Crítica | The Good Wife 6x13 – Dark Money

Crise de consciência agora, Alicia?


A boa esposa voltou, e as reviews também. No retorno do hiatus, The Good Wife trouxe o personagem mais deliciosamente louco da série: Colin Sweeney. Dessa vez, parece que a morte de sua primeira mulher voltou para assombrá-lo. O melhor foi que não tivemos apenas um, mas sim dois Sweeneys.


Isso porque tudo se desenrolou a partir de um episódio de uma série de televisão que foi baseado no assassinato da primeira mulher do personagem, o que rendeu cenas hilárias, já que Dylan Baker interpretou ao mesmo tempo o já conhecido Sweeney e o ator da série fictícia. As tiradas do personagem são sempre sensacionais, e dessa vez tivemos tudo praticamente em dose dupla.


Como a campanha está chegando à reta final, Alicia quase não tem tido tempo para se dedicar ao escritório, por isso sobrou para Cary e Diane a tarefa de representar Sweeney. Mas não foi só a falta de tempo que a impediu de se envolver nesse caso. Alicia tentou a todo custo desassociar a sua imagem do suposto/nunca-condenado assassino de mulheres, visto que representá-lo poderia prejudicar a sua campanha.


É claro que isso não impediu Sweeney de recorrer a ela durante todo o episódio. A interação entre ele e Alicia nunca cansa. Não é de hoje que Sweeney tem uma certa obsessão por ela, e a forma como ele a provoca é sempre engraçada. Mesmo com todo o esforço que Alicia fez para mostrar que não se importava, ele continuou insistindo para que ela se envolvesse mais no caso por acreditar que secretamente ela gosta dele.


Quem também não está em uma situação nada fácil é Kalinda. Finalmente, Bishop cobrou aquele favor que ela devia, e não foi nada do que ela esperava. A tarefa se resumia simplesmente a pegar Dylan na escola. Até aí, parecia que não era nada demais. O problema começou quando Bishop perguntou a ela o que está acontecendo com o filho na escola.


Kalinda foi obrigada a contar que Dylan estava sofrendo bullying por parte de um outro menino e ficou aterrorizada acreditando que Bishop pudesse fazer alguma coisa com a criança. Acontece que ele só ligou para os pais do menino. É natural que sempre se espere algo terrível dele, mas ver um lado mais leve do personagem foi bom para variar. No final, ele só estava tentando proteger o filho e ser um bom pai.


Enquanto isso, Alicia precisava tomar algumas decisões em relação a campanha, que tem tomado um ruma cada vez mais diferente do que ela gostaria. Mesmo com o pacto de não agressão entre ela e Prady, as coisas saíram um pouco de controle quando a campanha dela e seus apoiadores continuaram insistindo em manchar a imagem do oponente. Apesar de tudo, é louvável que tanto Alicia quanto Prady tentem fazer uma campanha limpa.


Mas essa intenção foi realmente colocado à prova quando ambos tinham que pedir apoio e patrocínio a um homem muito rico e não muito correto. O problema é que esse doador é, na verdade, um grande homofóbico que não estava tão interessado em saber o que Alicia tem a dizer sobre suas propostas de governo, e sim em ter certeza que ela compartilhava a mesma visão dele. O apoio que ele decidiu dar a ela baseia-se no fato de ele acreditar que Prady é gay.


Além disso, Redmayne (o doador) demonstrou que não tem respeito algum por Alicia, deixando-a constrangida com suas investidas. Isso ficou ainda mais claro durante o encontro com Prady, quando ele se referiu a ela de maneira extremamente desrespeitosa. Independentemente de se tudo foi parte de um teste para comprovar se Prady era gay ou não, a questão é que Redmayne realmente é nojento.


Apesar disso tudo, Alicia ainda aceitou o dinheiro dele, o que prova que o dinheiro é sim mais importante. O pior de tudo foi a difícil conversa que ela e Prady tiveram no final. A insinuação que ele deixou no ar de que ela poderia ter feito algo para fazer o doador mudar de ideia sobre quem apoiar foi dura, mas não infundada. Alicia sabe que aceitar esse dinheiro vai contra todos os princípios que ela tem lutado para manter desde o início da campanha.


tgw-6x13


Isso tudo culminou na cena final, em que mostrou Alicia lutando para conviver com sua escolha. Grace tentou consolá-la, dizendo que a mãe é a melhor pessoa que ela conhece. Só que, ao invés de ajudar, parece que isso só piorou a crise de consciência de Alicia. De certa forma, ver que a filha acredita tanto nela demonstra que Alicia não está só enganando a si mesma, mas também a quem ela ama.


Dark Money nos mostrou que muitas vezes os melhores princípios podem ser corrompidos por dinheiro. Até que ponto isso vale a pena? Até aonde Alicia está disposta a ir para vencer a eleição? Ela pode até acreditar que isso tudo será compensado pelo bem que ela fará se for eleita, só que certos caminhos não têm volta. E a nossa boa esposa já não é tão boa há muito tempo.


P.S.1: A versão fictícia da Alicia contrastou bem com tudo que aconteceu no episódio. Ao contrário da verdadeira Alicia Florrick, “Debbie Conlon não está à venda”.

Patreon de O Vértice