupada com os poderes “semi-divinos” atribuídos a Walter Taffet, o corregedor que está investigando a todos no escritório do FBI. Phillip instruiu Martha a mirar seu olhar na ponta do nariz do interrogador quando precisar mentir para ele. Faz-nos lembrar de outra aula, dada por Oleg a Nina, quando essa precisava mentir no teste do polígrafo, feito por Beeman (squeeze your anus, lembram?). Ambas passaram em seus testes, resta saber se Martha está definitivamente livre de desconfianças no bureau. Minha aposta: não.


Nina, com inteligência e paciência, vai tecendo uma relação de confiança com Baklanov, na esperança de conseguir se livrar da prisão russa. O cientista já percebeu que ela não é mais uma mulher enviada para diverti-lo e se sentiu à vontade para contar-lhe o quanto sofre por ter sido obrigado a abandonar o filho Jacob. Num misto de esperteza e desespero, ela revistou o quarto de Baklanov e encontrou cartas que ele escreveu para o garoto (talvez com a esperança de um dia elas poderem ser entregues). Ao revelar que se sentia comovida com a história do cientista, não sabemos, afinal, se Nina estava olhando para a ponta do nariz dele também.


Gostou desse episódio? Comente aqui e até a próxima semana!

Patreon de O Vértice