Star Wars Rebels – 1° Temporada | Crítica


Por um longo tempo eu odiei Star Wars Rebels. Esse ódio durou exatos 12 episódios e se transformou em empolgação pura com o último. Uma pena que ter um episódio espetacular com 12 episódios terríveis não faz dessa uma boa série, mas pelo menos foi o suficiente para que meu desejo de que a série fosse cancelada mudasse para um desejo de que a série dure 10 anos.

Vamos começar com os problemas, já que as qualidades estarão apenas no último paragrafo sob a demarcação de spoiler.

Todos os personagens. Todos eles mesmo são péssimos. Kanan e Hera, os dois líderes rebeldes de Lothal são menos problemáticos, mas ainda assim não são mais do que arquétipos de lideres genéricos. Agora Ezra, Sabine e Zeb (sem contar o android chato) são simplesmente insuportáveis. Ezra que devia ser o nosso carismático protagonista nada mais é do que uma versão piorada do Aladdin do universo Star Wars, ele é apenas um boneco com o mínimo de personalidade para que lembremos dele posteriormente. Sabine é a Mandaloriana que se acha esperta, e que aparentemente por ser magra é imune a ser acertada por tiros e que o roteiro acha que com sua mania por grafite ela vai soar realmente rebelde. Zeb, pra mim o pior de todos, é mais um arquétipo mal feito, ele é o alivio cômico Gigante Gentil, que tem um humor mal calculado e mal serve como força bruta na equipe.

 

O maior problema desses personagens é que o roteiro não perde tempo com eles, exceto com Kanan e Ezra que até tem um bom tempo de tela só pra seu desenvolvimento, mas em geral temos 12 episódios com aventuras genéricas dos personagens roubando cargas do exército, destruindo a comunicação do imperio, fazendo contrabando e só, são 12 episódios de pura chatice, por mais que vez ou outra a aparição do Inquisidor, principal vilão da primeira temporada, esquente um pouco as coisas, o final sempre é uma aventura boba e sem propósito.

O tom da série também é completamente diferente do tom que estávamos acostumados com as temporadas anteriores de Star Wars - The Clone Wars, se na sexta temporadas de Clone Wars nós vimos cenas com Anakin Skywalker caminhando em gravidade zero com dezenas de cadáveres flutuando em sua volta, aqui nós vemos bichinhos fofinhos que fazem barulhos engraçados e se irritam facilmente. Enquanto em Clone Wars os sabres de luz decepavam membros, aqui eles arranham o rosto dos personagens. Bem, os Storm Troopers continuam tão ruins de mira quanto na trilogia original, mas isso em termos de história não faz o menor sentido, eles errarem tiros era mais uma ferramenta para a trama avançar na época, mas Dave Filoni segue a piada e faz todos os soldados do Império extremamente estúpidos, o que é contraditório já que em um episódio Ezra faz o treinamento de Storm Trooper e o treinamento é excessivamente rigoroso. Os Clone Troopers de Clone Wars também eram muito mais ameaçadores, todo o universo de Clone Wars lidava com temas maiores, desde escravidão até terrorismo, aqui o máximo de tema adulto que temos são os Rebeldes contrabandeando frutas para o povo de Lothal... sim, essa história é um saco.


Eu sei que um desenho infantil não precisa ser como Clone Wars, alias, nem Clone Wars era sempre igual a Clone Wars, as duas primeiras temporadas dessa animação foram tão ruins quanto Rebels e por mais que a partir do terceiro ano a série tenha evoluído muito, a cada 8 episódios geniais, vinham 4 episódios extremamente bobos, então fazer um mix de tema para agradar os dois públicos existia antes, o problema é que Rebels não nos dá nada, por incrível que pareça alguns nostálgicos parecem estar satisfeito só por ver o design ultrapassado da trilogia original, mas sinceramente ver uma nave que eu vi na minha infância, ou melhor, que eu vi atrasado na minha adolescência, já que quando o último filme da trilogia original saiu eu nem nascido era, não é o suficiente para me fazer gostar de algo, Rebels precisa entregar mais do que um design clássico para ser bom, nem todo mundo é adicto em nostalgia.

Agora a pior coisa de Star Wars Rebels certamente é sua animação, que é de fazer querer arrancar os olhos fora em certos momentos. Nos primeiros episódios as coisas são ainda piores, os Wookies do primeiro arco é simplesmente o pior modelo não intencional de animação que eu já vi de um estúdio de qualidade fazer, os Wookies parecem action figures de R$ 10,00 que você compra no Extra, eles parecem de plástico, tem articulações e encaixes evidentes, parece que é crossover onde Star Wars encontra Toy Story, já que aquele Wookie não parece representar um Wookie dos filmes e sim um brinquedo de Wookie. É simplesmente de doer.


Mas o problema da animação não fica só no visual, mas também no movimento e fluidez dela, todas as lutas da série soam sacais e estranhas, com exceção da última luta entre Kanan e o Inquisidor, que é realmente muito boa, mas não graças a animação e sim apesar dela.

Não há muito mais o que falar sobre a série, a não ser ressaltar que as tramas dos episódios são bobas, os personagens genéricos e nada muito interessante acontece até o último arco que se inicia no episódio 11, onde o até então “Governador Tarkin” aparece para causar problemas em Lothal, onde após dois episódios tão bobos e genéricos quanto os outros, chega o melhor momento da série, um season finale de tirar o fôlego e que é a única parte dela que merece ser contada em mais detalhes, detalhes esses abaixo, mas que você só deve ler se assistiu a série até o final, pois se não você vai tomar um enorme spoiler.

SPOILERS (Não leia ou veja as imagens abaixo dessa linha)

Fulcrum é um personagem mencionado duas ou três vezes antes na série, é um contato de Hera, a única personagem ligada e originada a Clone Wars até o último episódio, a identidade de Fulcrum era um segredo, mas sabe-se que ele é um dos líderes da aliança rebelde.

Hera, como eu falei, era a única personagem de Clone Wars até então, e ela era apenas uma criança naquela época e quando todos pensaram na coisa mais óbvia do mundo, que Sabine era filha da Mandaloriana Bo-Katan, olha o nome dela afinal, Dave Filoni simplesmente disse que o nome foi sugerido aleatoriamente por alguém e ele escolheu sem se importar se era parecido com o nome da Duquesa Satine, a mais importante Mandaloriana até então em Star Wars. Na verdade, Dave Filoni fez questão de tratar Clone Wars como um caso passado, apesar de ser canon, não era algo com o qual ele ia mexer novamente no futuro.

Por isso eu tinha poucas esperanças sobre a revelação de Fulcrum no final desse episódio, eu certamente esperava que fosse Ahsoka Tano (a protagonista de Clone Wars e uma das minhas Jedis favoritas), mas graças a tudo que Filoni disse essa esperança era pequena... e não é que Filoni não é um belo mentiroso? Ahsoka Tano é uma das lideres da Aliança Rebelde.


Num episódio bem forte, que apesar de tudo tem um pouco de tudo que é ruim na série, Ahsoka não foi a única coisa boa. Fire Across the Galaxy teve uma fantástica luta de Sabre de Luz entre Kanan e o Inquisidor que terminou com a morte desse último. Kanan por acaso, usou o sabre de luz bizarro e nada elegante de Ezra de uma forma interessantíssima, misturando ataques de espada com tiro a longa distancia, com uma mão, enquanto com a outra batalhava com seu sabre de luz mais tradicional. A forma como Kanan derrota o Inquisidor é genuinamente empolgante, um dos poucos pontos empolgantes da série inteira e a promessa do Inquisidor de que “Há coisas piores que a morte” soa bem real quando lembramos de dois certos Darths soltos por aí.

Aparentemente, como a própria Ahsoka falou, a segunda temporada promete ser bem diferente, provavelmente o foco em Lothal será menor e a equipe vai viajar mais pela galáxia, enquanto a antiga aprendiz de Anakin provavelmente será a nova mestra de Ezra e até de Kanan, mas isso ainda não é certo. Mas a aparição dela não é sensacional apenas por si só, mas também porque prova que todo o recente desdém por Clone Wars que Filoni pareceu adquirir era pura fachada, então as especulações voltam, Sabine certamente deve ser filha de Bo-Katan e isso por si só vai dar um up na personagem, especialmente se o pai dela for Pré-Vizsla, ela como a última herdeira do clã Vizsla poderá usar o sabre de luz negro de Darth Maul? Alias, Darth Maul também pode voltar? Hondo? Lux Bonteri? Os Mandalorianos? Quinlan Voz? Asajj Ventress? (repararam como os novos sabres de Ahsoka são semelhantes aos de Asajj?) Quem mais deve retornar da série e da trilogia anterior e como será a mescla entre os dois mundos? Agora Star Wars Rebels me parece mais do que uma série estúpida sobre personagens detestáveis, agora ela me parece uma promessa de misturar as Trilogias, Prequel e Original e se essa promessa se cumprir com excelência será quase que como fazer as pazes entre as duas.


E obviamente isso nos leva aos últimos segundos da temporada, Darth fucking Vader contra os rebeldes no segundo ano. Claro que Kanan e Ezra não conseguiriam derrotar Vader, eu espero que não né Disney? Então quem melhor para parar Darth Vader por um tempo se não Ahsoka Tano? Há muito tempo atrás eu escrevi algo sobre ela e imaginei que a morte perfeita para a personagem (que agora sim deve morrer, afinal ela não aparece na trilogia original, ou será que...) seria nas mãos de seu antigo mestre, que quem sabe ainda terá tempo de chamá-la de Snips antes de matá-la de uma vez por todas? Esse certamente será um grande momento para a série e um grande momento tanto para Darth Vader quanto para a própria Ahsoka.

Viu quantas especulações um só episódio bem feito Star Wars Rebels gerou em mim? Com 30 segundos de episódio a série me fez escrever 6 parágrafos empolgados, infelizmente com 12 episódios ela só me fez querer dormir.

NOTA: 4,0
Patreon de O Vértice